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Novo The Doors pode enfurecer antigos fãs

Em 23/11/02 | Fonte: Terra Música
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Em uma das misturas mais improváveis da história do rock, os membros remanescentes do The Doors confirmam que a banda vai voltar à ativa – trazendo o ex-vocalista do The Cult, Ian Astbury, no lugar de Jim Morrison. Completando a formação vai estar o ex-baterista do Police, Stewart Copeland. Eles planejam fazer shows em pequenos clubes dos Estados Unidos em 2003 e voltar ao estúdio para gravar o primeiro álbum da banda em 25 anos. Resta saber se a notícia vai deixar os fãs felizes ou enfurecidos.

Formado originalmente em 1965 em Los Angeles por Morrison, Ray Manzareck, Robby Krieger e John Densmore, o The Doors é a mais influente banda americana do fim dos anos 60. A mistura de letras poéticas, teclados psicodélicos e guitarras influenciadas pelo blues se destacou do resto da sonoridade produzida na Califórnia na época, transformando músicas como "Light my fire" e "L.A. Woman" em clássicos instantâneos.

Além da importância da sonoridade do grupo, Morrison também conseguiu rapidamente se transformar em um misterioso ídolo capaz de despertar a sexualidade de garotas de todas as idades e criar uma empatia quase religiosa com os homens. Com o sucesso de discos como Waiting For the Sun, de 1968, e Soft Parade, de 1969, ele passou também a explorar outras áreas, como a direção de filmes.

Com a morte de Morrison (de parada cardíaca causada por uma overdose de heroína) em 1971, a banda perdeu o rumo. Depois de cogitar a substituição do cantor por nomes como Iggy Pop, eles lançaram L.A. Woman e Weird Scenes Inside the Gold Mine e, em 1973, seguiram caminhos separados – sem nunca atingir o sucesso do The Doors.

Em 1978, o disco An American Prayer – Jim Morrison, em que o cantor recitava poesias, ajudou a reacender a chama.

A maior ironia é que a melhor fase da banda começou nos anos 80 e durou até a metade dos 90. Impulsionado pelo lançamento da biografia Alive She Cried, em 1983, e pelo advento da MTV, vários discos do The Doors foram relançados e a banda foi descoberta por uma nova geração.

Em 1991, o filme The Doors, de Oliver Stone, ajudou a impulsionar ainda mais a venda de discos.

Manzarek, que está com 66 anos, e Robby Krieger, com 57, haviam se apresentado ao lado de Ian Astbury e Steward Copeland em uma convenção de motocicletas em Los Angeles, em setembro. "Há 30 anos fizemos nossa última apresentação, acho que é tempo suficiente de espera", disse Krieger em uma entrevista coletiva realizada ontem.

De acordo com Manzarek, ainda não há material novo gravado, nem gravadora interessada. A sonoridade é ligeiramente diferente da original, mas "tem muito do The Doors".

A escolha de Astbury para os vocais deve fazer sentido para a maioria dos fãs. O cantor formou o The Cult em Londres, em 1983, para acolher tanto o público de bandas "místicas" como Led Zeppelin e The Doors quanto os fãs do rock pesado do AC/DC - e ainda os góticos. Embora o grupo tenha tido fases alternadas de sucesso e esquecimento, nunca chegou a perder a credibilidade, o que pode ajudar na tentativa de volta do The Doors em 2002.

Copeland, o único americano da turma, mudou-se para Londres em 1975 e formou o grupo de rock progressivo Curved Air – até que conheceu Sting e formou o Police um ano depois.

A banda deve se apresentar junta pela primeira vez em duas décadas na cerimônia de inclusão no Rock and Roll Hall of Fame. Depois do Police, ele se dedicou a produzir e compor trilhas sonoras de filmes e óperas. Ele entra no lugar do baterista John Densmore, de 58 anos, que não pode mais tocar bateria por conta de problemas de saúde.

Apesar do pedigree dos novos integrantes, tentar ressuscitar uma banda tão cultuada quanto o The Doors pode acabar tirando o brilho do legado de Jim Morrison. No melhor estilo Elvis Presley, até hoje há uma corrente de fãs que acredita que ele não morreu – enquanto milhares visitam o túmulo dele em Paris todos os anos. Se o The Doors não conseguiu manter a química logo depois da morte do cantor, dificilmente deve recuperá-la tanto tempo depois.

Por outro lado, os músicos mantiveram uma boa integridade ao longo dos anos e não canibalizaram a obra da banda em projetos excessivamente comerciais. De qualquer maneira, a indústria deve ficar atenta para analisar se a performance da banda vai ficar mais para o saudosismo tipo atração de Las Vegas ou se vai representar uma das maiores surpresas da história do rock.

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