Angra: Edu, Rafael e Kiko comentam momento atual da banda

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Angra: Edu, Rafael e Kiko comentam momento atual da banda

Press-Release postado por Eduardo Macedo | Fonte: MS Metal Press

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É chover no molhado apontar o Angra e toda sua história como fundamentais para o crescimento e valorização do Metal brasileiro em todo mundo. Ainda mais agora que o quinteto formado hoje por Edu Falaschi (vocais), Rafael Bittencourt e Kiko Loureiro (guitarras), Felipe Andreoli (baixo), além do retorno do baterista Ricardo Confessori, que além de realizar a tour do Angels Cry, registrou os álbuns Holy Land e Fireworks, estão em plena turnê ao lado de outro grande dinossauro de nossa música pesada, o Sepultura. Em entrevista, Edu, Kiko e Rafael responderam sobre os mais diversos temas relacionados à carreira do grupo. O papo foi tão extenso e prolífico que dividimos em duas partes, sendo que a primeira delas pode ser conferida logo abaixo.

Leia no link abaixo a primeira parte da entrevista.

Angra: "Tomo decisões pensando no sucesso e não fracasso!"

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Tendo em vista que já estamos na segunda parte da atual turnê do grupo com o Sepultura, qual é o saldo dela até o presente momento?

Kiko Loureiro: O saldo? O saldo está sendo muito bom até o presente momento. Sempre acompanhamos a trajetória do Sepultura ao longo de todos esses anos, e a história deles sempre foi referência não só pro Angra, mas para todas as bandas de Heavy Metal e Rock do Brasil. Então, é muito legal estar com eles, dividir a experiência que eles têm na estrada e conhecer melhor as músicas deles, e claro, sempre tem o aprendizado para as duas bandas. São dois grupos que possuem muitos anos de carreira e nisso a gente acaba aprendendo um com o outro.

Edu Falaschi: Tudo está sendo muito bacana. O entrosamento das duas bandas está sendo ótimo. Aliás, amizade e parceria eram elementos cruciais nessa turnê e tivemos tudo rolando perfeitamente todo o tempo! Acredito que como marketing, esse giro está sendo muito bom pra cena Heavy brazuca.

Rafael Bittencourt: Completando o que o Kiko e o Edu mencionaram, acredito que as duas bandas chegam neste ponto da turnê super entrosadas e com laços de amizade que levaremos para sempre. E, acho que estamos fazendo algo que ficará para a história do Heavy Metal no Brasil. Não apenas pelo encontro inusitado destas duas bandas gigantes do Metal na “gringa”, mas por fortalecer a cena aqui no Brasil, rompendo com os preconceitos de estilo. Tivemos conosco em vários shows o Mindflow, Matanza, Krisiun, dentre outros. Mostrando que a união faz a força, e toda a diferença para o Metal continuar a evoluir em profissionalismo e qualidade por aqui.

Kiko Loureiro: E essa vontade é de muitos anos que a gente tinha de tocar ou fazer algo com o Sepultura, agregando também outros grupos de destaque na cena brasileira, até porque a gente sempre respeitou muito o nosso cenário. E outro ponto positivo que merece ser mencionado, foi que toda a mídia foi bastante legal com esse projeto, porque no começo surgiram muitos comentários, muitos falaram dessa união, principalmente por serem duas bandas que sempre tiveram uma carreira forte fora do país, que foram e são referências, mesmo que em estilos diferentes, para muitas bandas. Eu acho que essa união só tem o lado positivo.

Concordo. Essa união do Angra com o Sepultura tem sido benéfico pra toda nossa cena, e o mais interessante é que de show pra show vocês tem variado bastante o set list. Pessoalmente gosto muito das interpretações do Edu Falaschi para as músicas da fase do André Matos, sendo assim, ver “Lisbon” e “Silence And Distance” em algumas ocasiões foi bastante animador...

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Edu Falaschi: É bem mais bacana quando variamos e podemos ver as diferentes reações a cada apresentação, além, é claro, de ter sempre algo novo pra cantar. Músicas como essas que você citou caem bem na minha interpretação, não são tão agudas e tem uma harmonia bastante favorável. Obviamente, mesmo músicas que eu escrevi como “Nova Era” e “Spread Your Fire” são em tons altos, mas dentro da normalidade. Existem músicas mais antigas que estrapolam a tessitura de uma voz masculina, aí realmente não gosto de fazê-las, pois não são mesmo minha praia.

Kiko Loureiro: Então, já que não estamos com um disco novo, ficamos parados por um tempo e queríamos voltar aos palcos, tínhamos que variar bastante o nosso set list da turnê. Se nós resolvêssemos gravar um novo disco seria mais demorado nosso reencontro com os fãs, e definitivamente queríamos voltar a tocar para eles, que sempre nos deram total apoio! Até compor, pré-produção, gravar, lançar, fazer capa e etc., seria tudo muito demorado, sendo assim, a melhor idéia era voltar direto aos palcos mesmo. Bom, nós não quisemos voltar ao ritmo de shows tocando as músicas do Aurora Consurgens, que é o nosso material mais recente. O ideal era tocar as músicas da carreira num todo e buscar algumas que não tocávamos há algum tempo. No caso do último show, por exemplo, nós tocamos “Evil Warning”, as últimas vezes que a executamos foram lá no começo da turnê do Rebirth. “Make Believe”, que foi tocada também, não executávamos mais, assim como, “Silence And Distance” e “Lisbon” que nunca haviam versões na voz do Edu. Estamos resgatando músicas que nem chegamos a tocar com a nova formação, então acaba sendo divertido pra todo mundo.

E tenham certeza que os fãs adoram essas surpresas...

Kiko Loureiro: Todo mundo gosta! Mas é claro que tem algumas músicas que a gente tem que estar sempre tocando porque a galera quer ouvir e sabe que faz parte do repertório principal, e aí outras a gente vai variando. Até porque pra gente é divertido, também, variar as músicas, pois fica cansativo fazer sempre o mesmo show. Pro público vira uma surpresa e, no caso, pra gente também tem o lance do saudosismo. De repente tocar uma “Silence And Distance”, que não tocávamos há muito tempo, pois quando você toca a música, vem toda a memória da época que gravou, a época que você vivia aquela composição. Então, isso é legal porque o estilo de compor no Holy Land era um, no Angels Cry era um pouco diferente, foi mudando, foi crescendo, ficando mais adulto, se transformando... Então é legal tocar a música e reparar como era o jeito que você compunha há muito tempo atrás. Isso tem vários lados positivos, não só o do fã, que de repente ouviu uma música que ele nunca viu nos shows.

Rafael Bittencourt: O grande diferencial desta turnê é algo que nunca havíamos feito antes: variar o set list a cada show. E está funcionando. Cada cidade é premiada com um set totalmente exclusivo, e cada show é uma história diferente. Eu também, particularmente, gosto muito do Edu cantando estas músicas também, e acho que o público também aprovou, porque os shows estão sempre cheios, meninas chorando na frente, etc.

Apesar de já ter feito parte da banda numa formação anterior, boa parcela dos fãs via a volta de Ricardo Confessori com certo receio, devido principalmente à grande diferença de estilos entre ele e o Aquiles Priester. Passados vários shows, como tem sido a receptividade com relação a ele?

Rafael Bittencourt: Excepcional! Gosto muito da maneira que ele toca as músicas mais recentes e a dedicação que está colocando para melhorar a cada show. Estamos fazendo uma homenagem a toda trajetória da banda e incluímos um monte de sucessos antigos que não tocávamos há tempos. A maioria destas músicas antigas foram gravadas e eternizadas pelas baquetas do Ricardo. E isto é algo que os fãs também recordam e se emocionam quando as ouvem ao vivo. Nunca elas haviam sido tocadas com a mesma emoção e pegada.

Kiko Loureiro: Bom, pelo que a gente viu foi tudo 100%. O pessoal grita o nome dele, muita gente elogia e muita gente ainda diz "Pô, prefiro o Ricardo". Ou seja, vários comentários desse tipo. Até porque o Ricardo participou de uma fase da banda. Ele não gravou o Angels Cry, mas ele já fez toda a turnê do álbum. Ele entrou na banda logo quando a gente terminou de gravar o debut, ele que criou as bateras, participou das composições do Holy Land, que foi um disco muito importante pra banda, depois registrou o Fireworks. Ele participou de uma história muito importante da banda, então os fãs sabem disso e respeitam.

Edu Falaschi: A galera tem aceitado bem, como o Kiko mesmo mencionou. Ele ainda está numa fase de adaptação. Nas músicas mais antigas ele tira de letra e nas do Aquiles ele está criando novas maneiras de tocar. Muitas vezes mantém o arranjo original, noutras improvisa em cima do que já existe e isso é muito bacana.

Kiko Loureiro: A dúvida que eu acho que todos tinham era se o Ricardo manteria o nível de execução das músicas da fase do Aquiles. Quando o Ricardo entrou no Angra ele era o melhor batera disparado que tinha na época, possuindo técnica de dois bumbos e tudo mais. E ele tem um lado musical também! O cara toca piano, compõe,demonstrando esse lado dele que é muito forte, e que nem todos os bateras geralmente têm. Então, na hora de tocar, a música flui mais, e a gente sabia dessas qualidades dele. O fã às vezes não percebe muito isso, mas bastou ver o Ricardo nos shows e já aceitaram de cara. O receio da galera é mais isso, porque lógico, tem umas partes do Aquiles super técnicas, que eram bem do estilo dele. O Aquiles tinha uma bateria com outro estilo de peça, que facilitava algumas coisas mais complicadas, que o Ricardo não usa e que a gente nem acha tão necessário pra algumas músicas que tenham toda aquela parafernália. E a gente, claro, nem fez muitos shows na realidade. Fizemos uns 12 shows, quer dizer, isso tende a melhorar, entrosar mais, tem que imaginar como se fosse um time de futebol. Tem o lance de entrosamento, entendeu? Ele tem um jeito de tocar que o Felipe e o Edu estão se adaptando, pois estão tocando com o cara há poucos meses. E só nos shows, tocando as músicas, a coisa toda vai melhorando cada vez mais.

Alguns grupos de fãs têm reclamado bastante em fóruns pela internet quanto a falta de shows em algumas cidades importantes do Brasil, vide Salvador, Teresina, dentre outras. O que está sendo feito para suprir essas e outras carências na agenda do grupo?

Rafael Bittencourt: Estamos organizando shows nestas duas cidades. Em breve confirmamos as datas.

Edu Falaschi: Completando o que o Rafa falou, esse problema não depende da banda em si, pois existe um trabalho de uma equipe para que os shows aconteçam. Mas também tem outras variáveis, como o produtor local, casas de shows adequadas, datas disponíveis na nossa agenda, etc. Por nós tocaríamos em todo o Brasil.

Kiko Loureiro: Teresina e Salvador uma hora ou outra vai acontecer. É que de repente os promotores estão fazendo outros shows, com outras bandas e o orçamento aperta. Geralmente esses produtores não fazem somente eventos de Heavy Metal, talvez eles estejam fazendo shows de outros estilos e não estão num bom momento pra fazer, tem também o fator da crise econômica, além de uma série de outros fatores.

Hoje o Angra trabalha com uma nova equipe, que conta com a Base2 Produções e a MS Metal Press. Como vocês avaliam o trabalho desse novo time ao lado de vocês músicos?

Edu Falaschi: Eu sempre digo que a união faz a força! E junto com esses parceiros podemos concretizar muitas coisas. Todas as pessoas envolvidas no trabalho de uma banda são altamente importantes. O roadie, técnico de som, de luz, camareira, empresário, booking, tour manager, motorista, assessoria de imprensa, etc. Sem essas pessoas certamente as coisas não funcionariam. Não adianta gravarmos um disco como Temple Of Shadows e não ter esses anjos ao nosso lado pra fazer a coisa toda andar.

Rafael Bittencourt: Estamos muito contentes. É um pessoal com vontade de mostrar seus talentos e visão e isto tem acrescentado muito para o grupo. A prova desta eficiência é que mais uma vez, a banda está voltando à cena, por cima, com shows cheios numa época em que todos os outros eventos andam vazios. Estamos ainda trabalhando para melhorar nossa rede de media social (twitter, facebook, etc.), que é o grande canal de divulgação hoje em dia. Começaremos a trabalhar em um novo CD ainda este ano e aos poucos estamos nos recolocando no cenário depois de dois anos forçados a parar as atividades.

Kiko Loureiro: Está sendo muito bom! A Base2 é a que está marcando os nossos shows, então estamos na ativa, apesar de não termos tocado em algumas cidades, uma hora ou outra vai acontecer, a gente tem feito shows direto e isso é muito gratificante. A gente voltou no último mês de agosto fazendo shows todo final de semana. Recentemente tocamos em Maceió, Recife e Fortaleza, várias cidades no interior de São Paulo e depois Portugal. Estamos bem felizes com a parceria. E com a MS Metal Press também, o MySpace ficou super bom, estão a todo momento divulgando nossas notícias.

Inclusive a expectativa pro MySpace foi muito grande, na verdade. Aquele back ground aguardando o amanhecer juntamente com um contador, com base no tema da atual turnê (Bring The Sunrise Again)...

Kiko Loureiro: Exatamente! O trabalho está super legal. Estamos aí. Estamos concentrados nos shows. E temos um monte de coisas pra pensar, além dos ensaios e dos próprios shows, daqui a pouco tem que pensar em disco novo, e aí é legal ter uma assessoria mais próxima, como a MS Metal Press, que fica divulgando as notas, criando, contando o que está rolando, porque se não a gente não consegue dar conta de tudo.

Edu Falaschi: Inclusive, o conceito do MySpace foi todo desenvolvido pelo webdesigner Antonio Cesar, outro grande parceiro que temos nessa nova etapa na carreira do Angra.

Mesmo que a banda tenha variado bastante o set list em suas apresentações, sinto que faltou algo inédito para ser promovido. Todavia, acredito mesmo que a banda precisava voltar logo aos palcos, e não ficar presa por meses num estúdio compondo e registrando um novo álbum. Ainda assim, vocês em algum momento pensaram em registrar um single nos moldes de “Lisbon” ou “Acid Rain” para promover esse retorno?

Rafael Bittencourt: Não pensamos. A gente queria voltar logo aos palcos e entrosar antes. A banda passou um tempo enferrujando e ainda tínhamos que recuperar a sintonia com o Ricardo. Então, sair fazendo uma música nestas condições não era boa idéia. Agora, será legal, soltar uma música para a galera assim que tiver pronta. Acho que todos estão curiosos.

Kiko Loureiro: É como o Rafael falou, a gente tava só concentrado mesmo em ensaiar, porque além da banda ter ficado parada e a gente querer tocar músicas que não tocava há muitos anos, tava voltando o Ricardo aprendendo uma série de músicas novas e complicadas. Então seria mais complicado ainda inventar uma música do nada... então não, a gente não pensou. E aí quando a gente parar pra compor deve ser pra lançar um disco mesmo.

Por falar em single, o Angra sempre se valeu de EPs e Singles para promover as suas músicas. Recordo-me que algo foi mencionado sobre o lançamento de um novo EP da fase Aurora Consurgens, mas esse material nunca foi lançado, até porque vocês interromperam as atividades em meio à turnê do álbum supracitado. Vocês tem material dessa época guardado para um futuro lançamento?

Rafael Bittencourt: Não temos material gravado desta época. O Aurora Consurgens foi feito com certa pressa. Pressa esta que é muito danosa para o processo de composição e produção. Não sobrou nada de excedente a não ser a música “Out Of This World” que eu fiz em homenagem ao primeiro astronauta brasileiro, Marcos Pontes e que entrou como um bonus track no Japão.

Edu Falaschi: Aquela época foi bem complicada! Tivemos diversas idéias bacanas durante a carreira da banda, algumas delas foram trabalhadas e outras ficaram só no papel. Não por vontade nossa, mais por questões burocráticas do que qualquer outra coisa.

Voltando a falar dos fãs, muitos deles acham que vocês deveriam ter lançado um DVD na tour do “Temple Of Shadows”, que por sinal chegou a ser registrado num grande show em São Paulo. Por qual razão esse material nunca foi lançado? Para finalizarmos de vez esse assunto, quando vocês pretendem lançar um material nesse formato?

Rafael Bittencourt: Acho que perdemos o timing. A turnê do Temple Of Shadows durou quase dois anos e, ao seu final, ninguém mais agüentava as músicas, acho que nem o público. E o material filmado não ficou como esperávamos. Hoje, reavaliando a situação, talvez tivesse sido legal regravar o show ou algo parecido. Mas sempre há tempo para refazer. É possível que a gente reative esta idéia e regrave o show do Temple Of Shadows para um DVD. Ou dê uma melhorada nas imagens que temos.

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Kiko Loureiro: Ah, esse show realmente a gente filmou, mas resolvemos não lançar. Tem uma série de motivos, a gente já estava com problemas com o empresário, a gravadora, a mesma que lançou o Temple Of Shadows já não estava indo bem, aí na época era melhor não viabilizar o projeto. O dono da gravadora fugiu e ninguém sabe onde ele está. Aí nessas horas é melhor não fazer nada, porque senão o cara te rouba um DVD inteiro, que foi feito apenas para os fãs! Os fãs não têm nada a ver com isso, com esse problema, mas...

Edu, Rafael e Kiko, na opinião desse redator e acredito que na de muitos fãs, são três dos melhores e mais prolíficos compositores da cena brasileira de todos os tempos. Tomando como base tal afirmativa, acredito que vocês tem muito material composto para um novo álbum do Angra. Como esse material está soando? Algum direcionamento pré-estabelecido?

Edu Falaschi: Acredito que todos tenham várias músicas na manga. Vou falar por mim, tenho algum material composto destinado ao estilo do Angra, entre baladas, músicas rápidas, etc. Mas ainda não conversamos sobre como seria um próximo disco, só sei que tem que ser no mínimo fantástico!

Rafael Bittencourt: Obrigado pelo elogio, mas sinceramente o que tenho aqui, por enquanto, são fragmentos de idéias com potencial de vir a ser algo um dia. Tenho que sentar um bom tempo ainda para organizar o que tenho e compor novas partes.

Kiko Loureiro: Como eu falei, a gente ensaiou as músicas antigas, estamos tocando, eu viajei pro exterior, ficando um bom tempo fora em turnê com a Tarja Turunen (ex-Nightwish). Então a gente não se juntou ainda pra fazer nenhum álbum não. Cada um sempre está tocando, compõe alguma coisa, mas não tem nenhuma coisa unificada entre os membros ainda. Isso deve ser mais pro ano que vem.

Falando novamente sobre a atual turnê do grupo ao lado do Sepultura, qual a expectativa para a volta do grupo aos palcos do exterior? Tenho a informação que existe uma data confirmada na Venezuela e, em outra, vocês acabaram de cumprir em Portugal. Quais outros países terão o privilégio de acompanhar esse encontro de gigantes do Metal brasileiro?

Rafael Bittencourt: Chegamos de Portugal há alguns dias. Foi muito bom estar em um festival europeu novamente. O festival da Ilha do Ermal aconteceu ao ar livre, ao lado de um lago numa região muito bonita. A galera acampada por três dias e assistindo os shows de bandas do mundo inteiro. Este “clima” é muito legal. Adoro os Euro Fests. Os portugueses também estavam com saudades do Angra e cantaram as músicas de todas as épocas. O show foi um dos melhores da turnê em termos de som e performance. Semana que vem iremos para o Equador e Venezuela. Temos convites para a Europa em novembro, algo na Ásia etc. Mas a idéia é botar o pé no breque agora para as composições e produção do novo material.

Edu Falaschi: Terão outras datas pintando na Europa também, só não sei ao certo se será com o Sepultura também.

Kiko Loureiro: Acho que teremos que jogar as datas da América do sul mais pra frente por conta da gripe suína, mas vamos ver como fica a agenda. Sempre manteremos a todos informados, através da Base2 e nossa assessoria. É sempre bom estar tocando nesses lugares. Eu estive na Argentina agora a pouco, no Chile, na Europa, é sempre bom tocar pra outras culturas, outros lugares, é sempre um prazer quando você vai pra outros países que às vezes você nem fala a língua, mas está todo mundo cantando suas músicas que você compôs. Então é sempre gratificante. Acaba sendo tão divertido tocar em Portugal quanto em Manaus, Salvador, etc. A gente tem amigos em vários lugares do mundo.

Tendo em vista que alguns dos problemas com o antigo empresário ainda existem, tais pendências jurídicas podem atrapalhar, adiando o lançamento do novo álbum do Angra? Hoje, como se encontra o processo pelos direitos da marca e quando vocês acham que o nome Angra poderá voltar a aparecer nos cenários dos shows?

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Rafael Bittencourt: Acho que não. Iremos fazer tudo da melhor forma, de maneira a não prejudicar ninguém e com a ajuda dos nossos advogados que estão nos ajudando a recolocar o barco na água.

Kiko Loureiro: Ah, mesmo com o antigo empresário a gente não usava o cenário com o nome Angra, a maioria dos fundos que a gente usava não tem o nome Angra. Aliás, a gente tem o pano, poderia até usar, mas é um paninho que a gente usa quando no show o palco é menor, se não a gente usa as capas dos discos sem o nome Angra. Então, quem já acompanhou os shows sabe que na época do Angels Cry não tinha o nome, isso aí não tem nada a ver. Poderia estar colocando o nome, até porque no ingresso tem o nome, em todo lugar tem o nome. Então não tem nada a ver isso aí.

Edu Falaschi: Na real, quem sabe bem disso são os advogados, a minha parte é fazer música e cantar. Tenho me concentrado bastante nisso e deixei esses problemas na mão de quem entende. Tomara que nada atrapalhe mesmo o andamento da carreira da banda, mas não podemos garantir nada ainda, afinal quem decide é o juiz. O futuro a Deus pertence...

Kiko Loureiro: Bem, cada um pensa diferente dentro da banda, mas no caso de parte jurídica, parte de gravadora, parte de tudo que a gente se envolve, eu geralmente não comento. Eu gosto de falar de música, se quiser comentar da música tal, da outra, do acorde, como é que se compõe, como não faz, da letra, da capa, a parte artística é o que a gente tem que falar, o resto a gente acompanha, mas é a parte chata. Eu não gostaria de estar nem envolvido nisso, imagina dividir com os fãs essa parte desagradável. Não tem nada a ver. Eu acho horrível até ficar sabendo. Todavia, uma banda como o Angra precisa ter o lado empresarial, você precisa fazer o CD, gravar, pagar o estúdio, o técnico, todos os envolvidos no processo de manter uma banda ativa e atuante. Depois tem que vender o seu produto pra ter esse dinheiro, não é verdade? Porque no fundo todo mundo vive da música. Ninguém trabalha em outra coisa pra ganhar dinheiro, pra tocar apenas por hobbie. A gente toca porque gosta, mas paga tudo com o dinheiro do que toca. Mas isso aí todo mundo sabe, é algo óbvio, profissionalmente todas as bandas são assim. Mas então, acho que não tem nada a ver a gente ficar falando da parte chata, a não ser que a gente faça uma entrevista sobre business, tipo, pequenas empresas grandes negócios, MBA... (risos).

É notório que os fãs do Angra e Sepultura tem comportamento bastante distintos. Como vocês lidam com essas diferenças e como tem sido a receptividade desses fãs? Algum fato positivo ou negativo aconteceu nos shows com relação a esse assunto?

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Edu Falaschi: Pra ser sincero, eu pensei que poderíamos ter muitos problemas pelo fato do estilo de cada banda ser bem diferente um do outro, mas eu notei apenas dois casos isolados, ou seja, já tocamos pra mais de 10.000 pessoas nessa tour conjunta e só me lembro de apenas dois casos que foram de total ignorância e ausência de inteligência. Fico muito feliz em ver que a maioria esmagadora é evoluída mentalmente a ponto de entender a importância dessa união entre o Angra e o Sepultura, para a cena Metal no Brasil. Muito me alegra perceber que a sensibilidade da maioria existe e que o intelecto dos nossos fãs é bastante desenvolvido, deixando aqueles poucos seres que citei parecerem meros primatas.

Kiko Loureiro: É como o Edu falou, realmente achamos que teríamos problemas, mas no fundo não teve nenhum incidente que mereça nossa atenção. Todo mundo vai e canta as músicas do Angra, assim como cantam também as dos Sepultura. Deve ter um ou outro que gosta mais de uma banda do que da outra, mas sem problema, super misturado. Talvez essa mistura entre fãs de bandas tão diferentes há uns 10 anos atrás fosse inviável, pelo radicalismo existente. Mas essa galera aí geração Ipod, mp3, bota um monte de coisa junto e fica ouvindo de tudo, vai num show, conhece lá, etc. A gente não sabia qual ia ser a reação e descobriu que está sendo super na boa.

Rafael Bittencourt: Duas coisas eu aprendi: Que hoje os fãs não se dividem tanto, gostam de tudo; são curiosos para conhecer outros estilos, etc. E que independente de gosto musical as duas bandas são muito respeitadas por todos. E isto aconteceu também quando tocamos com o Krisiun e outras bandas que aparentemente tem fãs super xiitas.

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Sobre Eduardo Macedo

Teve a felicidade de descobrir o Metal com um álbum de um grupo nacional, Theatre Of Fate dos paulistanos do Viper. Atuante no cenário nacional, Eduardo Macedo administra a empresa de assessoria de imprensa MS Metal Press, juntamente com seu trabalho de redator para o site Portal Novo Metal e para a revista Lucifer Rising, esta última voltada ao que existe de melhor no Metal extremo mundial. Amante de todas as vertentes do Metal, Eduardo tem como foco o cenário brasileiro, onde já contribuiu como vocalista das bandas Tharsis e Veuliah, além de ser um colecionador incondicional de todo material lançado por bandas tupiniquins.

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