“The Dark Side of the Moon” vendeu cerca de 30 milhões de cópias no mundo todo e passou 724 semanas, quase 14 anos, entre os álbuns mais vendidos nos Estados Unidos. Estima-se ainda que na Inglaterra, país natal da banda, uma em cada cinco casas possuam o disco. Mas um álbum que tem como tema os problemas universais que afetam o ser humano, destacando a loucura como conseqüência desses problemas, não pode se resumir ao sucesso comercial. E é justamente para desvendar a face oculta de “Dark Side” que o jornalista John Harris (colaborador de revistas publicações especializadas em música, como Rolling Stone, Q, Mojo e NME) escreveu “The Dark Side of the Moon – Os Bastidores da Obra-Prima do Pink Floyd” (Jorge Zahar Editor, 224 páginas, R$ 39).

O principal mérito da obra é a contextualização que Harris faz do início da carreira do Pink Floyd com a criação do álbum, algo essencial se pensarmos que a história de “Dark Side” é mais longa do que se imagina e se confunde com a própria história da banda. Da saída do líder Syd Barret à forma como ele próprio influenciou o conceito de “Dark Side”, conforme relata o próprio autor. “Ao elevar as invenções humanas, como tempo e dinheiro, a um plano em que elas acabam por nos controlar, perdemos nosso conceito do que é ser humano – empáticos, compassíveis, sociáveis –, e chegamos a uma maneira tão corrompida de pensar que a loucura estava próxima de se tornar uma conseqüência lógica”.
A loucura que serviu de exemplo era a do próprio Syd Barret, um sujeito incapaz de se adaptar à sociedade e que graças a isso, ao lado de outro fatores, esmaeceu com o tempo. Sem esquecer que entre esse meio tempo – a saída do principal compositor e o surgimento de “Dark Side” – há ainda a perda de rumo da banda, que resultou em álbuns irregulares como “A Saucerful of Secrets”, “Ummagumma”, “Atom Heart Mother” e “Meddle”.
Desejando material novo para tocar em sua próxima turnê, algo que fez com que o embrião de “Dark Side” fosse executado nos shows por mais de um ano antes de ser lançado, o álbum começou a ganhar corpo graças ao conceito inicial proposto por Waters e sofreu as adaptações necessárias até ser lançado. O autor descreve minuciosamente como as incipientes “Travel Section” e “Mortality Sequence”, ou “Religious Theme”, se tornaram as famosas “On the Run” e “The Great Gig in the Sky”, respectivamente.
O resultado todos já sabem. Um sucesso estrondoso comercial e de crítica, um marco na carreira da banda. Recheado de histórias interessantes como a idéia inicial de Waters de que as letras fossem diretas – algo que pode ser percebido em “Money”, por exemplo –, apesar dos rumores de que o álbum serviria de trilha sonora para o “Mágico de Oz”; ou a das entrevistas com os funcionários da banda e a equipe técnica, cujos trechos podem ser ouvidos em quase todas as músicas; ou ainda o árduo processo de criação dos efeitos sonoros que fazem parte das músicas.
Apesar de boa parte das informações já teram sido transmitidas no documentário “The Dark Side of the Moon”, filme da série “Classic Albums” que conta o processo de criação do disco, o livro se destaca pelo poder de interpretação. O conjunto de fatores que combinados deram origem a “Dark Side” e a conseqüência do álbum no futuro da banda, o sucesso que fez com que a banda caminhasse rumo ao fim. Harris acertou em cheio, um disco que fala sobre temas tão complexos precisa ser explicado a fundo.
A complexidade do álbum se confunde à complexidade do próprio ser humano. Os temas universais do disco (os tais problemas que afetam o ser humano como submissão ao tempo e dinheiro, paranóias, solidão, falta de empatia) ainda são vividos por todos. Aí reside a longetividade do álbum, que vende 250 mil cópias todo ano. O livro não explica apenas a complexidade do álbum. Explica também um pouco da complexidade do ser humano.
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Estudante de Jornalismo, mora em Guarapuava, PR. Adora escrever sobre futebol e rock 'n' roll. Sobre música, adora o Hardão Setentista (Grand Funk, Uriah Heep, Deep Purple, Led Zeppelin) e o progressivo (Yes, Jethro Tull, Focus). Para música acha que nasceu pelo menos uns 30 anos atrasado. Das bandas atuais gosta de White Stripes, Wolfmother e Hellacopters. Mas sua paixão é o som trascendental do Pink Floyd. Os seus grandes sonhos são ver ao vivo uma reunião dos quatro novamente, como ocorreu no Live 8, além de comprar uma moto com a primeiro dinheiro que ganhar com o jornalismo.
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