WHIPLASH.NET - Rock e Heavy Metal!

Alerta: Continuações

Por Maurício Gomes Angelo | Em 09/09/04
Enviar por emailEnviar correção

Até hoje, as continuações eram um mal exclusivo do cinema e dos games, uma verdadeira praga usada quase sempre para sugar mais e mais dinheiro do público. E na maioria dos casos, as continuações dos filmes e games originais eram produtos de qualidade duvidosa, de roteiro descerebrado e manchando o legado da obra original.

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

Embora o metal já tenha vivido casos como esses em épocas passadas (como exemplo mais famoso sem dúvida consta o "Keeper Of Seven Keys I e II" do Helloween) eram fatos isolados e raros de acontecer. Agora em 2004 o fenômeno parece estar acontecendo como nunca antes dentro do heavy metal.

Os italianos do Rhapsody deram o passo inicial com o anúncio do lançamento de "Symphony Of Enchanted Lands Pt II - The Dark Secret", a continuação de seu álbum de maior sucesso e prestígio até hoje, o que já deixa dúvidas no ar. A banda acabara de finalizar a saga de "Algalord Chronicles" contada em 4 álbuns de estúdio, e agora retorna para requentar um conceito já usado antes? Porque não partir para uma direção diferente e trazer idéias mais novas e frescas para sua música e suas letras? Será que à vontade de permanecer no topo do heavy melódico sem correr nenhum risco foi mais forte do que a força para mudar e daí resolveram investir num trabalho já manjado pelo seu público com o apelativo adicional de evocar um álbum de sucesso em tempos passados? Quase não tenho dúvidas de que esse álbum vai manter a excelente qualidade da banda e possivelmente vai receber uma ótima recepção ao redor do mundo, mas que essa história de "Symphony II" não cheira bem, isso com certeza, e correm o risco de cair em sua própria armadilha com isto.

Depois foi a vez do Helloween declarar que "vamos tentar fazer um "Keeper III" no próximo álbum, porque a vibração e o espírito da banda está ótimo tanto quanto estava a época dos seus antecessores". Ora, ora....o conceito da história do guardião das sete chaves já não tinha sido encerrado completamente com o final da história encartado no "Master Of The Rings"?

Isso sem contar que segundo a lenda, o "Keeper II" só foi chamado assim por imposição da gravadora e contra a vontade da banda. Ou seja, chamar o próximo álbum de "Keeper III" parece um despropósito comercial, sem justificativa, a não ser de chamar ainda mais a atenção de crítica e público e vender milhares de cópias na velocidade da luz. E é curioso notar que a banda não precisa disso, já que sua reputação, importância e legião de fãs é irrefutável e já estão consolidadas há muito tempo, sem contar que o último trabalho (Rabbit Don't Come Easy) é um ótimo álbum e um dos melhores com Andi Deris no vocais.

Por último, foi a vez do Queensryche (ou pelo visto, a Sanctuary, sua gravadora) anunciar a "segunda parte" de "Operation: Mindcrime", o clássico dos clássicos lançado em 1988, comumente apontado entre os 10 melhores álbuns de todos os tempos e o melhor álbum conceitual da história do heavy metal, além de ser intensamente explorado até hoje ao vivo. Dentre os 3 exemplos citados aqui, este é o que soa pior e com maior desconfiança. Para começar, tem-se a nítida impressão de imposição de gravadora essa história de Operation Pt II. E por a banda ter caído em desgraça após o lançamento de "Empire" (de !PASMEM! 1990), tendo todos os seus álbuns lançados após este recebidos com ambigüidade e ressalvas quanto á sua qualidade musical (e todas as mudanças propostas), lançar um "Operation: Mindcrime II" parece a jogada de marketing perfeita e ideal para voltar todas as atenções da mídia novamente para eles e voltarem a serem extremamente respeitados e queridos como já foram um dia. Apesar de confiar na idoneidade e competência de Geoff Tate, Michael Wilton e cia, não dá para não duvidar das verdadeiras intenções por trás disso.

Na mesma proporção que as continuações vão trazer uma maior atenção da mídia e reascender um sentimento de "déja-vu" positivo dos fãs, as bandas devem estar preparadas para as intensas cobranças e comparações que virão com elas.

Espero que lançar continuações não vire moda também dentro do heavy metal, e que não aconteça a mesma desgraça que acontece com o cinema e os games. Onde os estúdios não patrocinam mais projetos originais, criativos e promissores com medo de perder dinheiro, e preferem investir em continuações que sejam certeza de retorno em caixa. O que é extremamente venenoso para o meio. Não periga muito para que as gravadoras de heavy metal gostem da idéia e venham a fazer o mesmo. Honestamente, não gostaria de ver um "Powerslave II", ou um "Master Of Puppets - Vengeance" ou ainda um "Back In Black II". Prefiro acreditar nas profundas e verdadeiras intenções de quem tem consciência do seu papel e sempre lutou para manter o cenário forte, vivo e diversificado. Ao qual nós também fazemos parte. E devemos agir como tal. Só assim poderemos vislumbrar mais sadios e infindáveis anos para o rock/metal, suas origens e subdivisões.

Todas as matérias da seção Opiniões
Todas as matérias sobre Helloween
Todas as matérias sobre Rhapsody
Todas as matérias sobre Queensryche

Helloween: formação clássica irá se reunir? Não, não vai! [22/05/12]
Resenhas de Shows - Unisonic e Gotthard (HSBC Hall,São Paulo, 18/05/12)
Entrevistas - Helloween: entrevista com Michael Weikath em 1996
Resenhas de CDs e DVDs - Helloween & Gamma Ray Tribute - HelloRay
Unisonic: ouça Michael Kiske cantando March Of Time [16/05/12]
Michael Kiske: "acho que eu e Weikath precisamos conversar" [06/05/12]
Entrevistas - Helloween: entrevista com Michael Weikath em 1998
Unisonic: possível set list de apresentações ao vivo [04/05/12]
Helloween: vídeo do primeiro dia de gravação de novo álbum [02/05/12]
Helloween: banda começa a gravar novo álbum [02/05/12]
Mais matérias sobre Helloween

Os comentários são postados usando scripts do FACEBOOK e logins do FACEBOOK, HOTMAIL, AOL ou YAHOO, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de exclusiva e integral autoria e responsabilidade dos usuários que fizeram uso deste sistema (citados na assinatura de cada comentário). Caso você considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato. Os responsáveis pelo site podem excluir comentários que julgarem inadequados e fornecer informações sobre os comentários a reclamantes se solicitados.

Sobre Maurício Gomes Angelo

Maurício G. Angelo odeia definições. Acha que não entende nada de música, mas o suficiente. Pseudo-jornalista, pseudo-crítico e pseudo-escritor. Não gosta de explicar ironia. Escreve no Whiplash! desde 2003. Colaborou para uma série de veículos, como a revista Roadie Crew e os sites Rock Press, Duplipensar e Simplicíssimo. Ouve tudo aquilo que lhe interesse: do blues ao metal extremo, passando pelo pop, progressivo, clássico, jazz, eletrônico e MPB. Peca pelo tesão, nunca pela inércia. Alfabetizado, chato, detalhista e exigente: está continuamente tentando aprender a ler, e tem orgulho disso. Passou bons momentos ao lado de Rubem Braga, George Orwell, Pink Floyd e tantos outros. É apaixonado por palavras, pelo som e pelo silêncio. Erra muito. Muda mais ainda. E se permite ser hiperbólico, às vezes.

Mais matérias de Maurício Gomes Angelo no Whiplash.Net.

Link que não funciona para email (ignore)

QUEM SOMOS | RSS | FACEBOOK | TWITTER | NEWSLETTER | APPS | ANUNCIAR | ENVIAR MATERIAL | FALE CONOSCO

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria. Os textos não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será retirado do site.

Em abril de 2012 Whiplash.Net teve 1.078.971 visitantes únicos, 2.974.068 visitas e 10.616.661 pageviews. Ver stats.