Portnoy: "queria explorar coisas que não soassem como o DT"

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Portnoy: "queria explorar coisas que não soassem como o DT"

Traduzido por Kako Sales | Fonte: Metal Insider

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(Nota: um trecho desta entrevista já foi publicado anteriormente).

Sendo a face mais conhecida do Dream Theater, Mike Portnoy foi sinônimo da banda por um quarto de século. Quando ele saiu, muitos se perguntaram o que ele faria para passar o tempo. Ele rapidamente respondeu gravando um álbum com o Avenged Sevenfold e saindo em turnê com eles logo em seguida. Quanto ao que ele tem feito desde então, os fãs do baterista já têm em mãos dois álbuns contendo seu trabalho, os quais foram recém-lançados: o super-grupo de Hard Rock, Adrenaline Mob (com o vocalista do Symphony X, Russell Allen) o a banda mais puxada para o Prog, Flying Colors (com Steve Morse, do Deep Purple). Portnoy falou ao Metal Insider sobre o fato dos dois álbuns serem lançados mais ou menos simultaneamente, o porquê dele importar com o que fãs e blogs falam dele e sobre a situação da Progressive Nation Tour.

Metal Insider: O que passa pela sua cabeça tendo lançado os álbuns tanto do Adrenaline Mob quanto do Flying Colors de uma vez? Você sabia que eles poderiam ser lançados ao mesmo tempo?

Mike Portnoy: Não, isso não foi calculado ou foi parte de algum planejamento maior. Eles foram gravados com muitos meses de diferença um do outro, no ano passado. O álbum do Flying Colors foi iniciado em janeiro e o do Adrenaline Mob, em abril. A gravação deles foi espalhada, eu presumi que as coisas seriam dessa forma. Mas acabou que, com duas gravadoras diferentes, ambos foram agendados para serem lançados no mês de março. Então, inicialmente, eu achei que seria loucura, mas quanto mais eu pensava sobre isso, quanto mais eu via a coisa evoluir, acho que acabou sendo uma coisa boa. Acho que houve muita especulação ou expectativa com o que eu estaria lançando depois do Dream Theater. Acho que se somente um desses álbuns fosse lançado, as pessoas não teriam uma visão completa da coisa.

Flying Colors é uma coisa mais pop, alternativa, prog e Adrenaline Mob é mais hard rock. Então eu fico feliz que as pessoas estejam realmente ouvindo ambos os álbuns ao mesmo tempo, então vocês podem tipo que vislumbrar o equilíbrio do que eu estou fazendo. Não é somente um ou somente o outro. São ambos, e é sobre ambos os estilos. Isso é o que eu sou. Adoro tantos estilos diferentes de música e é isso que eu quero fazer com minha carreira pós-Dream Theater, eu quero fazer muitas coisas diferentes. Então é legal que as pessoas estejam ouvindo o ying e o yang ao mesmo tempo.

MI: Se você fosse convidado para fazer parte de um super-grupo de Prog Metal, no estilo do Dream Theater, você recusaria propositalmente? O que você queria era experimentar?

MP: Sim. Honestamente, eu estava interessado em explorar coisas diferentes, que não soassem como o Dream Theater. Eu toquei no Dream Theater por vinte e cinco anos e todos os projetos que participei enquanto estava no Dream Theater, seja o Liquid Tension Experiment ou o Transatlantic, eles sempre tinham as raízes no Prog. E não há nada de errado nisso. Obviamente que eu amo isso, é uma parte imensa do que eu sou. Mas uma das coisas que eu realmente queria fazer agora era explorar outras cosias com outros tipos de músicos. E para ser honesto, tudo que estou fazendo agora tipo que caiu no meu colo. Eu não iniciei nenhuma dessas coisas. Eu não comecei o Flying Colors, eu não comecei o Adrenaline Mob, eu não comecei o lance com o John Sykes quando eu estava trabalhando com ele. Essas coisas vieram até mim.

Mas voltando ao assunto, quando Russell Allen veio até mim para me mostrar no que ele estava trabalhando e se eu estaria interessado nisso, para ser honesto, eu estava com um pouco de medo disso soar como “o Symphony X encontra o Dream Theater”, o que era exatamente o que eu não queria fazer. Então foi uma surpresa bastante agradável quando eu dei o play e ouvi a demo de “Undaunted”, e de repente havia aqueles riffs pesados e o vocal espetacular do Russ. Achoque o fato de não soar como Dream Theater ou Symphony X foi o que me levou a isso e realmente me chamou atenção.

MI: Você queria fazer algo que, por inexistência de um termo melhor, fosse mais simples no que tange à bateria?

MP: Sim. Depois da minha experiência com o Avenged Sevenfold, acho que eu estava realmente procurando por alguma coisa naquela veia. Eu participei da Uproar Tour com eles e estávamos juntos com o Disturbed, Stone Sour e Hellyeah. E eu curti de verdade aquele ambiente e aquele tipo de música que tinha como base riffs, grooves pesados e composição direcionada. Foi uma época legal e divertida, e eu não precisava pensar demais. Não que haja algo errado em “pensar demais”, eu construí uma grande carreira com isso, e ainda curto música complexa. Mas de vez em quando você precisa dar um tempo e precisa de algo novo e revigorante. Aquela experiência com o Avenged Sevenfold foi revigorante para mim, e após aquela experiência, eu quis fazer algo naquele estilo. Então quando eu ouvi as músicas do Adrenaline Mob, era exatamente o tipo de música certo na hora certa para o que eu estava procurando.

MI: Há mais alguma coisa que você absorveu da experiência de tocar com o Avenged Sevenfold?

MP: Eu só curti a experiência. Como eu acabei de dizer, foi divertido. Eu não tinha que tomar nenhuma decisão para controlar nada criativamente. Eu estava lá basicamente para tocar bateria e ajudar aqueles caras a voltarem a ter os pés no chão. Mas a experiência foi um tempo bom e acho que servimos de ponte uns para os outros. Acho que eu servi como ponte para ajudá-los a voltarem a ter os pés no chão, para levá-los aonde eles precisavam ir com um baterista novo, mais jovem e desconhecido e eles serviram de ponte para eu chegar aonde eu precisava chegar no próximo capítulo de minha carreira. Então acho que nós nos ajudamos mutuamente a conseguir o que precisávamos para seguirmos e crescermos com a experiência.

MI: Então você sempre viu aquilo como algo temporário?

MP: Sim. Acredito que meu real propósito foi trazê-los de volta à estrada e fazer um tributo a The Ver, e foi sempre assim. Acho que, assim que eu daí do Dream Theater, a coisa toda se tornou muito monitorada. Acho que a imprensa e a mídia inflou e distorceu a coisa toda sobre mim. Nunca deveria ter sido sobre mim e eu nunca tive a intenção de fazer ser sobre mim. Eu sempre estive lá para ajudá-los e para fazer um tributo ao Jimmy e depois seguir em frente. Em momento algum eu fiz parte da banda, essa nunca foi a intenção. Assim que toda a controvérsia e o drama envolvendo o Dream Theater estourou, ficou óbvio que todos nós precisávamos seguir em frente e voltar ao foco do que era a intenção inicial.

MI: Em uma entrevista recente, Russell disse que ele não se importava com o que os fãs do Dream Theater ou do Symphony X pensariam do Adrenaline Mob e que as críticas não o incomodavam nem um pouco. Você tem alguma ideia do que os fãs do Dream Theater têm pensado sobre o álbum até agora?

MP: Bem, acho que, de alguma forma, sou culpado por me importar demais. Eu realmente me importo com o que as pessoas pensam, e eu fiz isso durante toda minha carreira e todos os vinte e cinco anos com o Dream Theater. Eu gerenciei aquela banda e tomei decisões baseadas na importância que eu dava sobre o que os fãs pensavam e queriam. Eu adoraria sentar aqui e dizer que não me importo com o que eles digam, mas a verdade é que eu me importo. Aquilo pesa bastante para mim. Machuca quando as pessoas dizem coisas negativas porque eu estou numa posição em minha carreira onde estou tentando permanecer de forma positiva e otimista, e tudo está sendo muito bom no meu mundo agora. Quando vejo pessoas tentando derrubar e fazer toda aquela esculhambação na internet, machuca de verdade. Eu me vejo uma pessoa muito mais feliz quando desligo o computador e vivo minha vida. Então devo dizer que aquelas coisas são importantes para mim. Mas eu entendo que o Adrenaline Mob não vai cair no gosto de todos os fãs do Dream Theater. Entendo completamente, compreendo, é um mundo diferente. Sei que há muitos fãs do Dream Theater que curtem um lado mais pesado da música, mas há alguns que não curtem. Diferentes acessos para grupos diferentes. Eu entendo isso. Eu só não vejo a necessidade para respostas negativas, maldosas. Não há necessidade disso. Se você não curtiu, beleza. Se não é do seu gosto, apenas deixe de lado. Até onde eu sei, variedade é o tempero da vida e é o que estou curtindo agora. Quero fazer coisas diferente com bandas diferentes e músicos diferentes, e eu realmente quero mergulhar em estilos e gêneros diferentes. Sou fanático por música, antes de qualquer coisa. Posso achar beleza tanto em Jellyfish e U2 quanto em Opeth e Lamb of God, tanto quanto em Rush e Yes. Então eu quero fazer todas essas coisas em minha carreira. Eu não quero fazer uma coisa só.

MI: E você sempre foi bastante ligado ao que tange a se comunicar com os fãs, mesmo nos tempos pré-Facebook e Twitter. Isso foi importante para você desde o início?

MP: Sim. Sempre foi crucial para mim, mesmo nos primeiros dias, no meio dos anos 80, quando o Dream Theater ainda era Majesty. Eu era o membro da banda que ficava lá sentado, mandando demos para revistas diferentes e respondendo cartas de fãs, escrevendo para todo mundo que nos escrevia. Eu sempre fui aquele cara. E aí, durante todos os anos de Dream Theater, eu era aquele que mexia com todos os CDs de fã-clubes, bootlegs oficiais, websites e dava uma passada nos fóruns. Sempre fui muito ligado a isso. E agora, na era das redes sociais, com o Facebook e o Twitter, acho que são incríveis ferramentas, de valor, para se manter em contato com os fãs, ouvindo o que eles têm a dizer e os mantendo informados. Sempre fui assim e isso não vai mudar agora, apesar de não estar no Dream Theater. Ainda aplicarei essa mentalidade e personalidade a tudo que eu fizer.

Mas não é que não tenha me machucado. Tem sido ótimo porque tenho estado sempre em contato com os fãs e posso mantê-los envolvidos diariamente. Mas me machuca, de certa forma, porque muitas vezes, sou transparente demais com os fãs; coisas que digo são infladas e levadas a outros lugares, outros websites, que tentam sensionalizar tudo. E tudo que eu tenho feito é tentado me manter em contato com os fãs. Eu sei que os caras do Avenged Sevenfold não curtem redes sociais. Quando eu estava em turnê com eles, eu não iria abandonar meus fãs por estar tocando numa banda que não era muito aberta. Eu ainda precisava ter aquele relacionamento aberto com os fãs. Então, mesmo quando eu estava com o Avenged, eu precisava ter aquele canal e aquela relação com os fãs, eu não iria deixá-los. Eu sei que, quando as coisas desandaram com o DT e eu ainda estava tentando me abrir com os fãs, ainda tentando explicar as coisas, a mídia pegou a coisa toda e elevou a proporções ridículas. Ela foi a lugares onde realmente não precisava ir, mas eu continuei a fazer o que eu sempre fiz. Tentando ser bastante aberto e direto, sem enrolações, sem restrições aos fãs. Eu sempre dei valor à relação com os fãs e isso é algo que nunca irá mudar.

MI: Você acha que as redes sociais tornaram mais fácil a comunicação com os fãs?

MP: Sim, com certeza. Tenho 620 mil pessoas em meu Facebook e 140 mil no Twitter, e tudo que tenho feito é clicar no “Enviar” e as coisas vão para todas essas pessoas. E eu também leio o que eles escrevem de volta e levo tudo o que eles dizem em consideração, dou valor no que eles dizem.

MI: Você achava que chegaria a esse ponto nas redes sociais quando começou a trabalhar com elas?

MP: Bem, acho que era inevitável. Quer dizer, mesmo antes das redes sociais, no final da década de noventa/começos dos anos 2000, apenas com acesso à internet e fóruns de discussão. Isso que começou uma linha de comunicação e, de repente, você pode ver o que os fãs estão dizendo. Lá nos anos 80, quando eu ainda estava engatinhando nos negócios da música, você basicamente lançava seu álbum e o único feedback que recebia era de jornalistas de revistas, da TV ou do rádio, e só. Os fãs nunca tiveram algo a dizer, uma opinião. Assim que a internet apareceu, no final dos anos 90, de repente eu estava lendo mensagens em fóruns, websites e blogs, e de repente todo mundo tinha voz e vez.

E isso é maravilhoso, mas também é perigoso. Você vê todos esses trollers negativistas no Blabbermouth e eles usam o computador como uma arma. Metade deles, eu aposto, são garotos de treze anos, sentados no porão da casa dos pais, loucos para mexerem na merda. É frustrante ver pessoas usando a internet como arma, mas gostaria de pensar que, para cada otário que faz isso, há noventa e nove usando-na produtivamente e criativamente, de uma maneira mais positiva. Mas é sempre aquele único otário que me deixa maluco, ao invés dos noventa e nove que dizem coisas ótimas. Basta uma única maçã podre para estragar toda a festa.

MI: Você certamente não está numa banda estritamente Prog no momento, mas você grande parte da força de trabalho da Progressive Nation Tour. Você faria algo do tipo novamente?

MP: Bem, eu não diria “grande parte” da força de trabalho. Eu era a mente por trás disso tudo, e não estou me gabando disso. Eu era o cara que dava vida à coisa toda, selecionava as bandas e dirigia todo o show. Eu tinha muito orgulho da Progressive Nation Tour. Fizemos três, duas nos Estados Unidos e uma na Europa. Sim, com certeza eu adoraria dar continuidade a isso. Eu faço planos sobre isso, apenas não tenho tido uma chance. Após o Dream Theater e o Avenged Sevenfold, dezenas de coisas caíram em meu colo e tenho feito um malabarismo insano para dar conta de tudo. Mas dar vida a uma Progressive Nations no futuro é algo que planejo, para a hora certa.

MI: Você sempre foi um fã ávido de música. O que você está escutando no momento? Algo novo?

MP: Meu Deus... Toda as vezes que me perguntam isso, me dá um branco! Eu diria que meu álbum favorito no momento seja o do Van Halen. Amo o novo álbum do Van Halen (A Different Kind of Truth). É o que eu tenho esperado ouvir deles nos últimos vinte anos ou mais. Então eu estou realmente curtindo. Deus, o quê mais... O novo do Animal as Leaders é bem legal, aqueles caras são bem vanguardistas. Estou ansioso pelos novos álbuns do Meshuggah e do Mars Volta. Ambos serão lançados na semana que vem. Estou sempre me distraindo com esses materiais. Tenho estado tão ocupado com os álbuns do Adrenaline Mob e do Flying Colors e com a promoção de ambos que eles têm me consumido totalmente. Não tenho tido oportuinidade de ouvir música como normalmente faço.

MI: Como você faz para ouvir novas bandas, novas músicas? Você ainda compra CDs ou MP3 ou você usa o Spotify?

MP: Eu faço downloads. Legais, é claro. Mas eu baixo a maior parte das músicas que eu escuto atualmente, porque é mais conveniente. Adoro a conveniência de estar em um salão de hotel em Omaha, Nebraska, às três da manhã, lendo sobre uma banda e poder imediatamente ter acesso a ela ao invés de esperar o dia seguinte para poder ir comprar um CD na loja. Então, como um fã de música, adoro essa conveniência e esse imediatismo. Tenho que admitir, baixo tudo e mantenho tudo isso em meu iTunes e em meus iPods, iPads e iPhones e tenho fácil acesso às músicas. Ainda compro CDs para alimentar meu lado colecionador. Então, quando um álbum é lançado em edição de luxo ou um relançamento especial em vinil ou em box, eu sempre saio e compro o material, mesmo que eu já possua o original. Mesmo que seja um novo box set do Pink Floyd, eu vou e compro novamente, mesmo que eu já tenha em vinil ou em CD. Eu sou viciado em colecionar material.

MI: E qual será seu próximo passo? Adrenaline Mob e Flying Colors serão seu foco num futuro imediato, ou há mais projetos engatilhados?

MP: Adrenaline Mob é meu foco mais imediato, por termos uma agenda de turnê mais ocupada, com uma curta turnê nos Estados Unidos em maio, uma turnê completa na Europa em junho e julho e uma possível turnê maior pelos Estados Unidos no fim do verão (N. do T.: verão no hemisfério norte). No entanto, estamos encontrar uma janela para o Flying Colors também fazer algumas turnês no segundo semestre. E além disso tudo, também tenho meu evento Metal Masters em abril, em Los Angeles, uma apresentação única com o Fates Warning no Brasil, em Abril, alguns shows com Sheehan, MacAlpine & Sherinian no segundo semestre, um possível álbum com Billy Sheehan & Riche Kotzen e o novo álbum do Neal Morse. E mais algumas coisas sobre quais ainda não posso falar. Então... A vida do Mike Portnoy está uma correria!

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Sobre Kako Sales

Mineiro de Januária, baterista autodidata, cresceu em ambiente familiar ligado à música popular e erudita. Seu pai chegou a fazer pequenas turnês com bandas da Jovem Guarda como tecladista no fim da década de 70. Aos 10 anos, iniciou os estudos de teoria musical e piano clássico. Teve o primeiro contato com o mundo do metal ao escutar o CD Angels Cry do Angra, aos 15 anos. Desde então tem se dedicado a conhecer, colecionar e difundir o melhor do metal brasileiro e mundial. Graduado em Letras/Inglês, principalmente por influência da língua-mãe do rock, tem como principais ícones do metal as bandas Angra, Symphony X, Dream Theater e Opeth.

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