Em 12/03/2009 | Nuno Bettencourt: comentários sobre a volta do Extreme

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Nuno Bettencourt: comentários sobre a volta do Extreme

Traduzido por Thiago Coutinho | Fonte: MetalExpress.com

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O guitarrista do EXTREME, Nuno Bettencourt, falou recentemente com o site MetalExpress, e deu uma geral a respeito da volta do grupo, que lançou, em agosto de 2008, o álbum “Saudades de Rock”, que marca o retorno da banda após treze anos separados. O músico falou ainda sobre as sessões de gravação do recente álbum, a passagem do vocalista Gary Cherone no VAN HALEN, a gravação de um DVD, entre diversos outros tópicos.

MetalExpress — Antes de mais nada, é ótimo ver vocês de volta. Como isso tudo é para você?

Nuno Bettencourt "Tem sido muito divertido. Mudou em muitos aspectos, mas de um jeito melhor. Não esperávamos voltar e apenas dizer ‘ei, estamos de volta’. É mais uma turnê para nos reapresentarmos. Temos que voltar e reconquistar a confiança dos fãs e do público, mas certamente é demais estar de volta".

MetalExpress — Já se passaram treze anos desde que vocês se separaram em 1996. O que catalisou essa volta da banda?

Bettencourt "Dinheiro, é claro! Dinheiro, dinheiro! [risos]. Não, se fosse por dinheiro teríamos feito isso há muito tempo. Juntamos-nos há uns quatro anos, em nossa cidade natal e fizemos dois ou três shows. Pensamos, ‘vamos fazer isso!’. E foi demais. Foi ótimo ver todos de novo e os shows com lotação esgotada. Mas no final eu me senti um tanto triste e não tinha certeza porque estava daquele jeito. Disse ao Gary [Cherone, vocalista] que sentia que éramos uma banda tributo ao EXTREME. Fomos lá e tocamos todas as músicas que as pessoas queriam ouvir, mas algo estava faltando e eram as músicas novas. O que realmente nos mantinha apaixonados e motivados a continuar era a próxima música. Nunca poderíamos tocar juntos por causa do dinheiro ou porque estávamos cansados ou nostálgicos. Precisávamos da mesma paixão. Precisávamos da mesma paixão de antes, e sempre dizíamos que se fôssemos a um local e ainda tivéssemos a mesma química, que fizesse com que saíssemos com algo que nos orgulhasse e que nos deixasse excitados o suficiente para dividir com as pessoas, então sim nos reuniríamos".

MetalExpress — Vocês se separaram em termos amigáveis?

Bettencourt "Acho que sim. Tudo começou por mim, quando peguei o telefone e disse que meu coração não estava mais na banda e que eu precisava de uma parada. Isso não me ocorreu na época, eu estava era um pouco nervoso. Foi minha falta de experiência de ser capaz de dizer que eu queria um tempo fora".

MetalExpress — O que aconteceu com o Satellite Party [N. do T.: projeto que Nuno formou com Perry Farell, do também recém-reunido JANE’S ADDICTION]? Vocês fizeram um álbum, uma turnê pela Europa e então você os abandonou.

Bettencourt "Não foi o que eu esperava da banda e o que eu e Perry havíamos conversado inicialmente. Na época em que o CD foi lançado nos Estados Unidos, a capa do álbum não era a de uma banda, mas sim Perry e sua esposa, era estar em turnê com sua esposa no palco. Se era isso que Perry queria fazer, tudo bem, mas para mim começou a se tornar algo mais como um cabaré e menos rock ‘n roll. Quando fizemos aquela turnê pela Europa percebi que não era aquilo que havíamos combinado e que tudo estava tomando um rumo que não parecia certo para mim. Mas quer saber? Eu os agradeço por isso. Porque foi logo após esse episódio que percebi o quanto o EXTREME era importante para mim. Quando terminei aqueles shows e fiquei por alguns dias na França, liguei para o Gary, perguntei se ele estava pronto e ele respondeu ‘sim!’".

MetalExpress — O que você achou do período de Gary no VAN HALEN? [N. do T.: Gary juntou-se ao grupo após a saída do vocalista Sammy Hagar, e gravou o álbum “Van Halen III”, em 1998]. Deve ter sido um sonho para ele, não?

Bettencourt "Interessante mesmo, mas os fãs do VAN HALEN na banda éramos eu e Patrick [Badger, baixista]. Gary cresceu mais com THE WHO e QUEEN e aquele material todo. Ele gostava do VAN HALEN, mas nunca foi um grande fã, foi até irônico que ele acabasse no VAN HALEN. Patrick e eu costumávamos tocar diversas músicas do VAN HALEN nas passagens de som, e Gary ficava lá sentado falando, ‘ok, ok, lá vão eles no lance do VAN HALEN’, então ficava sentado nos assistindo. Ele nem conhecia muito bem aquele material, então Patrick e eu é quem cantávamos. Por isso foi interessante vê-lo no VAN HALEN. Fiquei muito excitado por ele, pois era uma das minhas bandas prediletas. Cheguei a ir ao estúdio várias vezes enquanto eles gravavam o álbum com Gary, ficava sentado lá e ouvindo tudo. Mesmo na época, Gary disse que queria terminar aquele álbum, mas que se eu quisesse que o EXTREME acontecesse de novo, era só ligar pra ele. Era mais ou menos desconectado assim que ele se sentia".

MetalExpress — Há alguns meses vocês lançaram o álbum “Saudades de Rock”. Em muitos casos, quando bandas voltam após anos de separação, o trabalho com novo material nunca é tão bom. Felizmente, vocês não caíram nessa armadilha e esse álbum é tão forte como "Pornograffiti" e "III Sides To Every Story". Vocês devem estar satisfeitos com ele, não?

Bettencourt "Dou tudo de mim na hora de gravar um álbum, vou lá escutá-los, fico excitado com eles, mas depois é difícil para mim voltar e ouvi-los. É como olhar para uma fotografia e pensar que eu poderia ter feito isso ou aquilo. Normalmente gosto do álbum todo, mas acho que poderia ter feito algo diferente. Já com esse novo trabalho, ainda posso colocá-lo para tocar e concordar com muito do que pensamos enquanto o fazíamos. Quando finalmente o finalizamos, pensei que esse era o nosso melhor álbum e é o primeiro álbum nosso que posso pegar para ouvir e não ficar enjoado. Acho que ele soa como EXTREME e adoro as músicas nele".

MetalExpress — Não é imediato como o “Pornograffiti”, mas quando ouvido repetidas vezes, o ouvinte se sai gratificado.

Bettencourt "Acho que você está certo, e acho que isso é um bom sinal porque todas as bandas que admiro levou tempo para que eu entendesse a música deles. Sou um grande fãs do RADIOHEAD e você tem que ter uma espécie de caso com aqueles álbuns para entendê-los. Tem ser assim para que você entenda todo o potencial que o trabalho tem para os anos vindouros. Quando você consegue aquela gratificação instantânea é legal, mas quando o álbum é mais profundo e lá pela quarta ou quinta vez que você o ouve e algo especial chega a você, como ‘uau, agora eu peguei tudo’, por isso acho que há algo especial sobre esses álbuns e bandas que funcionam assim".

MetalExpress — Vocês acabaram de fazer um vídeo para a faixa “Ghost”. Você pode nos falar mais a respeito?

Bettencourt "Sim, as palavras se espalham bem rápido. Nós o fizemos na semana passada [N. do T.: esta entrevista foi realizada no dia 27 de fevereiro]. Sabíamos que ao voltar com um novo álbum os tempos seriam outros. Antes de mais nada, a MTV não existe mais na América. Eles não apresentam mais videoclipes, são só reality shows. Mesmo as estações mais novas que supostamente deveriam salvar o dia passado videoclipes, agora estão fazendo reality shows. Tudo apenas se tornou uma grande piada. Primeiro pensei que ninguém mais desse bola para vídeos, mas pensei ‘dane-se isso’, pois nossa banda sempre foi bem visual, somos o que somos e adoramos tocar. Visualmente, acredito que tenhamos acrescentado algo de nossa performance na música. Disse que queria filmar cinco vídeos e vamos fazê-los em uma ordem particular".

"Para ‘Ghost’ acabamos em Boston por umas duas ou três semanas e havia uma igreja abandonada. Não que quiséssemos fazer o vídeo em uma igreja, mas ficou legal porque o local era bem escuro. Não escuro em termos de conceito, mas em termos de sombra e luz. As filmagens foram bem legais. Também gravamos um para ‘Interface’, em Lisboa, no estúdio, com alguns conceitos acerca de Lisboa. Também queremos fazer um para ‘Take Us Alive’ e ‘King of the Ladies’ e também estamos pensando em um para ‘Run’".

"Consideramos o que estamos fazendo agora como uma introdução da nossa volta, tomar o risco para nós de novo, queremos mostrar às pessoas que a banda está mais forte do que nunca. Acho que quando você vai ver uma banda que esteve fora da ativa por algum tempo é um pouco triste, não apenas pelo álbum que lançaram seja fraco, mas pelo pouco esforço que colocam em uma performance. Acho que as pessoas esqueceram de nos dizer que não temos mais 18 anos, mas o que você verá é uma banda mais agressiva e mais excitante de se assistir".

MetalExpress — “Comfortably Dumb” conta com um dos melhores riffs que já ouvi em anos. Como surgiu a idéia para ele?

Bettencourt "É um riff bem velho, que costumávamos fazer umas jams em cima, ele na verdade quase entrou em meu primeiro álbum solo, ‘Schizophonic’. Era um riff que estávamos trabalhando e não era apenas um que eu estava esperando para usar, mas havia algo especial nele. Alguém me disse que ele tem uma vibração mais NAZARETH, e eu nunca havia pensado nisso até sentar em uma cadeira, tocá-lo e quase cair de costas. Comecei a pensar por que esse riff estava na minha cabeça e me ocorreu que meu irmão Louis — de quem eu roubei cada idéia de guitarra na minha vida e foi um dos guitarristas que mais me inspirou —, é um grande fã do NAZARETH e eu nunca os escutei com muita atenção, mas foi algo meio que subliminar quando comecei a trabalhar nesse riff, que surgiu do nada. Realmente adorei ele, algo que estava em mim por anos e anos que acabou saindo. Essa é uma daquelas músicas que me deixam tão excitados que estamos abrindo os shows com ela. Não é uma idéia comum abrir o show com uma canção nova, mas é um jeito legal de começar".

MetalExpress — As sessões de gravação para esse novo álbum foram um tanto frutíferas, e vocês acabaram compondo e gravando mais de vinte músicas. O que farão com esse material extra?

Bettencourt "Esse material que não utilizamos... foi muito, muito difícil decidir o que fazer com eles. Ponderamos por mais de um mês se faríamos ou não um álbum duplo. Na verdade, há mais de vinte músicas, e muitas delas queríamos colocar no álbum. Mas pensamos que seria muito pomposo da nossa parte voltar com um álbum duplo após 13 anos separados, seria um caso de informação demais. Decidimos então usar as treze músicas, mas o material restante também é muito bom. Quando fomos gravar outro trabalho no futuro, e nós iremos, vamos usar essas músicas, mas antes queremos celebrar esse novo álbum o quanto for possível".

MetalExpress — Você produziu esse álbum sozinho. No passado, vocês trabalharam com gente como Michael Wagner, no “Pornograffitti”, então por que produzir este sozinho?

Bettencourt "Vamos ser honestos sobre isso. Sei que o Michael Wagner está nele [no álbum], e adoro o Michael, até o vi recentemente, ele foi nos ver tocar na Flórida, e ele será o primeiro a lhe dizer que sequer estava lá para as gravações. Ele participou da mixagem, mas a razão pela qual trabalhamos com ele foi que estávamos com medo de diversos produtores chegarem e tentarem mudar o nosso som. A resposta de Michael para a gravadora quando eles lhe mostraram o álbum foi: ‘este álbum está pronto, por que vocês precisam de mim?’. Por isso, nós o escolhemos por ele ter apreciado a nossa produção, por saber de onde vínhamos e nos deixar fazer as nossas coisas. Percebemos que a essa altura de nossas carreiras, na nossa idade, se não conseguíssemos arranjar uma música, teríamos problemas".

MetalExpress — Após a turnê pelo Japão, o que vocês estão pensando em fazer?

Bettencourt "Estamos pensando em filmar um show para um futuro DVD, vamos ver como rola. Há uma certa pressão em mim por estar sendo filmado. Psicologicamente, adoro estar em uma zona de perigo quando toco para as pessoas e não importa como você esteja, ou o quão ruim você estiver, é apenas um momento do dia e você pode levar isso para casa. Quando as coisas são gravadas, não gosto de voltar e olhar para elas, quero é guardar aquele sentimento que tive na hora".

Para ler a entrevista na integra, em inglês, clique aqui.

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Sobre Thiago Coutinho

Formado em Jornalismo, 23 anos, fanático por Bruce Dickinson e seus comparsas no Maiden. O heavy metal surgiu na minha vida quando ouvi o vocalista da Donzela de Ferro em "Tears of the Dragon", em meados de 1994. Mas também aprecio a voz de pato bêbado do controverso Dave Mustaine, a simplicidade do Ramones, as melodias intrincadas do Helloween, a belíssima voz de Dio ou os gritos escabrosos de Rob Halford. A Whiplash apareceu em minha vida sem querer, acho que seus criadores são uns loucos amantes de rock e acredito que este seja o melhor site de rock do país, sem qualquer demagogia!

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