Esta matéria foi publicada em 27/03/12. Procura matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

LRI: Quais foram suas impressões iniciais de Vinnie Vincent ou da música dele ao ouvir as demos de WARRIOR?
RF: Eu achava que Vinnie compunha rock muito bem. Obviamente, ele é um monstro na guitarra... mas daí rola o lance auto-destrutivo que eclipsa tudo que o faz grande.
LRI: Você faz parte de um seleto grupo de pessoas que trabalhou com Vinnie em alguns projetos diferentes e não teve as mesmas experiências tóxicas que os outros tiveram. Você pelo menos se sentiu realizado artisticamente ou conseguiu apenas fazer o necessário enquanto trabalhava com ele?
RF: Falando artisticamente, eu nunca tive problema algum pra gravar meus vocais com ele, exceto por quando estávamos mixando o disco. O engenheiro ficava trabalhando por horas a fio e Vinnie entrava sorrateiramente e fodia a mixagem e botava o engenheiro louco! Daí ele abaixava as guitarras e claro, Vinnie vinha e as aumentava de novo. Ele fazia isso em praticamente todas as mixagens, o que foi uma das muitas razões pelas quais demorou tanto pro disco ficar pronto.
LRI: O Vinnie Vincent Invasion era bem exagerado, mesmo pros anos 80. Letras loucas e bastante sexualizadas, solos de guitarra loucos e esquizofrênicos que desafiam a lógica e em alguns casos, o bom gosto, além de uma obsessão com o estilo glam de se vestir que chegava ao ponto da distração. Tendo dito isso, eu ainda considero o primeiro disco um clássico. Vinnie e Dana parecem totalmente confortáveis em seu elemento visual e com as letras também, mas e quanto a você?
RF: Não, eu não tinha interesse algum em parecer um travesti. Eu odeio aquelas minhas fotos no disco, o cabeleireiro armou meu cabelo dum jeito que eu pareço uma porra dum poodle com três travestis infláveis!
LRI: [risos] O que você acha do Invasion agora, depois de tanto tempo? Eu li coisas na imprensa sobre o quão fascinado Vinnie era por você como compositor e vocalista na época e daí histórias subseqüentes sobre como eles sempre quiseram Mark Slaughter como vocalista da banda e daí eles simplesmente o usaram para vestir as calças apertadas e deram uma de Milli Vanilli no clipe de ‘Boyz Gonna Rock’. Felizmente a banda conseguiu tirar seu próprio sim no segundo disco, mas essa parada foi estranha, pra dizer o mínimo. Você sempre teve a sensação de que a formação do Invasion, ou o ‘conceito’ da banda estava sob constante revisão na mente de Vinnie?
RF: Eu não concluo NADA da história daquela banda… é como um copo de água suja, nada é muito honesto naquilo, você tem um cara dublando minha voz, pra começo de conversa! Quando Vinnie me procurou, disse que seríamos uma BANDA, daí ele assinou contrato como artista solo com as demos que fizemos comigo cantando, então eu disse a ele pra ir se fuder!!! Daí a gravadora, Chrysalis, disse a ele que me recontratasse. Eu disse não por muito tempo, mas daí meu filho Austin ia nascer e eu disse que aceitaria por uma caralhada de dinheiro, e voltei. Há muitos outros incidentes que aconteceram sobre os quais eu não vou comentar, mas resumindo, se eu não fosse tão bonzinho, não teria havido um disco do Invasion. Aquele disco mata todos os outros que vieram depois. Você está certa, ainda é um dos discos mais assassinos da história, TOQUEM NO ONZE!!!!!
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Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.
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