Gene Simmons: "Vinnie Vincent soava como Yngwie Malmsteen fumando crack"
Por André Garcia
Postado em 02 de dezembro de 2022
Um capítulo à parte da história do Kiss foi a breve e turbulenta passagem do guitarrista Vinnie Vincent. Chegando em um momento tenso onde a banda precisava ressuscitar com "Creatures of the Night" (1982), o ego e a teimosia de Vincent se tornaram uma dor de cabeça para Paul Stanley e Gene Simmons.
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Em recente entrevista para a Guitar World, o maior linguarudo do rock botou a boca no trombone sobre seu antigo colega. Com a sinceridade que lhe é peculiar, ele falou o lado positivo e o lado negativo de Vincent:
"Quando fizemos o 'Creatures [of the Night]', Ace [Frehley] já tinha saído. Ele não aparece em uma única música no disco. Tivemos que dar nosso jeito para contornar aquilo, o que não foi fácil, já que, apesar de todos os seus problemas, Ace era um músico único. Fizemos testes em Los Angeles, e apareceu todo mundo, de Richie Sambora a Slash, passando por Doug Aldrich e Punky Meadows."
"Nenhum deles se encaixou, mas não podíamos mais esperar pela pessoa certa. Então gravamos com músicos de estúdio — caras como Steve Farris, Robben Ford, e um guitarrista na época conhecido como Vincent Cusano."
Vincent Cusano
Foi justamente por sugestão de Gene que Vincent Cusano adotou o nome artístico Vinnie Vincent, com o qual ficou mundialmente conhecido.
"Realmente sinto que as contribuições de Vinnie foram exageradas", prosseguiu o baixista, "e vou te dizer por quê: para começo de conversa, ele nem toca em todo o disco, apenas em poucas faixas. Vinnie sempre fala sobre sua composição no 'Creatures' e, sim, ele ajudou em várias músicas, mas tem contribuições de Adam Mitchell lá também. O que foi um problema, porque estávamos compondo na casa de Adam, e Vinnie me cercou e disse: 'Aí, esquece esse tal de Adam… Sou eu que deveria estar fazendo as músicas, nós não precisamos dele!'"
"Olhando em retrospecto, aquilo foi bem traiçoeiro, e uma das primeiras amostras do caráter de Vinnie… mas deixamos passar. Uma das primeiras coisas que surgiram foi 'I Love It Loud'. Eu cheguei com os acordes e a melodia, e lembro de ter ligado para Vinnie para envolver ele, e ele escreveu a maior parte da letra."
Gene Simmons e Paul Stanley vs Vinnie Vincent
"Lembro que ele trouxe [a música] 'Killer'. Nós curtimos, mas ele lutou com unhas e dentes pelo solo. Vinnie queria fazer de cada solo uma coisa grandiosa. Eu e Paul [Stanley] entregamos a ele solos prontos e pedíamos para tocar literalmente, mas ele se recusava."
"Sinceramente, tudo que Vinnie fazia soava como Yngwie Malmsteen fumando crack. Sabe, aquele tipo de coisa que nós, seres humanos normais, odiamos. Aquilo era ridículo, e certamente não tinha a cara do Kiss."
"A coisa chegou a um ponto onde tivemos que bater o pé e dizer 'Escuta aqui, você vai tocar cada nota exatamente como dissermos para você tocar!' A gente não precisava estar naquela situação de lutar contra Vinnie Vincent sobre como as músicas deveriam soar. Ele nem sequer era um membro do Kiss!"
"Só para refrescar a memória de todo mundo: Vinnie Vincent jamais foi um membro oficial do Kiss, Até hoje, Vinnie Vincent jamais assinou um contrato com o Kiss", concluiu.
Kiss
Concebido e formado por Gene Simmons e Paul Stanley, o Kiss lançou seu álbum de estreia, autointitulado, em 1974, com Peter Criss e Ace Frehley completando a formação. Anônimo, o quarteto para chamar atenção do público adotou maquiagens, salto plataforma e roupas de couro.
O sucesso chegou com "Rock and Roll All Nite" emplacando em "Alive!" (1975) e o lançamento de "Destroyer" (1976), reconhecido como uma obra-prima.
A fama, no entanto, não fez bem à banda, provocando tensão entre seus membros e levando sua sonoridade por rumos mais pop que derrubaram sua popularidade. O fundo do poço foi "Music From the Elder" (1981), que vendeu tão pouco que nem sequer teve uma turnê.
No começo dos anos 80 a banda, abalada por mudanças na formação, amargou um novo fracasso comercial em "Creatures of the Night" (1982), apesar do hit "I Love It Loud". Em "Lick It Up" (1983), Gene e Paul partiram para o all-in ao abandonar as máscaras, sua marca registrada. A partir dali, embarcaram em uma fase mais hair metal, seguindo os passos de nomes como Mötley Crüe.
Em meados dos anos 90, o Kiss retornou às máscaras e a sua formação original, mas a reunião não durou muito. No começo dos anos 2000, com Eric Singer e Tommy Thayer no lugar de Peter e Ace, a banda chegou a sua formação mais estável, que permanece junta até hoje.
Sua turnê de despedida passou pelo Brasil no primeiro semestre de 2022.
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