Eloy Fritsch - tecladista e compositor do Apocalypse

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Eloy Fritsch - tecladista e compositor do Apocalypse


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A banda gaúcha de rock progressivo Apocalypse sempre se manteve na ativa, mas talvez nunca de forma tão atuante quanto em anos recentes. As entradas dos “novos” integrantes Gustavo Demarchi (vocais, flauta) e Magoo Wise (baixo) deu um novo gás ao grupo, e ocasionou uma mudança de estilo, que ficou mais pesado e portanto mais próximo do hard rock/metal melódico. Nesta entrevista exclusiva para o Whiplash, conversamos com o tecladista Eloy Fritsch, principal compositor da banda, sobre os planos atuais e futuros do grupo, o convite para participar do festival Rosfest nos EUA (em 2009), bem como o lançamento de seu livro sobre rock eletrônico, e muito mais...

Para comemorar os 25 anos do Apocalypse, vocês planejaram alguns lançamentos especiais. Você poderia nos falar um pouco sobre o que irá conter o DVD ao vivo? Para quando está previsto o seu lançamento?

Atualmente estamos com as atenções voltadas para o lançamento do CD “The Bridge of Light” e os shows que faremos no primeiro semestre de 2009 nos EUA. Procuramos tocar adiante os projetos que são viáveis. Planejamos muitas coisas para os 25 anos do Apocalypse. Muitas delas não deram certo e por causa disso alguns lançamentos terão que esperar. Um deles é a caixa comemorativa dos 25 anos. Infelizmente não conseguimos o financiamento para o livro e o DVD, e teremos que pensar em alternativas para lançá-los no futuro. A história do Apocalypse é muito bonita e bem diferente da maioria dos grupos de rock brasileiros. Acho essa singularidade interessante e nos preocupamos em registrar um pouco dos fatos e deixar alguma informação mais detalhada sobre nossas realizações para as gerações futuras. Gostaríamos que as premiações em festivais, os shows de lançamento de álbuns, shows internacionais que foram registrados, pudessem ser disponibilizados aos fãs e admiradores do Apocalypse.

1991: O trânsito da principal avenida da cidade de Caxias do Sul (RS) foi interrompido para a realização do show de lançamento do álbum “Apocalypse” (foto: Jornal Pioneiro)

Capa do novo lançamento da Free Mind: o CD “The Bridge of Light”
Agora em outubro sairá portanto o novo CD “The Bridge of Light”, o décimo da banda. Poderia nos contar um pouco sobre ele, qual o estilo das composições, etc?

É a primeira vez que vou falar sobre as composições do CD de uma maneira mais aprofundada e contar um pouco sobre os bastidores. Em 2005 iniciamos a composição de novos temas para lançar um CD apenas com músicas inéditas. Depois de 3 anos, finalmente estamos concluindo o projeto e colocando essas composições para o público no álbum “The Bridge of Light”. No primeiro Ato, o álbum é composto de temas independentes. Já no segundo Ato, a letra das músicas conta uma estória que serve de elo entre as composições. As primeiras criações para esse novo álbum foram “avulsas”. Ou seja, cada música conta sua própria estória. O álbum começa com “Next Revelation”. Fiz essa música na véspera do show que tocamos no Canecão abrindo para o Uriah Heep. Por isso até acho natural que haja essa influência direta do grupo inglês. Um dos primeiros temas que desenvolvi para o novo CD foi “Dance of Dawn”. Quando iniciei a composição instrumental queria uma música diferente do que havia feito até então no Apocalypse. Busquei variações rítmicas e influências no ELP e no Yes. Eu compus as duas sessões da música no teclado e apresentei ao Gustavo, que se encarregou de fazer a letra. Na primeira parte criamos um ritmo provindo do jazz, e na segunda uma balada que inicia com o piano e termina com uma melodia muito bonita criada pelo Gustavo na flauta. Arranjamos a música de maneira que os vocais pudessem tomar conta de tudo por alguns compassos até entrar o solo de flauta. Assim, a música tornou-se interessante e repleta de recursos musicais. A “Ocean Soul” foi feita na praia de Garopaba em Santa Catarina no verão de 2006, quando estava de férias com minha família. Já havia composto todo o álbum “Mythology” nesta praia, e busquei inspiração para criar um novo tema para o Apocalypse também. Acho que funcionou, porque é uma das minhas preferidas nesse novo álbum. Uma música mística, e que fala sobre a sensação de grandiosidade, adoração e energia que a imensidão das águas em movimento do oceano proporciona ao ser humano. Todos os músicos contribuíram muito para o sucesso dessa composição, que recebeu um bonito solo de guitarra do Ruy (Fritsch), as frases de baixo do Magoo, a melodia de flauta e a bateria do Chico Fasoli, que deu vida às partes instrumentais. Sem falar nos backing vocals, que reforçam a linha de voz mantendo o equilíbrio entre as partes instrumentais e vocais. Mas, em 2006 eu ainda estava tentando compor uma melodia que fosse facilmente cantarolada e que pudesse fazer a diferença em uma nova composição. Foi então que em um desses dias de pura inspiração toquei ao teclado a melodia do violino da “Last Paradise”. Nossa! Fiquei emocionado quando harmonizei no teclado com uma seqüência de acordes em substituição ao solo. Passei horas tocando essa seqüência de acordes e pensando em como ela era exatamente o que eu estava buscando. Isso foi suficiente para eu ficar motivado para criar o restante da primeira parte da música. Continuei compondo e ela acabou ficando com 9 minutos. Uma grande parte instrumental com ótimos solos de teclado. Mas mostrei para os músicos e eles acharam que estava muito complexo e precisaria trocar os 6 minutos de instrumental por uma parte cantada. Foi aí que o Gustavo trouxe um novo tema e resolvemos dividir a “Last Paradise” em duas sessões. A primeira com andamento mais acelerado e bastante dinâmica, lembrando Kansas, principalmente pelo vocal e a inclusão do violino, e a segunda tendendo ao Pink Floyd. Não que a referência seja óbvia ou que a gente procurasse buscar isso, mas porque ao tocarmos juntos o feeling de cada músico acabou levando para essa referência. A participação de Hique Gomez foi fundamental para modificar um pouco a sonoridade original do Apocalypse. Na parte lenta, o solo do violino elétrico lembrou a grande banda de rock progressivo mineira Sagrado Coração da Terra, e agradou a todos nós. “Last Paradise” tem letra do Gustavo, que deu uma interpretação especial a esta música, valorizando muito o vocal. A composição “Dreamer” é dedicada ao meu irmão Ruy Fritsch, que praticamente encomendou essa música. Sempre gostamos muito do neo-progressivo, e portanto é natural que alguma música lembre bandas como IQ, Marillion, Arena, Pendragon, Magenta, já que tocamos no mesmo estilo. Inclusive agradecemos no encarte desse CD a vários grupos que são referências para o Apocalypse. Uma homenagem aos que ainda estão nesse dimensão e aos que já partiram para outras viagens. Para encerrar as composições independentes, chegamos na “Meet Me”. Esta balada reflete bem a qualidade do vocal do Gustavo. É o tipo de música que só fica legal na voz de um grande vocalista, porque é escrita para destacar a voz solista. Eu fiz a letra e a música pensando em uma canção contendo um belo refrão, mas que não fosse simplesmente um hit de FM. Acho que conseguimos uma música com um desenvolvimento apropriado e variações de tonalidade para retomar o interesse do ouvinte a cada nova interação dos trechos. Mas cada músico precisou ser econômico em seu instrumento, proporcionando um acompanhamento com o tradicional solo de guitarra.

A “Suíte” consiste em uma estória escrita pelo Gustavo, que liga as demais composições do álbum. Tudo começa com um solo de violino do Hique Gómez, seguido do solo de guitarra do Ruy Fritsch para o despertador acordar o Jimmi, que é o personagem principal, e dar início à “To Madeleine”, “Escape” e “Welcome Outside”. Músicas no estilo AOR, com pitadas de neo-progressivo. Toda a “Suíte” foi idealizada pelo Gustavo, com exceção da “Follow at the Bridge”, na qual investi muito para incorporar elementos progressivos ao melhor estilo do rock sinfônico. A “Mr. Earthcrubs” é uma música diferente de tudo que o Apocalypse fez até hoje e traz a influência do som mais pesado, devido aos gostos musicais do Magoo e do Gustavo. Com solos de violino, moog, flauta e um bonito riff, a música tem sua identidade própria. A suíte finaliza com a balada “Not Like You”, novamente com a participação do violino e o Ruy Fritsch criando um arranjo mais acústico ao violão. Confesso que foi difícil compor e ensaiar esse novo CD, porque moramos em cidades diferentes e temos muita atividade extra-Apocalypse. O incentivo cultural que recebemos em 2005 da nossa cidade natal Caxias do Sul não foi suficiente para cobrir toda a produção, e gastamos muito além da conta. Mas acho que a apresentação em 2006 foi maravilhosa e conseguimos uma química muito boa no palco, que resultou nessa gravação. Apesar das dificuldades que passamos durante o processo de mixagem do CD, demorando muito mais do que estava previsto, o clima de união e dedicação prevaleceu e agora estamos muito felizes por ter conseguido aprontar um material de boa qualidade, e que mostra ao público todas as novas composições do Apocalypse.

Vocês estão incluindo uma suíte de 40 minutos de duração, dividida em 7 partes. Algo que certamente fará a alegria dos amantes do de rock progressivo, mas talvez um pouco em contradição com o momento atual da música, que padronizou canções primordialmente curtas. Por outro lado o tecladista Keith Emerson acabou de lançar seu novo CD, que contém uma suíte de 35 minutos de duração. Como você analisa todas essas questões?

A música padronizada é aquela que visa o mercado fonográfico, show business e as FMs comercias. Essa normalmente é a música fácil e por vezes medíocre. No meio erudito, instrumental, jazz e rock progressivo, temos a flexibilidade para adotar diferentes formas musicais e trabalhar a estrutura da composição sem pressões externas de gravadoras e produtores, que preocupam-se muito mais em buscar a fama para seus artistas do que primar pela qualidade e pela liberdade de criação. Acho que o importante é preservar a expressão artística, livre da influência comercial que só atrapalha as criações. O Apocalypse é um bom exemplo de que no Brasil podemos manter um projeto de alto nível sem o patrocínio da mídia comercial. Obviamente necessitamos de muito mais apoio da sociedade e do governo do que ganhamos, mas estamos sobrevivendo por 25 anos com as próprias pernas e alguns parceiros, que têm nos ajudado ao longo dessa trajetória como as gravadoras MUSEA, Rock Symphony e mais recentemente a Free Mind. Gravadoras que priorizam a qualidade artística antes da comercial. Acho que esse pensamento é que faz a diferença em relação aos projetos estritamente comerciais que pensam antes em lucrar com a fama e acabam fazendo inúmeras concessões em seu trabalho autoral. Vejo essa suíte como uma idealização do Apocalypse no sentido de ligar suas criações em uma linha de tempo na qual é contada a estória do Jimmi, um menino que descobre o mundo e desvenda mistérios. A suíte traz grandes surpresas para quem acompanha a trajetória do Apocalypse. Temos desde solos à la Pink Floyd até o hard rock à la Uriah Heep. Uma mistura de influências desfila por todas as músicas com belas melodias e execução ao vivo. Temos momentos dramáticos como “Wake Up Call” e “Meeting Mr. Earthcrubs”, momentos de energia como “To Madeleine”, “Welcome Outside” e “Escape”, momentos de complexidade e alternância de padrões como “Follow the Bridge”, e momentos acústicos e intimistas como “Not Like You”. Acredito que nesse caldeirão de muitas idéias musicais conseguimos mostrar a flexibilidade do Apocalypse na concepção e organização de diferentes temas. Sinto que todo esse nosso esforço em fazer um álbum conceitual com a união de diferentes vertentes e influências irá agradar aos fãs pela variedade e pelo crescimento musical da banda. Por fim, o Keith Emerson já nos brindou com grandes pérolas da música moderna. Só podemos agradecê-lo por ser uma pessoa tão especial que revolucionou a maneira de tocar teclado no rock com seu grande talento e irreverência. Esperamos que ele lance muitos álbuns ainda para encher nossos corações de felicidade e energia ao ouvir suas grandes obras.

Foto promocional para o lançamento do CD “The Bridge of Light” (arte: Robson Piccin)

Show do Apocalypse na Festa Nacional da UVA – 2008 (foto: Shaiane Dartora)
Além desses lançamentos, vocês tem realizado alguns shows no sul do país, certo?

Estamos sempre tocando aqui no sul do Brasil, em teatros e festivais. Nossa música é apresentada ao público que aprecia e valoriza projetos autorais, e nossa opção estética pelo Art Rock. A próxima apresentação será dia 16 de outubro, na qual faremos o pré-lançamento do CD “The Bridge of Light” no Teatro de Câmara de Porto Alegre. Nesta ocasião tocaremos as composições do novo álbum, como “Ocean Soul”, “Meet Me”, “Last Paradise” e parte da “Suíte”. Não é todo o palco que comporta o show do Apocalypse, pela especificidade instrumental. Então temos realizado apresentações em locais que apresentam uma boa infra-estrutura. Esse ano tocamos na Festa da Uva em Caxias do Sul, no aniversário de Porto Alegre, na Casa de Cultura Mário Quintana, entre outros, e o público tem prestigiado e acompanhado os músicos em cada apresentação. Estamos trabalhando em conjunto com a Produtora Som do Darma e programando shows para São Paulo e Rio de Janeiro.

Apocalypse “Live in USA” (2CDs/CD-ROM), lançado em 2000 pela gravadora Rock Symphony
Recentemente, a banda foi convidada a participar do Rosfest, ano que vem nos EUA. Como rolou o convite?

Um amigo nosso que viaja anualmente para este festival internacional levou o DVD “Live in Rio” para a produção. Os americanos do Rosfest (www.rosfest.com) já conheciam o Apocalypse há muito tempo porque já havíamos tocado nos EUA e gravado um CD ao vivo lá. Então, ao ouvirem o DVD com o novo projeto em andamento, convidaram o Apocalypse para abrir o festival de 2009 e tocar na mesma noite do Nektar. Hoje mesmo recebi um e-mail do produtor do Progday (o festival em que tocamos em 1999) contando que irá ao festival “rever os velhos amigos brasileiros”. Logo esperamos reencontrar muita gente por lá, e fazer novos amigos. Será a primeira vez que um grupo brasileiro tocará nesse festival internacional, e isso é uma grande responsabilidade. Estamos muito felizes com o convite, e faremos o máximo para realizar um grande show.

O repertório deste show será o mesmo dos shows recentes, ou vocês estão preparando algo específico?

Vai depender muito da disponibilidade dos músicos. Todos andam muito atarefados e com projetos paralelos. Atualmente, temos um conjunto de músicas no repertório e obviamente muitas delas serão interpretadas nos EUA. Entretanto, a produção do festival já fez algumas encomendas, como “Notre Dame”, que foi a composição escolhida para uma coletânea internacional em 1995, e “Ocean Soul”. Por incrível que pareça, inclusive pediram que algumas músicas sejam cantadas em português. É realmente muito bom receber pedidos como esses, porque estão falando da nossa música que também é música brasileira, apesar de não ser MPB, samba ou bossa nova.

Apocalypse, da esquerda para a direita: Chico Fasoli – bateria, Gustavo Demarchi – vocal e flauta, Eloy Fritsch – teclados, Ruy Fritsch – guitarra e Magoo Wise – baixo (foto: Rosane Scherer)

Eloy Fritsch e o Tokai TX-5 DS Plus (foto: Lauren Veronese)
Você tem feito um trabalho junto com algumas fábricas brasileiras de teclados, como Tokai e Labolida. Poderia falar um pouco sobre essas parcerias?

Apesar de morar na ponta sul do Brasil, fui lembrado pelos fabricantes de teclados e sintetizadores brasileiros. Fiquei muito feliz em poder contribuir com essas empresas, e elas apoiarem minha carreira artística. Essa troca é muito importante para todo artista e um grande incentivo para que a gente continue produzindo com qualidade e seriedade. O simulador de órgão Hammond da Tokai é excelente. Tanto que aposentei meu Roland VK-8 e só levo o Tokai TX-5 DS Plus nos shows do Apocalypse. A pedaleira MIDI deles é fora de série e também não perde para as importadas. Tenho dois sintetizadores Labolida, o Nano1 e o Pico4 e tenho usado eles no estúdio e ao vivo com o meu controlador MIDIMAN (antigo M-Audio). No ano passado fui a São Paulo tocar com o Apocalypse, e aproveitei para visitar a fábrica da Tokai e rever os amigos Jean, Juliano, Rodrigo e Alex Bessa. A Tokai inclusive patrocinou nosso show de lançamento do DVD “Live in Rio”, no Teatro Renascença em Porto Alegre.

Eloy Fritsch na gravação do DVD “The Bridge of Light” em 2006
Qual o seu set atual em estúdio e ao vivo?

Desde o início desse ano, mandei fazer uma estrutura de madeira para encaixar o JP-8080 e o controlador MIDI. Então de um lado fica o Minimoog e do outro fica esta invenção. No centro fica o Korg 01/w e o Tokai TX-5 DS Plus. Embaixo fica a pedaleira Tokai MIDI e dos lados ficam o Roland JD-800, o Alesis Fusion HD, o sintetizador Pico4 e o Korg DW-8000 que uso de controlador MIDI. Uso um Sampler Akai S5000 e o meu VS-1680 como mixer. Às vezes uso meu controlador Roland AX-1 para solar. Mas depende muito do setlist e da infra-estrutura do local que irá receber o show do Apocalypse. Se a apresentação for em teatro no qual haja espaço para os 5 músicos mais os 8 teclados, tudo bem, senão diminuo o set para que o show aconteça. Às vezes tocamos em festivais, e também os roadies não têm tempo de montar os 8 teclados, e temos que usar uma outra configuração. Aí preciso substituir sons nas músicas e às vezes até fazer um arranjo diferente, já que em estúdio utilizo vários teclados.

Capa do livro “Música Eletrônica – Uma Introdução Ilustrada”, de Eloy Fritsch
Você acabou de lançar um livro sobre Música Eletrônica, algo inovador em termos de língua portuguesa. Poderia nos falar um pouco sobre esse livro e seu conteúdo?

Já existem alguns livros lançados no Brasil sobre esse tema, mas o meu possui mais de 400 páginas com vários assuntos introdutórios. Além disso, é acompanhado de um DVD com composições no formato 5.1, para ser ouvido exclusivamente em Home Theater, uma tendência mundial que prima pela qualidade da reprodução musical. O livro, “Música Eletrônica, Uma Introdução Ilustrada”, apresenta assuntos que abrangem diversos tópicos como síntese sonora, estética, história, compositores, obras musicais, instrumentos eletrônicos, técnica de composição, discografia e aplicações da linguagem Max/MSP na composição musical.

Os conteúdos tratados são, na sua maioria, introdutórios, e destinam-se a estudantes, músicos, compositores e iniciantes no assunto. O texto é rico em imagens, esquemas e exemplos de programas que facilitam a compreensão das idéias. Nessa obra, a música eletrônica é apresentada como uma modalidade de composição que expandiu o material sonoro da música tradicional e prosseguiu para uma nova arte sônica, diferente da música instrumental, chamada de música eletroacústica. Fiz questão de escrever um capítulo sobre a utilização dos meios eletrônicos no rock e no cinema. Deve ser a única obra brasileira que aborda esse assunto. Extraí um trecho do livro como exemplo: “o uso provocativo das técnicas eletrônicas no rock e na música pop foi utilizado na década de 1960 através da banda Beach Boys, que utilizou transformações da voz gravada em fita e sons do Theremin na canção ‘Good Vibrations’ (1966) e ‘She’s Goin Bald’ (1967). No álbum dos Beatles ‘Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band’ (1967), foram realizadas transformações do som através de técnicas de estúdio baseado em gravadores de fita. Músicos de jazz, rock progressivo e instrumental fusion iniciaram suas incursões na eletrônica no início da década de setenta, quando obtiveram acesso aos primeiros sintetizadores comerciais... “. Espero que seja um contribuição para os músicos e interessados no assunto e que sirva para elevar ainda mais a qualidade do ensino em música no nosso país.

Eloy Fritsch utilizando o sintetizador modular Roland System-700
Você tem planos para escrever mais livros sobre esse assunto, ou correlatos?

Inicialmente eu queria publicar minha Dissertação de Mestrado e, após, minha Tese de Doutorado. Mas optei por fazer um trabalho diferente e mais acessível. O livro foi o resultado da pesquisa que realizo na UFRGS (NR: Universidade Federal do Rio Grande do Sul) desde 1992, quando ingressei no Programa de Pós-graduação. Depois de lecionar por 9 anos no Centro de Música Eletrônica da UFRGS (www.ufrgs.br/musicaeletronica), resolvi publicar um material com base na experiência adquirida. Os meus alunos colaboraram com gráficos e imagens para tornar o conteúdo ainda mais didático. O projeto do livro foi financiado pela Pró-Reitoria de Pesquisa da UFRGS, depois que venceu o edital Pesquisa em Sala de Aula, ao concorrer com vários projetos de professores doutores de diversas áreas do conhecimento. Por isso valorizo essa obra, já que foi escolhida como um dos melhores trabalhos desenvolvidos na Universidade no ano de 2006. Tenho investido muito tempo em realizar projetos que contribuam para a sociedade de alguma forma. Mas preciso de tempo para ficar no estúdio e criar. Ano que vem vou procurar compor mais, e deixar os livros para o futuro. Para quem desejar visitar minha página na Internet aí vai o endereço: www.ef.mus.br .

Eloy Fritsch no estúdio com seu Minimoog de 1973

Website oficial:
http://www.apocalypseband.com

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Sobre Rodrigo Werneck

Carioca nascido em 1969, engenheiro por formação e empresário do ramo musical por opção, sendo sócio da D’Alegria Custom Made (www.dalegria.com). Foi co-editor da extinta revista Musical Box e atualmente é co-editor do site Just About Music (JAM), além de colaborar eventualmente com as revistas Rock Brigade e Poeira Zine (Brasil), Times! (Alemanha) e InRock (Rússia), além dos sites Whiplash! e Rock Progressivo Brasil (RPB). Webmaster dos sites oficiais do Uriah Heep e Ken Hensley, o que lhe garante um bocado de trabalho sem remuneração, mais a possibilidade de receber alguns CDs por mês e a certeza de receber toneladas de e-mails por dia.

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