Oligarquia: lado B do Death Metal - entrevista com a banda

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Oligarquia: lado B do Death Metal - entrevista com a banda


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Desde 1992 na ativa a banda paulista Oligarquia nunca ousou mudar sua sonoridade e muito menos sua postura underground por qualquer motivo que seja. Investindo no Death Metal, o grupo formado por Max Hideo (vocal), Artour Queiroz (baixo), Panda Reis (bateria) Roque e Guilherme Lopes (guitarra), apenas lapidaram seu som de forma que nada o transforma-se em novas tendências, mas sim que soasse bem produzido, porém ‘old school’. Isso se comprova em “Distiling Hatred”, último trabalho, lançado em 2011 e que está sendo divulgado no momento. Sobre estes assuntos, falamos com um dos fundadores da banda, o baterista Panda Reis, juntamente com o baixista Artour, que, mesmo diante de tantas dificuldades, se mostraram ácidos, porém, muito bem humorados.

Em 2012 o Oligarquia completará 20 anos de carreira. Conte-nos como é lutar por duas décadas no underground e o que mudou de lá pra cá na cena para a banda?

Panda Reis: Cara, não é nada fácil, pra ser sincero eu acho que é loucura, pois depois de tantos anos se dedicando a uma banda, e olhar pra cena hoje e comparando com a do nosso começo, tem um vão enorme, porém as similaridades ainda são enormes também (risos). Acredito que os problemas são os mesmos, falta de grana, salas de ensaios, problemas pra agendar shows (algumas pessoas acham que nos tele transportamos e que não comemos), problemas com gravadoras de verdade, que lance e distribua nossos shows, falta de apoio da mídia especializada e falta de aparelhagem... Então , está tudo muito parecido lá com 1991/1992 (risos).

Artour Queiroz: Cara, podemos dizer que é muito difícil nadar contra a maré por tanto tempo. Ser músico ou praticar arte de qualquer tipo que não se enquadre nos padrões do politicamente correto, do alienante ou do mercado é muito difícil, em se tratando do Brasil onde investimento em cultura é uma piada de mau gosto e que músicos e artistas são tratados como mendigos pedindo esmola nas portas dos bares para tocar, o buraco fica ainda mais embaixo. No entanto, ver seu trabalho reconhecido seja pelo banger que comprou o CD ou pela galera bangueando no show e exprimindo satisfação diante de nosso som pra nós é espetacular e nos dá forças para superar os obstáculos. O que mudou muito hoje em dia é o acesso às pessoas e vice-versa. A internet socializou um pouco a cultura no geral. Outros meios de mídia alternativa como os Web Zines que proliferam na Internet ajudaram muito a se ter contato com muita coisa boa por aí e tirar bandas da garagem. Sem contar que hoje está muito mais fácil de lançar um CD de forma independente sem precisar das escassas gravadoras que restaram e apóiam o underground (ainda têm???).

Como foi o processo de composição e criação de “DistilingHatred”?

Panda Reis: O processo pra compor foi estranho, digo isso por que o começamos com o Alex, mas ele não estava tão envolvido como antes, já estava desinteressado desde o início, tanto é que me lembro que ele quase não tinha colocado as linhas vocais na estrutura de todas as musicas. Mas, no geral foi bom, porque percebemos que nós três (eu o Artour e o Guilherme) já tínhamos uma metodologia de composição enraizada. As composições propriamente ditas não demoraram, as gravações sim, mas compomos tudo no mesmo ritmo de sempre, e seguirá assim para o próximo.

Artour: Primeiro foram anos e anos (gargalhadas)! Parecia até disco do Michael Jackson! Pensamos no nome do disco primeiro e fomos escrevendo as letras sintonizadas com isso, embora não fosse a intenção de ser um disco temático ou conceitual e haja letras antigas do Panda no meio que adaptamos, como a Untillthenext Day e a Ownerofthe World. Nossa ideia era expressar nos sons o quanto as coisas que acontecem no mundo nos incomodam e incomodam a todos que ousam abrir os olhos pra realidade. Isso nos inspirava e o desafio de concluir o disco também. Alguns riffs e músicas saíam na hora que estávamos ensaiando, outros cada um criava e juntávamos e às vezes alguém criava uma música inteira e trabalhávamos sobre ela dando corpo, mudando uma coisa ou outra. Não teve um padrão, nesse sentido da composição pairava a liberdade de opinião e testar as idéias que surgem, como num laboratório.

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O álbum foi produzido por Ciero no Tribe Studio. Como vocês chegaram até ele e como foi trabalhar com ele?

Panda Reis: Ciero mixou e masterizou o trampo, costumo dizer que ele refinou o álbum, trouxe o CD para o mundo Metal, por que a capitação esta límpida, muito bem feita, tanto é que precisamos “estragar” um pouco as coisas (risos).
Artour: Primeiro que o Ciero é chegado de longa data! Esse é favela (risos)!

Nós gravamos e produzimos o “Nechropolis” (primeiro disco, lançado em 2000) no Da Tribo em 99 e seguimos acompanhando todo trabalho que o Ciero e o Tchelo vinham fazendo com outras grandes bandas da cena nacional. Quando percebemos que íamos precisar dar um grau na produção do disco, não tivemos dúvida. Mostramos o material, ele curtiu a gravação e, em nossa opinião, fez um trabalho espetacular. Não foi um lance pré-meditado, aliás, nada nesse disco foi assim e acho que ter gravado no Top Noise e produzido no Da Tribo foi um grande acerto.

Porque demoraram sete anos para concluir “DistilingHatred”?

Panda Reis: Eu gravei a bateria no final de 2008 e começo de 2009. Demoramos tanto tempo por que tínhamos mudado a formação, e precisamos de tempo pra ensaiar e colocar os novos caras no ritmo da banda. Então, paramos tudo que estávamos fazendo e caímos na estrada para lapidar a banda. Outro pondo que favoreceu a demora é que não tínhamos gravadora, então nós bancamos tudo, e isso custa bem caro, somos uma banda underground, mesmo, somos o lado B do underground . A gente é proletário mesmo, e não da pra tirar o leite da criança pra produzir um CD, sem gravadora que banque isso, tudo fica mais lento saca!?

Artour: O que foi mais difícil foram as mudanças de formação. Porém parece que isso ao invés de desmotivar, dava um gás a mais pra gente terminar e gravar. Depois veio o problema de achar onde gravar e de dinheiro pra pagar, que bando de miserável (gargalhadas). Por último foi a dificuldade de encontrar uma gravadora que fizesse uma proposta decente e não a velha fórmula: “toma uma esmolinha e me deixa com o lucro”. Como não achamos fomos à caça de patrocínio para lançar de forma independente. Isso tudo, mais um probleminha ou outro, igual há sete anos.

“DistilingHatred” é o primeiro disco gravado com a atual formação. Como foi trabalhar com essa formação?

Panda Reis: Foi mais fácil digamos assim, por que o Guilherme e o Max Hideo são mais técnicos e têm mais recursos em estúdio, então as coisas acabaram saindo mais ou menos do mesmo jeito. Eu novamente matei os sons praticamente no primeiro taik. Legal foi acompanhar o Guilherme fritando as guitarras e o Max soltando a garganta, por que até então não tínhamos gravado nada com eles, mas foi divertido.
Artour: É difícil responder, pois boa parte das músicas já estava praticamente pronta. O Max, por ser o vocalista, foi quem mais contribuiu destoando dos discos anteriores, mudou a adaptação das letras aos sons de forma a ficar mais agressivo. Gostamos do resultado.

Aliás, o álbum conta com a participação do ex-vocalista e guitarrista Alex Chiovitti. Ele contribuiu apenas com composições ou eram faixas já compostas?

Artour: Na verdade todas as faixas já estavam compostas quando o Alex saiu, logo, ele contribuiu com o disco todo, com destaque para três sons que embora tenham sido compostas em conjunto, boa parte da composição instrumental foi do Alex como a IgnorancePrevails, Untillthenext Day e Ownerofthe World.

Quais as principais diferenças de “DistilingHatred” para os álbuns anteriores?

Panda Reis: A formação e a produção. O que conta também é que usamos mais drogas dessa vez também (risos)! Sem falar que utilizamos dois estúdios distintos para conclusão do álbum.

Artour: Acho que ficou ainda mais cru e direto, mais oldschool e tão agressivo quanto os anteriores. As letras ficaram mais fortes, ácidas e bem indigestas, falando da realidade e botando o dedo na ferida, destilando ódio mesmo. Esses dias estavam pensando que se estivéssemos escrito a World In Convulsion após a morte de Gadafi (Muammar Abu Minyar al-Gaddafi, finado ditador da Líbia), seria possível dizer que estávamos falando disso. Na verdade estávamos, foi praticamente uma previsão (gargalhadas). Cansamos de nos calar.

Como tem sido a repercussão do álbum tanto por parte da crítica quanto por parte do público?

Panda Reis: Legal pra caralho, estamos recebendo críticas bem legais mesmo, mas nada muito diferente dos demais, provavelmente 80% das pessoas que tiveram contato com ele já conheciam a banda, estamos vendendo um pouco mais por causa do preço, mas no geral é a mesma merda de sempre! (risos)

Artour: Temos ficado surpresos positivamente pelas críticas e procura. Já estamos atrás de patrocínio para uma próxima prensagem, pois a primeira não deu pra nada. O formato ainda gera desconfiança a alguns nas lojas. É difícil entender alguns bangers de hoje, reclamam do preço dos CD’s, mas quando você faz um formato pra tornar mais acessível e em consonância com os novos tempos os caras se assustam (risos). Fico imaginando essa galera na época que as demos e vários álbuns eram em K7!

O Oligarquia é uma das principais bandas do cenário Death Metal de São Paulo e, por que não, do Brasil. Como vocês veem o atual momento do gênero no país?

Panda Reis: Definhando. Quem não toca algo técnico , com milhares de notas na mesma música ou não se encaixa no que o mercado pede , definha ou sub- existe (risos). Às vezes parece que não tem mais bandas de Death tradicional por aqui, e acho natural , pois não teve uma renovação, então as poucas que ficaram como a gente, o Executer, o Calvary Death, Corpse Grinder, que são remanescentes, não tem coisa novas nesse estilo, diferente do Thrash que teve uma nostalgia notável nos últimos anos, com moleques tocando som que eles nem tinha nascido quando foi inventado! Muito louco isso! Hoje quando converso com os caras no show e o cara me fala que nasceu em 1992, 1994 eu fico pensando ‘caralho’! Eu já estava tocando por aí, enchendo a cara de álcool e, droga, e esse mano tava nascendo. To velho pra porra mano (gargalhadas)!

Artour: Contraditório. Há bandas de altíssima qualidade na cena e um público fiel, porém cada vez mais restrito. Falta mais ousadia das bandas, principalmente da galera nova, mas não é só. Me lembro de quando tocávamos em calçada de boteco, quadra de escola de bairro e panfletávamos nossos flyers em shows de outras bandas. Isso atraía a molecada pra cena. Hoje em dia só se toca se for numa casa de renome, mesmo que não vá quase ninguém, onde se cobra entrada (e caro às vezes) e as bandas na maioria das vezes ficam a ver navios, sem qualquer ajuda de custo. Parece uma evolução, mas tenho minhas dúvidas se não é uma elitização da cena.

Como está a agenda de shows e como tem sido a recepção às novas músicas ao vivo?

Artour: Tocamos até setembro, depois demos uma pausa de licença paternidade, pois estava pra nascer o filho do Max. Nossa ideia é retomar a estrada a partir de fevereiro ou março. Ainda não temos nada definido. Mas estudamos algumas datas no sul, nordeste e América do Sul. A recepção está muito boa, quem acompanha a banda há mais tempo tem se surpreendido com o grau de agressividade das músicas novas e da formação atual.

Há planos de algo especial a ser lançado em comemoração aos 20 anos de banda?

Panda Reis: Por mim não faremos nada. Não acho que temos algo a comemorar.

Artour: Por causa disso não, mas estamos pensando em um split ou EP com vídeo e estamos trabalhando para que o próximo CD saia ao final de 2012. Já estamos com metade dele bem avançado. Isso seria uma quebra de tabu nesses 20 anos de banda, acho que a gente iria comemorar mais que quem curte a banda (risos).

Deixem uma mensagem aos fãs e leitores.

Panda Reis: Fãs??? A Oligarquia não tem fã cara, temos parceiros, amigos e cúmplice nessa história toda, quem tem fã são as bandas do mainstrean, nós somos chão (gargalhadas)! Valeu bangers por acreditar na gente e nos apoiar, podem apostar, a Oligarquia nunca vai trair o nosso som e nossa postura, estamos aqui pra fazer música honesta sincera e não para aparecer mais que ela. A gente se vê por ai no ano que vem!

Artour: HailBangers! Em breve estaremos de volta na estrada com vocês! Enquanto isso destilem sua fúria e não esmoreçam! A quem ainda não conhece a Oligarquia, visite nosso site, ouça os sons on-line e adquira nosso terceiro álbum se estiver preparado para momentos de tensão sonora! Agradecemos a entrevista.

http://www.oligarquiadeath.com.br/

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Sobre Vitor Franceschini

Jornalista graduado tem como principal base escrever sobre Rock e Metal, sua grande paixão. Ex-editor do finado Goredeath Zine, atual comandante do blog Arte Metal, além de colaborador de diversos veículos do underground.

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