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Agência Estado
Em 1968, quando o Deep Purple se reuniu pela primeira vez na Inglaterra, a banda não imaginava que estava ajudando a criar um estilo, o hard rock. Hoje, depois de dez formações diferentes numa emaranhada árvore artística que inclui 14 músicos, os ingleses voltam ao Brasil pela sexta vez para uma série de shows do recém-lançado álbum 'Rapture of the Deep'.
Na verdade, apesar de ainda estar em atividade, o Purple é um grupo que se alimenta exclusivamente do passado, onde está a melhor parte de seu trabalho. Pode-se dizer que, desde 'Perfect Strangers', de 1984, álbum que marca a reunião da banda depois de oito anos de separação, nunca mais eles produziram algo superior a razoável.
Se a banda que volta ao Brasil tem como ponto fraco as ausências do lendário guitarrista Ritchie Blackmore e do tecladista Jon Lord, dois dos fundadores do grupo, por outro lado os fãs vão poder ouvir o vocalista Ian Gillan, que ocupava os vocais na fase mais fértil e foi quem gravou Strange Kind of Woman, Woman from Tokyo, Smoke on the Water e Highway Star, e o baterista Ian Paice, que é o único sobrevivente da formação original.
“Dos clássicos, a gente só não vai tocar Burn”, disse o guitarrista Steve Morse na sexta-feira à tarde, ao desembarcar em Porto Alegre, primeira escala da turnê brasileira. “Sabe como é, foi o David Coverdale quem gravou e o Ian Gillan não canta esta. A única exceção é Hush, que a gente sempre tocou.” Do disco novo, só três ou quatro canções.
Além de Porto Alegre, a banda se apresentaria em Curitiba, depois São Paulo (hoje e amanhã com abertura da banda Lagunna), Rio, Vitória e Belo Horizonte.
Morse está no Purple desde 1994 e é o guitarrista que mais durou na banda depois do temperamental Blackmore. “Respeito e gosto muito do que ele (Blackmore) faz hoje.” Hoje, o ex-guitarrista e sua esposa, a cantora Candace Night, se dedicam hoje à música renascentista.
Além da energia dos músicos do Deep Purple, o que chama a atenção da banda é a grande quantidade de fãs jovens. “A gente percebe isso nos shows. É mesmo impressionante.” E, é claro, Morse faz coro a todos os músicos estrangeiros que pisam no País. “Tocar aqui é diferente. As pessoas realmente curtem o show".
Deep Purple. Tom Brasil (4 mil pessoas). Rua Bragança Paulista, 1.281, Santo Amaro, São Paulo. Tel. (011) 2163-2000. Shows hoje e amanhã, às 21h30. Ingressos: de R$ 100 a R$ 200.
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