Rotting Christ
Postado em 06 de abril de 2006
Por Fabricio Boppre
O Rotting Christ é uma das mais elogiadas e festejadas bandas de metal dos últimos tempos. Seus álbuns mostram que o grupo possui um estilo próprio e bem característico, e que influenciou muitas bandas que hoje fazem sucesso. Podemos dizer também que o Rotting Christ é uma das bandas em que mais se torna visível o amadurecimento e aprimoramento musical de seus membros com o passar do tempo, uma vez que cada novo trabalho do grupo parece melhor e mais bem trabalhado que o anterior. Alguns teimam em dizer que a banda simplesmente está amaciando seu peso e velocidade para vender mais, mas essa não é a verdade: é evidente a crescente qualidade dos discos do grupo, e a evolução que há entre eles é notável, rendendo sempre discos excelentes e com a forte identidade do grupo sempre saltando aos nossos ouvidos.
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O país de origem do Rotting Christ é, por mais improvável que possa parecer, a Grécia. Foi na capital Atenas que em 1987 surgiu a banda, formada inicialmente pelos irmãos Sakis (que usava o nome Necromayhem) e Themis (Necrosavron). Desde jovens eles costumavam ouvir metal, e sempre foram fascinados pelas vertentes mais satânicas e extremas desse estilo. Bandas como Venom e Bathory foram fortes motivos para que os dois se tornassem músicos e formarem o Rotting Christ. Em 1988, depois de recrutarem o tecladista Magus Wampyr e o baixista Mutilator, eles conseguiram lançar pela TNT Records um mini-disco auto-intitulado, e no ano seguinte lançam uma fita-demo chamada "Sathanas Tedeum" (que seria relançado mais tarde pelo selo grego Unisound Records). Com esses dois trabalhos, a banda passa a chamar a atenção de selos que investiam em metal, além de ganhar bastante espaço no underground europeu.
O Rotting Christ praticava em seu início um black metal cru e ríspido, com destaque para a guitarra de Sakis que possuía riffs e bases com certa dose de melodia e climas sombrios. Ainda não tinha tanta melodia e atmosfera quanto nos discos mais recentes da banda, mas já era fácil de perceber que o conjunto grego era diferente da grande maioria dos grupos que pipocam pela Europa: esse jeito de tocar metal extremo era inovador, já que a grande maioria das bandas não se importava com melodia. Hoje em dia existem muitos grupos que tocam desta maneira, a chamada Segunda Geração do Black Metal, entre eles o Dimmu Borgir, o Vesperian Sorrow, o In Flames e o Barathrum. Todos esses devem parte de seu sucesso comercial ao Rotting Christ, sem dúvida o grande nome dessa Segunda Geração, e que foi um dos precursores da idéia de unir a melodia ao peso devastador do black metal, fazendo o estilo se popularizar consideravelmente na década de 90.
Em 1991, finalmente a banda lança um trabalho de maior expressão e divulgação: é o EP chamado "Passage to Arcturo". O disco faz o Rotting Christ ficar mais conhecido pelos fãs do metal na Europa, abrindo várias portas para o conjunto. Nada mais justo, uma vez que a banda batalhou durante um bom tempo no cenário underground, isso sem contar a incontestável competência do grupo. Com esse aumento de popularidade, a banda consegue um contrato com o selo francês Osmose Records, conhecida pelo bom trabalho que realiza com bandas de metal extremo. Dessa união nascem os dois primeiros LPs do Rotting Christ: "Thy Might Contract" de 1993 e "Non Serviam" de 1995. São dois excelentes álbuns, que serviram para confirmar o alto nível da banda. Além desses discos, a banda lançou pela Osmose alguns EPs, como os excelentes "Apocathylosis" e "Ade’s Winds".
Mas logo depois do lançamento de "Non Serviam", a banda teve um desentendimento com a gravadora e decidem não mais trabalhar com eles. Devido ao sucesso que atingiram com os últimos trabalhos, eles não demoram a firmar um novo contrato, dessa vez com a Century Black, uma subdivisão da Century Media criada exclusivamente para trabalhar com bandas desse estilo. Já faziam parte do cast deste selo nomes como o Mayhem e o Emperor. Assim, a banda passa a ter a distribuição e divulgação que realmente merecem.
Mas antes da gravação do primeiro álbum pela nova gravadora, acontece a primeira mudança no line-up do grupo: o tecladista Magus deixa a banda devido a desentendimentos com os outros membros. E é como um trio que eles gravam seu terceiro LP, chamado "Triarchy of the Lost Lovers", lançado em 1996. O disco foi produzido por Andy Classen no famoso estúdio Stage One (que fica na Alemanha) e foi logo alçado à posição de melhor disco que o conjunto lançou até aquele momento. Esse trabalho mostra um Rotting Christ mais maduro e sombrio, com melodias e riffs mais góticos e apurados, em excelentes canções como "King of a Stellar War", "Archon" e a veloz "Tormentor". Alguns críticos chegaram, inclusive, a criar um novo rótulo para descrever o Rotting Christ (dark metal), uma vez que a banda estava indo além do black metal com suas melodias e climas soturnos. O disco faz bastante sucesso e agora o Rotting Christ é conhecido em nível mundial, afinal, a Osmose fez a banda ficar conhecida entre os fãs de black metal, mas não tinha o alcance da Century Black, que levou o nome da banda a lugares que não os conheciam ainda, principalmente a América.
Em 1997, a banda se reúne novamente para a gravação de um novo trabalho. Dessa vez, o produtor escolhido foi Xy, baterista e tecladista do Samael. Como a banda estava sem tecladista, Xy aproveitou para dar uma força ao grupo, tocando os teclados que aparecem no novo disco. Ele é lançado ainda em 1997, e é chamado "A Dead Poem". Outra participação significativa no álbum é a do vocalista do Moonspell, Fernando Ribeiro, que canta na excelente música "Among Two Storms". "A Dead Poem" é mais um incrível disco, com mais melodias sombrias e climas tétricos, baseados nos riffs de guitarra e teclados que a banda constrói com enorme facilidade. Ainda estão lá a rispidez das bases de guitarras e vocais secos que dão o tom satânico da banda e é justamente essa mistura de melodia e rispidez que faz o disco fascinante. As gravações desse álbum aconteceram no estúdio Woodhouse Studio, também na Alemanha (nesse estúdio aconteceram também as gravações de discos seminais como o Wildhoney do Tiamat e Nighttime Birds do The Gathering). Uma edição especial desse álbum foi lançada, contendo um disco bônus chamado "Darkness We Fell", que é uma coletânea de músicas de bandas que fazem parte do cast da Century Black, como o The Gathering, Tiamat, Sentenced, Old Man’s Child, Ulver e Sacramentum.
Logo depois desse lançamento, novas mudanças na formação do Rotting Christ: o baixista Andreas entra no lugar de Mutilator, além da entrada de dois novos integrantes: o tecladista Panayotis e um segundo guitarrista, chamado Kostas. Com esse line-up, a banda parte para uma longa turnê, e crava definitivamente seu nome no rol das grandes bandas de black metal (ou dark metal).
Depois de um merecido descanso, a banda volta a trabalhar na produção de um novo álbum em setembro de 1998, novamente com a produção de Xy. O resultado é o fantástico "The Sleep of Angels", um disco completo e envolvente, para muitos, a obra-prima do Rotting Christ. Foi lançado em 1999, e teve críticas positivas em praticamente todas as grandes publicações do ramo, sempre com elogios rasgados e muita badalação. Não sem motivos, afinal, é nesse disco que a banda firma seu estilo, sem esquecer suas raízes. Ou seja: as melodias sombrias e góticas atingiram quase a perfeição, com muito clima e atmosferas absolutamente arrepiantes, com os arranjos de teclados e guitarras simplesmente emocionantes. Isso tudo acompanhado da rispidez e peso que a banda tinha em seu princípio. Enfim, um disco bastante atmosférico e soturno, com agressividade e melancolia na medida certa. Os destaques ficam por conta das incríveis "The World Made End", "Imaginary Zone" e "Cold Colours".
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