Era desnecessário observar atentamente aquele casal para perceber sua condição de gringos, pois uma das características que diferenciam os cariocas (tanto os "da gema" quanto os emigrantes) é sua tolerância ao calor, que faz com que as pessoas não acostumadas transpirem abundantemente, ao mesmo tempo em que deixa sua pele com uma coloração rosadamente desconfortável...
Não posso falar muito, pois apesar de nascido no Rio, como estou fora há muitos anos, já desacostumei com o calor esturricante que naquele dia acometia a Cidade Maravilhosa, algo que embora não seja muito agradável, paradoxalmente se trata de um dos maiores atrativos para os turistas, que têm no clima um dos aliados aos encantos naturais que sobrepujam por lá (com certeza só perde para o Nordeste nestes quesitos).
De fato, torcia para chegar minha vez de adentrar o caixa do banco 24 horas por causa do ar condicionado, quando o casal se aproximou e disse algo que soou mais ou menos assim aos meus ouvidos:
"xursstiluwjhgusejklohyttouzziqzolâbyudfissikqsp"
Achando que os ruídos urbanos fossem responsáveis por aquela profusão de sons incompreensíveis ou mesmo que minha audição estivesse desgringolando perante os gringos, disse-lhes "como?", e obtive como retorno "pqiy om värld tçhv längt krqkj gmndopw".
"Putz, tou ficando surdo!" pensei, mas imediatamente me desfiz da idéia, pois estava ouvindo tudo perfeitamente, só não compreendia patavinas, o que me fez concluir que sequer inglês estavam falando, senão com certeza teria entendido alguma coisa.
De qualquer forma, apelei para a língua do Tio Sam em versão macarrônica no sentido de estabelecer uma comunicação com eles, ambos na faixa dos 25-30 anos, aparentando se tratar de origem européia, que continuavam com a verborragia incessante tanto comigo quanto entre si, que me chamou atenção para o fato de estarem um tanto quanto descontrolados.
Foi quando no meio da profusão de palavras ininteligíveis que diziam apareceu uma frase que serviu como chave para elucidação do mistério: "Jag kup yghm en ny tid är här vatten asthamahgurchk".
Perguntei: "Are you swedish?" e obtive resposta positiva, num inglês cheio de sotaque e típico de aeroporto, mas que tornou as coisas mais fáceis, ao mesmo tempo em que os acalmou o suficiente para que conseguíssemos estabelecer uma certa conversação.
Resumo da ópera: se tratava realmente de um casal de suecos que estava passando uns dias no Brasil, e havia se perdido do intérprete, mas daí em diante bastou chamar um táxi e encaminhá-los de volta ao hotel, que a muito custo consegui compreender qual se tratava, para dar o caso como encerrado, e ir embora com a sensação de ter feito minha boa ação do dia...

Boa parte das parcas informações aqui constantes foram extraídas de encartes de CDs, usados também como fonte para alguns poucos websites em inglês, que por sinal se limitam somente a transcrever o texto palavra por palavra!




Retornando à Estocolmo, são convidados a gravar algumas faixas ao vivo no estúdio de uma rádio, que são transmitidas e retransmitidas país afora, e fazem bastante sucesso local. Com isto, acabam voltando ao tal estúdio e registrando dez músicas que sairiam no seu álbum de estréia, intitulado "En Ny Tid Är Här..."

(Considero uma das faixas em especial - "En Annan Vårld" - uma verdadeira obra prima, se alguém quer saber o que acho que é o tal de "hardão setentista", basta ouvi-la e tirar suas conclusões..)



Este é outro material até hoje inédito em formato digital.






Por sinal, se alguém souber onde arrumar uma cópia deste vídeo, por favor entre em contato, pois cada vez que ouço o NOVEMBER, me sinto como se estivesse "en annan värld" (em outro mundo)...
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Nascido no milênio passado. Empresário falido, atualmente sobrevivendo de "bicos" diversos (dentre eles, professor de contabilidade - tenho cara?). Fanático por hard-rock e congêneres das décadas de 60/70, Hendrixmaníaco de carteirinha. Acha que apenas três coisas valem a pena na vida: Mulheres (mas dão um trabalho!), Rock'n'roll em geral e Motocicletas. Quando morrer, conforme combinado com o saudoso Heavyman (RIP), vai ser enterrado com um CD do Black Sabbath (ele levou um do Jimi Hendrix para a eternidade...)
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