David Coverdale: Deep Purple, Whitesnake e Doug Aldrich

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David Coverdale: Deep Purple, Whitesnake e Doug Aldrich

Traduzido por Nathália Plá | Fonte: Blabbermouth.net

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Steven Rosen do Ultimate-Guitar.com entrevistou recentemente o frontman do WHITESNAKE/ex-DEEP PURPLE David Coverdale. Seguem alguns trechos da conversa.

Ultimate-Guitar.com: Vamos ligar alguns pontos do seu passado antes de chegarmos ao novo álbum. Se o DEEP PURPLE tivesse conseguido se manter, você continuaria com eles? Você consegue se ver no PURPLE após todos esses anos, se fosse assim que tivesse acontecido?

David Coverdale: Ai, Deus, eu não sei; eu não jogo esse jogo hipotético. Eu não faço comparações. Isso está aí pela graça de Deus. Graças a Deus eu segui minha própria jornada. Mas eu sou extremamente grato, sem ter palavras para expressar isso, pela coragem que aqueles caras tiveram ao me dar uma oportunidade, porque a aventura continua. Eu quis sair rapidamente; eu sai assim que as coisas começaram a desandar e parte de mim se sentiu responsável porque eu fui um catalisador daquilo.

Ultimate-Guitar.com: Então você no fim das contas você quis sair do DEEP PURPLE?

David Coverdale: Eu quis acabar depois que o que senti foi uma turnê na América muito difícil. Eu senti que se você pegasse o PURPLE no estado em que se encontrava no Reino Unido, seria de partir muitos corações. E eu fui convencido pelo meu amigo, Rob Cooksey, que estava na época gerenciando o PURPLE. Aquela foi uma imensa lição para mim que você nos grandes negócios não faz favor a amigos daquela magnitude. Mas eu estava absolutamente desgastado emocional e fisicamente por toda experiência. Então, para eu virar e ver o Jon Lord e o Ian Paice, dois membros fundadores, tocando com as cabeças baixas ao invés do costumeiro orgulho e arrogância, a linguagem corporal, foi demais para mim. Eu não queria fazer parte da total ruptura do Purple.

Ultimate-Guitar.com: O WHITESNAKE se retirou por um tempo e então você o trouxe de volta em 2003. O que aconteceu?

David Coverdale: Uma das razões que eu parei foi porque eu não reconhecia a indústria da música mais; tinha mudado completamente. Eu não tinha diálogo há muitos anos com a Universal/Geffen e só reativei uma relação com eles quando eu renovei o WHITESNAKE em 2003. Eu agora me lido muito bem com os executivos lá mas ainda é relativamente uma entidade corporativa sem uma face. Quando eu voltei com o WHITESNAKE em 2003 eu disse a todos músicos, "Vamos trabalhar juntos e fazer turnê por quatro meses durante o ano", de uma forma bem ingênua, é lógico. "Vamos ir e fazer turnê", e todos estavam nessa e eu não tinha intenção de fazer um novo disco. Eu achei que conseguiria explorar e realmente ir fundo no meu catálogo com músicas que eu nunca tive oportunidade de tocar antes. Mas é interessante porque eu só faria turnê a cada três anos para que minhas músicas antigas se mantivessem estimulantes para mim. Mas fazer turnê anualmente? Elas ficam velhas rápido demais. E eu pensei, "Bem, se eles se sentem assim a meu ver, eles tem de estar se sentindo assim para minha platéia hardcore". Então, de repente todos esses elementos de sincronia vieram a tona e eu fui abordado por uma empresa independente da Alemanha chamada SPV. Esses caras era fãs de música, o que eu não via por muito tempo no ramo da música. Todos esses elementos se juntaram para mudar tudo e "Ok, vamos tentar" e acabou culminando com o "Good To Be Bad", que na época eu fui citado afirmando "Se esse é meu último disco de estúdio então eu estou muito satisfeito com ele". E é claro que eu posso dizer exatamente o mesmo desse outro de agora ("Forevermore").

Ultimate-Guitar.com: Você co-produziu o "Forevermore" com o Doug Aldrich e Michael McIntyre.

David Coverdale: Eu trabalhei com o Michael McIntyre, meu co-produtor, por muitos anos – acho que 25 – mas eu assentei com o Doug e disse, "Esses são os elementos que eu quero trabalhar com eles". E eu nunca tive problemas. O Doug, durante seu trabalho com um cantor britânico «Kal Swan» há alguns anos em uma banda que se chamava LION, foi apresentado ao antigo WHITESNAKE. Ele é o primeiro músico americano com quem trabalhei que conhecia o background do WHITESNAKE antes do "Slide It In".

Ultimate-Guitar.com: Você trabalhou com o Doug Aldrich pela primeira vez no álbum anterior, "Good To Be Bad". Como foi trabalhar com o Doug a princípio?

David Coverdale: O Doug e eu praticamente fizemos o álbum "Good To Be Bad". Ele é um engenheiro que tem muito conhecimento em Pro Tools assim como o Michael e nós conseguíamos compartimentar as músicas e basicamente apenas mandávamos essas músicas para os caras aprenderem e colocarem as partes deles. Enquanto o novo álbum foi mais como um processo de uma banda, o que acho que dá pra se ouvir. Mas nenhum deles foi feito no senso comum de todos músicos; eu não fiz um álbum como esse desde o início do WHITESNAKE. Onde todos estão no estúdio gravando ao mesmo tempo. Todos estão fazendo overdub, sabe? E é assim que foi. Dessa vez nós tivemos o prazer de ter uma bela nova voz com o Michael Devin (baixista) e o Reb (Beach) que eu pus pra cantar porque ao vivo eu ficava tipo, "Porra, ele tem uma voz ótima". Ele é um cara muito, muito modesto e eu o trouxe e a mistura dele com o Devin nos deu a melhor sonoridade vocal que o WHITESNAKE já teve.

Ultimate-Guitar.com: Você obviamente tem uma grande química com o Doug Aldrich.

David Coverdale: Muitas de nossas músicas são casamentos; ele vem com meia idéia e eu sigo, "Sabe, o que você acha disso?" Meu extraordinário parceiro, Doug Aldrich, temos agora quase quem um senso telepático musicalmente. Somos muito bons amigos em nível social; nossas esposas se dão muito bem. Nós as vezes compúnhamos por iChatting no telefone – imagina só. E fazia sentido. E um passava demos de volta para o outro pela internet quando não tínhamos a possibilidade de estarmos no mesmo lugar. Mas nós ficávamos conversando ou vendo um western e então pegávamos as guitarras. Nossa conversa se tornava um intercâmbio musical e então acabávamos numa conversa musical. "Aqui, e isso aqui?" É tão sem esforço com o Doug e eu e diferente de muitas outras experiências que eu tive que foram como ir ao dentista pra fazer um canal ou vários. Isso não é assim; é um enorme prazer, um prazer imensurável sentar com o Doug e criar música.

Ultimate-Guitar.com: E terminamos o álbum com a "Forevermore", épica faixa de 7:26 com guitarras acústicas e tudo mais. Como foi a evolução dessa faixa.

David Coverdale: O Doug tirou da cartola. Nós conseguimos todas músicas que eu queria fazer e então dependia de mim refiná-las como sendo o cara da melodia, o letrista etc. Eu estive antes numa situação onde os sumos criativos fluíam tão significantemente que eu acabei com umas 20 músicas ou mais para compor. Então, dessa experiência, que foi muito, muito impressionante, eu fiquei, "Foda-se, eu preciso de um arremate". E eu consegui isso com as músicas do "Forevermore" e o Doug disse, "Ah, eu tenho mais uma música" e eu disse, "Não seja ganancioso, Doug. Olha o que temos". Nós estávamos fazendo uns demos no estúdio da minha casa e eu subi e estava pegando uma xícara de chá e pensei, "Isso não é justo". E eu disse, "Tá bom, vamos fazer". Ele começou a tocar aqueles acordes da introdução e acho que originalmente era num tom menor e eu disse, "Foda-se, tenta isso num tom maior" porque ela grita em menor mas é em maior.

Ultimate-Guitar.com: Exato.

David Coverdale: E ela se desdobrou imediatamente e eu me curvo a meu irmão, Douglas. Ele veio com uma idéia e então eu peguei e corri com isso porque é uma beleza. Antes disso, o álbum ia se chamar "Guilty Pleasures", de uma parte da letra da "Love Will Set You Free" e então eu pensei, "Ah, vou deixar isso para uma coletânea de melhores músicas". Quem diabos vai virar e dizer, "O WHITESNAKE é minha banda favorita”? Isso não é legal!

Leia a entrevista na íntegra (em inglês) no Ultimate-Guitar.com.

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Sobre Nathália Plá

Mineira de Belo Horizonte, nasceu e cresceu ouvindo Rock por causa de seu pai. O som de Pink Floyd e Yes marcou sua infância tanto quanto a boneca Barbie, mas de uma forma tão intensa que hoje escutar essas bandas lhe causa arrepios. Ao longo dos anos foi se adaptando às incisivas influências e acabou adquirindo gosto próprio, criando afinidade pelo Hard Rock e Heavy Metal. Louca e incondicionalmente apaixonada por Bon Jovi, não está nem aí pras críticas insistentes dirigidas à banda. Deixando a emoção de lado e dando ouvidos à técnica e qualidade musical, tem por melhores bandas, nessa ordem, BlackSabbath, Led Zeppelin, Deep Purple, Metallica e Dream Theater. De resto, é apenas mais uma apreciadora do bom e velho Rock'n'roll.

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