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Yngwie Malmsteen: faço a música que amo pois só vou viver uma vez

Traduzido por Thais Andrioli | Fonte: Premier Guitar |

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Joe Charupakor da Premier Guitar realizou, recentemente, uma entrevista com o lendário guitarrita sueco YNGWIE MALMSTEEN. Seguem abaixo alguns excertos dessa conversa.

Premier Guitar: O que motivou sua decisão de tocar todos os instrumentos em “Speellbound”?

Yngwie: Não houve nenhuma razão especial para que isso tenha acontecido. Simplesmente aconteceu. Eu me senti inspirado, comecei a gravar o material, e de repente estava tudo pronto.

Premier Guitar: Pode parecer uma surpresa, para algumas pessoas, o fato de você ter tocado bateria no álbum.

Yngwie: Quando eu era criança, eu tocava bateria, e quando eu consegui meu primeiro gravador 4-track, eu gravava as batidas de bateria e então gravava o resto das faixas por cima. Para este álbum, a gravação foi feita, ao vivo, com “triggers” de bateria. Ela foi quantizada um pouco, para que ficasse tudo perfeito.

Premier Guitar: “Spellbound”, a faixa título, parece um pouco mais direta e menos épica comparada a outras seleções. Como você escolhe quando “ir com tudo” ou quando simplificar as coisas?

Yngwie: Algumas das faixas demandaram muito esforço para serem compostas, mas elas me pareceram alucinantes quando eu as escutei novamente. “Spellbound” tem muita guitarra, obviamente, mas eu quis manter um ritmo mais contínuo. Ele não tem muitas “paradas” e coisas desse tipo. Ao passo que, se você ouvir “Majestic 12”, é como uma pequena sinfonia.

Premier Guitar: “Let Sleeping Dogs Lie” e “Iron Blues” deixam transparecer o seu lado blues. Você as incluiu para satisfazer os insatisfeitos.

Yngwie: [risos] Eu gostaria de dizer “sim”. Mas eu sou egoísta. Eu faço a música que eu amo porque eu só vou viver uma vez e eu sou um artista. Eu não me rebelo contra ninguém e eu não tento agradar ninguém. Eu realmente acredito que se eu amo o que eu faço mais alguém também vai amar – ainda que não seja todo mundo. Citando Niccolò Paganini, “Você tem que se sentir forte para fazer os outros se sentirem fortes.”

Premier Guitar: Mas você não parece um cara que gosta de escutar blues.

Yngwie: É, não. Eu sempre incluo uma música nos meus shows, mas eu não gostaria de ter de tocar mais de uma canção blues. Muitas pessoas não sabem disso, mas eu comecei tocando blues, e então, quando eu percebi, depois de tocar 18 horas por dia, que há mais de cinco notas por escala, foi quando minha música se tornou o que ela é. Eu comecei a ouvir violinistas e flautistas e foi assim que meu estilo evoluiu. É engraçado que as pessoas achem que eu tenha recebido minha influência clássica de Ritchie Blackmore. Se você escutá-lo, verá que ele não toca nada além de blues. Mas eu acho o blues importante e você precisa ter um pouco dele em você, independentemente do que você gosta de tocar. É como uma função básica que é necessária.

Premier Guitar: Parece que o quê separa você dos seus incontáveis clones, até mesmo dos famosos, é que enquanto você cresceu ouvindo música erudita, esses caras, fundamentalmente, aprenderam o que sabem sobre música erudita através de você.

Yngwie: Essa é uma observação muito boa, meu amigo. Eu também acho isso. Quando eu tinha 11 ou 12 anos, eu curtia DEEP PURPLE e blues. Mas eu me distanciei disso e comecei a gostar de coisas como escala harmônica menor, modo frígio, diminuto, contra-ponto, nota pedal e arpejos. É como quando um músico de blues naturalmente improvisa o blues, e eu faço a mesma coisa, mas de um jeito neoclássico. Bach, Vivaldi e Paganini se tornaram minhas influências e eles têm sido já há tanto tempo que eu nem penso mais sobre isso.

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