Em 04/02/2009 | O peso da emoção: a trajetória de Blaze Bayley

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O peso da emoção: a trajetória de Blaze Bayley


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O trabalho no hotel já dizia de sua essência: estada. Um Bayley de 18 anos observava o ir e vir noturno dos hóspedes, entre teclas de piano e de play nas fitas de Rock. Em uma daquelas noites na pequena cidade de Tamworth, Inglaterra, ele se deu conta: também queria estar sempre de passagem. Começou então a se escrever – da morte da esposa à trapaça da gravadora, todos os temas de suas composições são uma parte dele mesmo, pedaços da vida que hoje, aos 45 anos, é mais experiência que imaginação.

Quem vê no palco Blaze e suas expressões carregadas, os gestos bruscos marcando a batida pesada da bateria, talvez não seja capaz de visualizá-lo falando tão calmamente sobre a pureza que se deve manter num coração “Metal” – é a paixão do adolescente que se envolve naqueles solos de guitarra, mergulhando nas bandas que passam a fazer parte do seu cotidiano. Passional também é a relação dele com o palco, um espaço que virou lar desde a decisão de responder uma nota de jornal à procura de vocalista para uma nova banda de Heavy Metal.

As primeiras apresentações no Reino Unido com a Wolfsbane nem tinham tantas pretensões, mas a banda resultou num trabalho de crescimento e maturação musical ao longo de dez anos. Em meados da década de 1990, passou de fã a vocalista de uma das maiores bandas de Metal do mundo: Iron Maiden. De lá, partiu para a carreira solo e hoje segue em turnê com seu quinto CD, The Man Who Would Not Die – segundo ele, o melhor que já gravou.

Blaze Bayley é uma banda, ele enfatiza, apesar de levar o nome do vocalista. No palco com Blaze estão os irmãos colombianos Nico e David Bermudez (guitarra e baixo), Jay Walsh (guitarra) e Larry Paterson (bateria). Confira a entrevista feita no último dia 17 de janeiro, após a apresentação da Tour That Will Not Die em Fortaleza, marcando o lançamento dos vídeos da primeira turma do projeto Roc.Doc.

Ao ler suas entrevistas, fica claro em sua fala que você é uma pessoa bastante passional. E falando de paixão, como sua relação com a música começou? Quando você começou a ouvir Heavy Metal?

Blaze Bayley – Eu trabalhava num hotel à noite e costumava ouvir fitas. Eu fazia a limpeza do hotel e, enquanto isso, ficava ouvindo Heavy Metal e coisas desse tipo. E uma hora eu comecei a pensar sobre minha vida ali, trabalhando num hotel, não tinha namorada, morava com meus pais, tudo isso. Eu não me dava bem com os estudos porque eu tinha dislexia e não conseguia pronunciar as palavras corretamente, tinha esses problemas, dificuldade em aprender. Uma noite, eu pensei: “Minha vida não está indo a lugar algum”. E eu imaginei: “Se eu pudesse escolher a vida que eu quero viver, o que eu seria? Bem, eu adoro cantar!” Então eu decidi cantar numa banda de rock e sair em turnê. E eu não vi nenhum motivo para não tentar e conseguir isso. No dia seguinte, comecei a escrever uns rascunhos de letras de música, de poemas, essas coisas. Eu tocava piano no hotel à noite, quando terminava o trabalho, tentava aprender sozinho a tocar piano e a cantar. Aos poucos, eu comecei a aprender. E um dia eu vi no jornal local, o Tamworth Herald, um anúncio de uma banda de Heavy Metal procurando um vocalista sem exigir experiência, e aí eu fui atrás disso. Fui fazer o teste, era a Wolfsbane. Foi assim que eu comecei... Em três semanas, nós já tínhamos dez músicas originais e começamos a procurar nossas primeiras apresentações, nossos primeiros shows...

Isso já com a banda Wolfsbane?

Blaze – Com a Wolfsbane, sim. Nós fizemos nossa primeira pequena apresentação. Jason (Edwards, guitarrista da Wolfsbane) tinha treze anos quando começou na banda. Eu tinha uns vinte, eu acho. E foi assim que começamos, nós éramos músicos jovens, mas só tocávamos nossas próprias músicas, nunca tocamos covers. Porque nós compúnhamos canções que podíamos tocar. Então as pessoas não podiam dizer que nós éramos ruins, porque só tocávamos músicas originais (risos), foi isso que eu pensei. Nós não apresentávamos um punhado de músicas do Kiss, nós só tocávamos músicas da Wolfsbane.

Que idade você tinha quando trabalhava no hotel?

Blaze – Eu comecei a trabalhar no hotel aos dezoito anos.

E que bandas você ouvia nessa época?

Blaze – Nessa época eu curtia AC/DC, Black Sabbath, Dio... O que aconteceu foi que havia uma grande casa de shows em Birmingham chamada Birmingham Modium, e todas as bandas em turnê iam tocar nesse local. Então eu resolvi fazer o seguinte: eu ia sair do trabalho, ir até Birmingham – que é uma cidade vizinha –, ver quem estava em cartaz e comprar ingressos para todos os shows, mesmo para as bandas que eu nunca tinha ouvido falar, bastava eu saber que era Metal ou Rock. Eu ia assistir a todas as bandas em turnê. Lá, eu vi Iron Maiden, Manowar... Um monte de bandas. Vi Bon Jovi também... E, naquela época, não havia bem uma cena de música ao vivo em Birmingham, ela tinha morrido um pouco. Pra mim, ver aquelas bandas… Sobre algumas, eu dizia: “Não, até eu posso fazer isso aí!”, sobre outras, dizia: “Fantástico!”, sabe?

E sua família? O que eles achavam disso tudo?

Blaze – Minha mãe – que Deus a tenha – sempre me incentivou muito no que eu queria fazer. Meu pai era um pouco mais cético, mas ele dizia: “Bem, você se arrepende mais das coisas que não faz do que das coisas que você tenta fazer”. Então, foi isso, ele me deu incentivo também. Quando nós começamos, éramos apenas uma banda de jovens, sem gravações nem nada. Tive muita sorte por ter apoio da minha família e dos meus amigos, o pessoal de Tamworth (cidade natal de Blaze) me deu muita força, assim como a mídia local... Tudo isso foi muito importante.

O que você lembra do seu primeiro show com a Wolfsbane?

Blaze – Houve duas apresentações. Na primeira nós tocamos umas poucas músicas; estávamos em um clube, onde se apresentariam cinco outras bandas. A segunda foi em Tamworth, no dia seguinte. Cobraram bem pouco pelo aluguel do Centro de Arte de Tamworth. Era um local pequeno, com cem lugares, para pequenas produções teatrais. O aluguel custou cem libras e nós cobramos três libras por pessoa, então faturamos no nosso primeiro show. Foi ótimo, os ingressos se esgotaram.

Como você se sentiu ao deixar Tamworth, uma cidade pequena?

Blaze – É, era uma cidadezinha naquele tempo, embora fosse bem populosa. Nós começamos em Tamworth e em Lichfield, que é uma cidade vizinha, e depois em Birmingham, porque nossos fãs às vezes viajavam com a gente. E nos demos muito bem, começamos a fazer umas apresentações em Londres, o principal lugar para tocar. Uma vez, em Londres, conseguimos algumas pequenas resenhas em revistas, e, graças a elas, conseguimos um empresário e mais alguns shows, e a coisa começou a ficar séria.

Você passou cerca de dez anos na Wolfsbane. Como você percebe a mudança da sua música ao longo desses anos?

Blaze – Eu acredito que o importante é aprender e crescer como pessoa. As primeiras músicas – eu acho que para todo mundo – vêm muito mais da sua imaginação, quando você pensa em uma situação. Aí você vai ficando mais velho e passa a ter mais experiência de vida, e as músicas passam a ser sobre as situações que você vive, não sobre as coisas que você quer. Então foi mais ou menos assim que as mudanças aconteceram, e eu acho que isso é uma verdade para a maioria das bandas.

A banda era bem popular no Reino Unido, mas vocês nunca tocaram fora da Europa...

Blaze – Sim, nós tivemos muito problemas. A indústria fonográfica começou a mudar...

...A que tipo de mudança você se refere?

Blaze – Quando nós éramos uma banda pequena, sem contrato com nenhuma gravadora, nós podíamos sair para tocar em muitos lugares no Reino Unido, para duzentas, trezentas pessoas, e ganhar algum dinheiro. Mas, quando fechamos contrato com uma gravadora, fizemos menos shows para menos gente. E passávamos mais tempo em casa que em turnê. Então, o contrato não nos ajudou em nada. Eu acho que a natureza do negócio estava mudando, na época. Quando conseguimos o contrato, era o começo da Internet, as vendas de CDs estavam caindo, a economia ia mal, tudo estava uma porcaria e tudo isso nos afetava. Nós estávamos no final de uma onda de bandas de Heavy Metal que tinham um vídeo e um hit e gravaram seu primeiro CD. Nós tínhamos um vídeo, ele não foi um hit e isso não fez do nosso álbum um sucesso. Era isso o que a gravadora queria, mas nós éramos apenas uma banda que tocava ao vivo, não importava o lugar. O selo com o qual nós assinamos era um selo independente, Def American, e eles nos julgaram mal, não sabiam qual era a melhor forma de nos promover. A indústria musical da época funcionava muito dessa maneira: “Vamos fazer um vídeo bem caro e torcer para que ele entre na MTV. Se ele entrar na MTV, a banda vai ser um sucesso!” Isso funcionou para muitas bandas, mas não para nós.

E como foi tocar em outros países?

Blaze – Foi uma experiência fantástica, porque na Wolfsbane nós sempre quisemos nos apresentar em lugares diferentes, mas nunca tivemos o apoio necessário por parte da gravadora, uma oportunidade. Quando eu entrei no Iron Maiden, foi fantástico tocar em lugares tão diferentes ao redor do mundo inteiro! E cada país era diferente, todos os fãs de diferentes países têm uma cultura própria; em diferentes cidades, até. Foi uma experiência e tanto. Foi ótimo ir a países em que eu nunca tinha estado, vir ao Brasil pela primeira vez teve um significado muito especial. Brasil e Japão. Dois lugares que eu nunca imaginei ir um dia. Parecia que isso nunca ia acontecer comigo, um cara vindo de uma cidadezinha na Inglaterra.

Você uma vez disse que, quando se sai numa turnê, as pessoas criam um "espírito cigano" e não querem voltar para casa. O que existe de tão cativante em uma turnê?

Blaze – É, o que vicia é ser como um cometa: estar constantemente passando pela vida de alguém, sem jamais permanecer. Você parece estável, mas na verdade não é... E tem algo interessante nisso de ter sempre um lugar novo e desconhecido para ir e deixar algo lá, bom ou mau, mas deixar essa marca – que na verdade acaba ficando em você mesmo. Quando eu estava no Iron Maiden, eu nunca queria que a turnê terminasse. Isso realmente é uma espécie de "espírito cigano" e, uma vez que você cria gosto por essa vida, fica muito difícil parar. E, para muita gente, isso não é vida. É tudo muito incerto, para qualquer um é difícil viver essa incerteza, não saber o que vai acontecer próxima semana, o que vai acontecer depois, como as coisas vão estar, o que você vai fazer... Muitas pessoas vivem assim: "Nós saímos de férias nesse período, levamos as crianças à escola nessa hora, começamos a trabalhar nesse horário". E, para nós, essas certezas não existem muito. É um jeito diferente de se viver. Mas, uma vez que você incorpora o sentimento de incerteza e abraça o fato de que você vive o hoje, aqui, esta noite, em Fortaleza, no Brasil, então esta é a sua vida, não aquilo que vai acontecer amanhã, nem o que aconteceu ontem. É um sentimento interessante.

Você falou em uma entrevista que, se você está na maior banda de Metal do mundo, é preciso pagar um preço por isso. Qual o lado ruim de ser uma estrela do rock, de ser famoso?

Blaze – É igual ao lado bom, porque tudo diz respeito à sua privacidade e ao seu espaço. Todos os seres humanos precisam ter seu espaço e certa privacidade. Quando você passa a não ter mais isso, você começa a ficar maluco, você não tem mais um momento para você mesmo e para sua privacidade, aí você começa a enlouquecer. Acho que esse é o lado ruim. É tudo uma grande brincadeira, eu acredito que ser famoso não é algo sério ou importante. O que importa é ser um bom músico, um bom compositor e esperar que as pessoas lembrem suas músicas e que essas músicas estabeleçam alguma ligação com o público. Pra mim, a fama não importa, sabe? Quando elogiam meu trabalho, é maravilhoso; quando me exaltam como pessoa, sendo que eles nem me conhecem, é irrelevante. Existem certos lugares aos quais eu vou e todos me idolatram, isso é tudo diversão, não tem importância alguma. Ser famoso não significa nada. O que importa é ser bom no que se faz, isso é o importante pra mim. O lado bom disso é que, às vezes, é tudo muito divertido, e o lado ruim é quando as pessoas têm sua própria impressão, suas próprias idéias sobre exatamente quem eu sou – mas eu não sou aquilo que elas pensam, de jeito nenhum! E, às vezes, se esquecem de que você é uma pessoa e tem suas emoções, como qualquer outra. E então começam a ser rudes sem ao menos perceber como estão agindo, são desrespeitosos e lhe invadem sem pensar, porque todos vêem você de um jeito completamente diferente do real. Esse é o lado desagradável. Mas o que é ótimo, para mim, é ser reconhecido pelo que eu faço: não sou famoso simplesmente por ser famoso. Por exemplo, se eu fosse um artista de cinema ou de TV, seria mais a fama pela fama. Mas eu sou vocalista de um grupo e sou famoso por fazer alguma coisa, por fazer música, por ser de uma banda, por ter um estilo de cantar, é por isso que sou reconhecido. Não sou famoso porque casei com alguém ou porque estive em um reality show, eu construí algo, e apenas as pessoas que realmente curtem e conhecem Metal sabem quem eu sou. Então, na maioria das vezes, eu consigo sair sem ser reconhecido. Em outras ocasiões, eu saio e todo mundo me conhece.

Você costuma afirmar que é um vocalista ao vivo e vai ao estúdio gravar algo para que possa cantar aquilo ao vivo. Qual a importância de estar no palco?

Blaze – Para mim, cantar ao vivo é a força da alma e da emoção de um ser passional. Eu me importo profundamente com o modo com que as coisas vão me afetar, vão afetar outras pessoas, então, quando eu canto, eu quero que isso tenha um significado, não que seja apenas uma experiência. Eu quero que isso se conecte de alguma forma com meu público. Eu me esforço muito para que aconteça desse modo. Quando estou compondo, eu reflito e me pergunto: “Estou sendo honesto? Estou sendo verdadeiro comigo mesmo? Há honestidade com meus sentimentos? Estou sendo honesto com a situação sobre a qual estou escrevendo? Existe verdade ali?” E, se existir verdade, outras pessoas irão se identificar com aquela verdade. Porque a verdade é um elemento das nossas emoções, há certas verdades sobre o modo como sentimos, e eu sinto que, se o que eu escrevo possui essa verdade, haverá, num show ao vivo, uma ligação com as pessoas. E, lembrando a época da Wolfsbane, eu sempre penso que nós não tínhamos nenhuma gravação, só tínhamos nossa música, só o ao vivo, e o modo com que éramos tão bem recebidos era uma parte muito importante disso tudo. Se o público nunca tinha ouvido uma gravação, nunca tinha me ouvido cantar e nós subíamos ao palco como banda de abertura, era muito importante, para mim, que as pessoas olhassem, ouvissem e dissessem: “Existe algo aí, existe emoção, uma energia, eu quero acompanhar o trabalho dessa banda”. É por isso que eu sempre penso como um cantor ao vivo, não sou um artista de estúdio.

Ainda falando sobre estar no palco: cerca de uma semana após a morte da sua esposa, Debbie, você participou do Metieval Festival (festival de Heavy Metal e Rock que acontece anualmente na cidade inglesa de Beverley) e fez sua apresentação, porque ela pediu para você continuar. Como você encarou o público tão poucos dias depois da morte dela?

Blaze – Foi uma apresentação horrível, horrível. Foi muito complicado emocionalmente. Minha garganta estava péssima, eu não conseguia cantar direito, minha voz foi a pior de muitos anos... Foi um show muito, muito difícil.

Mas ele teve um significado.

Blaze – Sim, sim, teve. Ela me pediu para continuar, então eu continuei. Eu não queria cancelar tudo, eu queria seguir em frente. Então foi isso: fiz por ela, pela minha banda. E pensar: “Enfim, tudo vai continuar”. Ela se dedicou tanto… Nós não teríamos um álbum, se não fosse por minha esposa. Nós não teríamos uma turnê, não teríamos nada. Ela trabalhou tão duro e me deu tanto apoio, ela fez com que tudo isso se tornasse possível. Eu estava determinado a superar isso, mas foi uma apresentação terrível. Tudo bem, nós fizemos nosso melhor, e agora superamos a maior parte disso e estamos aqui, faz apenas alguns meses e minha voz retornou... E agora eu consigo começar a curtir os shows de novo e pensar nessa situação de uma maneira positiva, pensar que ela teria adorado essa turnê.

Depois de tantos anos tocando em bandas como Wolfsbane e Iron Maiden, como é estar em uma carreira solo?

Blaze – É diferente. Quando comecei (na carreira solo), não pensei direito sobre isso. Achava que havia pensado, mas no final, percebi que não. Porque, se eu tivesse considerado bem toda a situação, eu teria feito exatamente o que faço agora. Essa é a razão pela qual nós estamos fazendo as coisas deste jeito: é porque eu errei muito logo que entrei na carreira solo. Eu dei à banda o nome Blaze, e isso estava errado. Deveria ter sido Blaze Bayley, porque não é fácil identificar Blaze, não se sabe de onde isso vem, não se associa a palavra ao vocalista do Iron Maiden. Blaze Bayley era o vocalista do Iron Maiden, não Blaze. Isso estava errado. E eu escolhi os músicos pensando no que seria mais prático, mas não se deve pensar no que é prático quando sua música é emoção. E meu acordo com a gravadora também estava muito equivocado. Eles mentiram pra mim, me trapacearam, me roubaram. Neste álbum (The Man Who Would Not Die), (a música) Blackmailer fala de uma gravadora que rouba o resto do mundo e todos os seus territórios – porque eles me deviam muito dinheiro e disseram que nosso acordo era referente apenas à Europa. Eles disseram: “Nós vamos pagar o que devemos, mas você terá de nos dar o resto do mundo”. Então, eles roubaram o resto do mundo de mim. É, eu poderia ter feito as coisas de uma maneira diferente. Sabe, daquele jeito não funcionou. Tenho muito orgulho de tudo: fizemos boa música, fizemos um grande trabalho em estúdio, tocamos shows maravilhosos, mas não tínhamos um plano adequado juntos. Agora é diferente, é um novo começo e estamos fazendo tudo de um modo diferente, dividimos tudo como uma banda. Ela se chama Blaze Bayley, mas é uma banda, todos dão sua opinião sobre o que fazemos e essa é uma maneira totalmente diferente de fazer as coisas. De certo modo, eu queria ter feito diferente, mas The Man Who Would Not Die é, para mim, o melhor álbum que eu já fiz na minha carreira. É meu álbum preferido e ele só poderia ter vindo daquelas quatro pessoas. Se você acreditar em destino, talvez possamos dizer que tudo foi um longo caminho a ser percorrido até chegar a determinado local onde essas quatro pessoas se encontraram para fazer esse álbum e permanecer juntas para mais gravações.

Desde a adolescência, quando você ouviu os primeiros álbuns de Metal, até hoje, com mais de trinta anos nessa estrada do Heavy Metal, a sua relação com o gênero mudou?

Blaze – Um pouco, sim. Eu tenho muito mais dificuldade em me interessar por novas bandas agora. Porque já gravei tanto que, para mim, é difícil desligar meu lado de artista, parar de pensar enquanto ouço: “Como eu teria feito essa música? Como isso foi montado?” Acaba sendo mais difícil gostar de novas bandas.

Uma vez você disse que dentro do seu coração de “Metal” haverá sempre o coração de um fã de treze anos. O que isso significa?

Blaze – A empolgação de ouvir os primeiros álbuns de Metal. A empolgação de ouvir as guitarras pesadas e as músicas rápidas, os vocais agressivos, a empolgação que até hoje é uma parte de mim. A comunhão de assistir àquelas primeiras bandas e ouvir aqueles primeiros álbuns: são os álbuns que eu escuto até hoje. Então, as coisas que eu ouvia aos treze anos, eu ouvia Black Sabbath, Judas Priest, todas essas bandas. São coisas com as quais eu tenho uma forte ligação, e eu estou sempre pensando: “Quando eu tinha treze anos e estava ouvindo meus primeiros álbuns de Metal, o que eu acharia disso? É empolgante? Isso teria me empolgado? Isso teria feito com que eu pensasse: ‘Cara, isso é ótimo!’?” Então, para mim, Metal é mais ou menos isso. Por mais idiota que isso possa parecer, a música que consegue me atrair como se eu fosse um adolescente é a música certa. Com certeza existem assuntos mais adultos sobre os quais escrevo, mas, na essência, se a música consegue lhe capturar nesse nível, está perfeito pra mim. E eu não quero perder isso. Às vezes existe certa rebeldia e teimosia em dizer: “Isso não é Heavy Metal!” Isso é estúpido, mas também é um sentimento legal dizer: “Não, isso não é Heavy Metal! Heavy Metal é isso! Isso é o que nós somos, Heavy Metal!” Então, de certo modo, é uma espécie de subcultura através da qual nós permanecemos conectados com o que ainda existe de adolescente dentro de nós.

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Sobre Lucíola Limaverde

Jornalista formada pela Universidade Federal do Ceará (UFC) com experiência em jornalismo impresso, produção em rádio e assessoria de imprensa. Ouve seus rocks todo santo dia. Aliás, não imagina sua vida sem música e livros (a Literatura é outra grande paixão). Queria ter uma história bonita e comovente sobre como começou a ouvir Metal, mas a verdade é que não lembra a primeira vez na qual ouviu uma guitarra distorcida - apenas sabe que sua alma tem um tom maior quando escuta as canções de que gosta. Aprendeu a tocar teclado aos 12 anos mas, como jamais sonhou em cometer seus dedilhados em uma banda, isso só lhe rendeu algum apuro na audição musical.

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Sobre Débora Medeiros

Débora Medeiros faz Comunicação Social – Jornalismo na Universidade Federal do Ceará. Academicamente, desenvolve pesquisas sobre o rádio educativo e sobre a relação entre jornalismo cultural e heavy metal. Profissionalmente, tem procurado se especializar em crítica musical. Foi daí que nasceu o impulso para colaborar com o Whiplash e criar um blog dedicado a esse assunto, o Música Expressa.

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