Uma década e dois álbuns furiosos que mesclam o Thrash Metal e Hardcore possibilitou que o paulistano Forka montasse uma agenda de apresentações por muitos estados do Brasil. Considerando o peso esmagador de seu último álbum, “Enough”, o whiplash.net conversou com a banda, cujos integrantes se revelaram muito ‘gente boa’ e suas respostas conquistam pelo otimismo. Confiram aí!

Whiplash.Net: Olá pessoal. O Forka está completando sua primeira década. Que tal começarmos com um balanço deste período?
Samuel: Olá Ben e Whiplash.Net. Começamos como qualquer moleque começa, e hoje continuamos como qualquer moleque, mas com um pouco mais de juízo. A gente já brigou muito, mas teve mais risadas do que brigas, acabamos conhecendo muitos picaretas, mas o número de gente do bem que está do nosso lado é maior.Levamos nosso som para diversos lugares porque alguém quis o Forka lá. Então acreditamos que o saldo foi positivo. Pra gente, esses 10 anos passaram voando.
Whiplash.Net: Sua proposta é um amálgama sem concessões e totalmente extremo. Como funciona seu processo de composição para equilibrar o Hardcore, Death e Thrash Metal identificável em “Enough”?
Ronaldo: Geralmente o Samuel e Alan já chegam com algumas idéias e depois disso, vamos trabalhando bateria, baixo, voz e cada um dá sua opinião sobre o que o outro está tocando. Chega ser estranho e demora um pouco até a gente conseguir tocar nossas próprias músicas. Só vendo para tentar entender... (risos)





Ricardo: Encontramos uma fábrica abandonada em Santo André, estava tudo arrebentado e achamos que ali seria um cenário legal para fazer umas fotos e o vídeo. Até então, a gente não sabia qual som seria, mas de última hora escolhemos “Knowing Your Suffering”. A experiência da produtora teve uma participação importante nisso, porque não tinha nem energia próximo do local, muito menos um roteiro.
Whiplash.Net: Em termos de público, a década de 1980 é citada como a que mais valorizou o Heavy Metal – inclusive no Brasil. Como vocês analisam essa cena de uma forma geral, qual foi o erro ou em o momento em que tal força se desgastou?
Rodolfo: Eu nasci em 83, então perdi boa parte dessa época. Mas eu acho que era mais valorizado pela dificuldade de acesso a algo novo, ou a algo que você gostasse. Antes, se você quisesse curtir uma banda, você precisava ir com seus amigos para o show e comprar um disco ou k7 para ouvir depois. Hoje em dia tem o Youtube e mp3 por toda parte. Acho que isso faz com que a galera fique um pouco mais acomodada.
Whiplash.Net: De qualquer forma, o Forka vem conseguindo tocar em vários estados do Brasil. Isso é ótimo! Como superaram as dificuldades de acesso e como funciona sua rede de contatos?
Samuel: A dificuldade é para todos, ela está todos os dias na sua frente. Você precisa acreditar no que faz e fazer com qualidade, responsabilidade e os contatos bons surgem naturalmente, muitos viram seus amigos.
Ricardo: Uma coisa é certa, ninguém vai querer uma banda se a música é ruim, ou se no CD é perfeito e ao vivo é uma bosta. Você só é convidado para tocar se alguém quer te ver por lá.
Whiplash.Net: O ‘Pay To Play’ não é ilegal e amplamente utilizado para nossas bandas conseguirem abrir shows gringos. Analisando friamente, em médio prazo, até onde isso é viável para quem se submete a isso? Parece-me que os únicos que lucram são os promotores...
Rodolfo: É um assunto complicado. Nós nunca pagamos para abrir um show, mas não sou contra. É uma forma de divulgação e lógico que tem gente ganhando com isso. Pra mim, se for uma banda de qualidade que tenha condições para pagar e abrir um show grande, acho que é positivo, está levando seu trabalho para um público que talvez nunca fosse ouvir sua banda. Correndo grandes chances de conquistar novos fãs! Tem que pensar nisso como um investimento... Mas se a banda for ruim ou o estilo não esteja bem alinhado com o público da banda principal, talvez seu fim esteja mais próximo do que parece. Vai dar merda...
Ronaldo: Vacilou, nego vai descer a boca sem dó.
Whiplash.Net: É fato que a internet possibilite que sua música chegue facilmente às mais longínquas nações, e o Forka até facilitou ao liberar para download os álbuns “Fell Your Suicide” e “Enough”. Mas que benefícios concretos isso pode trazer para uma banda continuar na ativa atualmente?
Alan: Como disse Duff McKagan numa entrevista que eu li, antes se ganhava mais com venda de álbuns e hoje se ganha mais com shows e camisetas. O pessoal tem que se adaptar ao novo cenário. Nós não pegamos a fase de ganhar mais com a venda de álbuns, então pra gente não mudou nada. Só queremos que todo mundo conheça o Forka, mas se um dia ninguém quiser o Forka nas casas de shows, vamos continuar tocando em ensaios, nas nossas casas, para amigos e etc. O que mantém o Forka na ativa é a gente mesmo, um querendo tocar com o outro.

Ronaldo: Sem dúvida, pra gente a música é algo que a gente faz por prazer, o resto a gente vê depois. É igual jogar futebol, você joga porque gosta daquilo, se você vai ganhar dinheiro ou não com isso, aí já não sei... Mas como você falou sobre o que poderia reverter o quadro no Brasil... Só o público pode reverter. Se o artista não tem público que compre sua música, sua camiseta, seu boné, que vá curtir no show, que divulgue na internet, que apoie de alguma forma, não tem casa ou produtor que se interesse pelo artista. Nenhum produtor vai se importar em pagar R$ 20 mil ou o valor que você quiser ganhar por um show se sua banda garantir lucro para ele. Quem consegue atrair o público está com o rabo cheio de grana.
Whiplash.Net: E os planos para 2012? Foi divulgado que o Forka está preparando o sucessor de “Enough”, e nesse período entre um disco e outro, vocês sentiram alguma diferença na realização dos trabalhos?
Ricardo: Verdade, estamos trabalhando na pré produção do novo álbum, correndo para lançar ainda esse ano.
Samuel: A diferença é que vamos ficando mais velhos e entrosados, sabemos o que é possível fazer e queremos o melhor.
Whiplash.Net: Ok, pessoal, o whiplash.net agradece pela entrevista e deseja boa sorte a todos. Se o Forka quiser acrescentar algo, a hora é agora...
Samuel: Ben e galera do Whiplash.net, obrigado mais uma vez por abrir esse espaço para nós. Somos fãs de carteirinha do trabalho de vocês. Todas as empresas e pessoas que acreditam no que fazemos, muito obrigado de coração, estamos na luta juntos. E pra quem ainda não está lá, chega junto, é só visitar e clicar em curtir.
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Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".
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