Metallica: "melhor disco dos últimos 15 anos"

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Metallica: "melhor disco dos últimos 15 anos"

Traduzido por Carlos Tourinho | Fonte: Metallica Remains

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O site Krone.at da Áustria conversou recentemente com o guitarrista do METALLICA, Kirk Hammett. Segue abaixo a transcrição da entrevista completa, conforme tradução publicada no Blabbermouth.

Krone.at: Estamos ansiosos para ver o Metallica na turnê "Sick of the Studio '07". Você já está sentindo os dedos coçarem?

Kirk Hammett: "Ah sim, época de verão é sempre uma boa hora para sair e fazer uns shows. É a época dos festivais e a temperatura está agradável e quente, todos estão de bom humor. É bem divertido pra gente e muito conveniente sair e fazer alguns shows no verão. Não que estejamos cansados do estúdio como pode parecer, nós só queremos sair e tocar e nos divertir. E não perder contato com aquilo que somos, uma banda ao vivo. Soa como se tivéssemos passados os dois últimos anos no estúdio. Embora tenhamos feitos alguns shows no ano passado, ainda assim parece que temos permanecido no estúdio por uma eternidade".

Krone.at: Então é algo meio como um sintoma de abstinência.

Kirk Hammett: "Sim, exato. Nós precisamos de tratamento!"

Krone.at: Eu tive o prazer de ver o show de vocês no festival Novarock do ano passado. Aquele que vocês tiveram Lemmy Kilmister e o cara do Alice in Chains no palco...

Kirk Hamett: "Sim, eu lembro. Foi divertido..."

Krone.at: Sabe, as pessoas ainda estão falando do show por aqui. Foi tão fantástico assim do seu ponto de vista também?

Kirk Hammett: "Bem, quando conseguimos chamar o Lemmy ao palco e tocar algumas músicas com ele, sempre é fantástico. Pois ele é o cara, um dos avôs do Heavy Metal".

Krone.at: Você se lembra de mais alguma coisa da Áustria ou daquele dia?

Kirk Hammett: "Vejamos. Bem, eu toquei uma série de músicas do álbum 'Master of Puppets', nós tocamos com Lemmy e então ele se foi (risos). Mas a Áustria é um lugar simplesmente bonito, Viena é uma bela cidade com muita história e belos museus. Eu sempre gosto de vir pra cá, com certeza..."

Krone.at: Eu não consigo te imaginar vendo um museu em Viena...

Kirk Hammett: "Sim, eu já fui a alguns deles. Eu gosto de museus, acredite ou não!"

Krone.at: Certo, me convenceu. Aliás, por que "Sick of the Studio" ("Cansado do Estúdio", em português)? Você diria que é viciado em animar o público?

Kirk Hammett: "Totalmente! Se eu tocar minha guitarra e olhar para o lado, vou querer ver os outros três caras da banda ou 30 mil pessoas vibrando (risos)? Depende do meu humor. Se eu estiver com vontade de fazer algumas coisas criativas, escrever algumas músicas, gravar um álbum, então eu prefiro olhar para o resto da banda. Mas se eu estou com vontade de simplesmente quebrar tudo e me divertir e tocar nosso melhor material, então eu prefiro olhar e ver 30 mil fãs ao redor".

Krone.at: Vocês estão tocando com várias bandas na turnê, a maioria delas dos EUA mas todos os shows são na Europa. Seu continente é melhor para tocar rock?

Kirk Hammett: "De forma alguma! Sabe, a Europa em geral aprecia muito mais Heavy Metal do que as outras regiões. O gênero nunca saiu de moda na Europa, só ficou meio de lado. Já o Heavy nos EUA era popular há quinze anos, mas entrou em declínio e agora está ficando popular de novo. Vamos onde as pessoas apreciem nossa música. Eu não quero dizer que não há gente que não goste da coisa nos Estados Unidos - eu só quero dizer que há mais gente na Europa apreciando nossa música e o Heavy Metal em si".

Krone.at: Existe também uma diferença entre o temperamento das pessoas?

Kirk Hammett: "Quando a gente vêm à Europa, a platéia vai a loucura! (risos) Eles são muito passionais com nossa música. Nós podemos dizer - é muito óbvio pra gente, quando nós tocamos músicas como a platéia reage a nossa música - os europeus ficam loucos! Eles são muito mais informados sobre a banda, eles sabem mais sobre a banda e sua história. E também sobre a música e as letras. Vai além da popularidade, na Europa eles realmente se aprofundam para conhecer a banda".

Krone.at: Você pode falar alguma coisa a respeito do novo disco no qual estão trabalhando?

Kirk Hammett: 'É o melhor álbum que nós gravamos há, digamos, quinze anos".

Krone.at: Oh, mas isso deixa de lado muitos trabalhos que vocês fizeram!

Kirk Hammett: "Sim, é nosso décimo primeiro álbum de estúdio, mas nos parece ser o sexto. Traz músicas espetaculares. Desta vez não estamos com medo de fazermos referências ao nosso passado musical para criar música do futuro. As pessoas verão que nós meio que abraçamos nosso antigo vocabulário de novo e estamos usando esse vocabulário para expressar coisas novas. Eu estou muito animado em finalizar este álbum e lançá-lo, para que possamos sair e tocar para as pessoas. Podemos ter alargado muito nosso foco nos últimos quinze anos, mas sempre voltamos a aquilo que originalmente somos e temos sido. Eu acho que com este trabalho nós definiticamente vamos retomar um pouco das nossas origens".

Krone.at: Isto significa que vocês estão considerando o "St. Anger" como o início do retorno à crueza!?

Kirk Hammett: "Sim, é tudo super cru! Existem algumas músicas nesse álbum que são tão rápidas, que James e eu meio que olhamos um para o outro e dissemos, 'Ouch! Meu punho vai cair'. Têm várias músicas muito, muito rápidas, muitas coisas muito pesadas. Nós mudamos nossa forma de compor, todos nós estivemos escrevendo material dessa vez. Também mudamos nossa afinação. No 'St. Anger' nós usamos as guitarras com afinação bem grave. Mas desta vez nós retomamos as afinações como eram nos primeiros cinco álbuns. Por causa disso, a voz do James soa mais como ela era nos anos 80 do que nos anos 90. Fizemos várias mudanças, mas eu acredito que todas para melhor".

Krone.at: Houve uma necessidade de voltar às origens e evitar melodias e coisas lentas por causa do surgimento de grupos como 30 Seconds To Mars, por exemplo, ou alguma outra banda emo, de new metal, ou algo do tipo?

Kirk Hammett: "Bem, sabe. Eu não entendo esse emo, o que a descrição significa".

Krone.at: Eu também não...

Kirk Hammett: "Pois é, toda vez que eu pergunto para meus amigos sobre essas coisas, eles sempre me respondem com algo que não explica nada (risos). Vou te dizer, existem algumas músicas melódicas que nós escrevemos, coisas com muita melodia. Eu mesmo gostaria de ver essas músicas no álbum. Mas não sei se elas vão permanecer ou não. Nós temos muitas músicas, mas só nove ou dez vão entrar de fato no disco. E algumas são mais lentas e melódicas - mas elas têm peso em algum ponto".

Krone.at: Sua música geralmente lida com raiva, ódio e sentimentos - tirando o lado emocional, essas coisas aparecem mais do que em Óperas. Você acha, especialmente pra você, a música é um bom modo de expressar ódio, lidar com a raiva e aliviar?

Kirk Hammett: "Sim, certo. Eu concordo com isso. Sei que quando eu estou realmente bravo, muito nervoso e quero descontar em alguém, tocar este tipo de música me faz sentir muito melhor, pois posso simplemente gritar e berrar e detonar - e depois eu me sinto muito melhor. Eu me sinto muito melhor do que ir ao Wal-Mart, pegar uma arma e ir a uma escola atirar em trinta pessoas. Sabe o que eu quero dizer? O lado terapêutico da música é muito grande e valioso, pois evita que as pessoas façam coisas drásticas e tomem medidas extremas. Sabe, se todas as pessoas fossem a um show de Heavy Metal de tempos em tempos, existiria menos crimes no mundo. As pessoas sempre se livrariam se sua raiva, e sempre haveria algo do Heavy Metal nelas".

Krone.at: Estamos ansiosos pelo décimo primeiro álbum de estúdio de vocês, como você disse. Metallica faz 26 anos este ano; o que faz com que vocês ainda busquem desafiar seus limites, sua carreira e o gênero do Metal em si? Qual a competição?

Kirk Hammett: "Eu acho que competição está em tentar comparar com o que você fez no passado. Competir com você mesmo. Nós estamos nisso há tanto tempo, como você disse, 25, 26 anos - eu perdi a conta. Mas eu não sei arrumar um banheiro, Lars não sabe arrumar um carro - James provavelmente sabe (risos). Nós fazemos música e queremos fazer a melhor possível. Queremos fazer músicas que marquem e que estimulem criativamente. Para mim esse é o desafio, vir com algo novo e criativo. Criar grandes músicas e então sair por aí e se divertir. Para mim, essa é competição de verdade, de ver se conseguimos fazer melhor do que da última vez. No passado, eu seria o primeiro a admitir que nós, algumas vezes, não fomos tão bons como já fomos. Ou nós não fizemos isso tão bom quanto da vez passada. Mas o fato de ainda queremos fazer é muito importante. Nós ainda queremos sair em turnê e fazer álbuns e fazer o melhor que conseguirmos".

Krone.at: Mas deste ponto de vista, é uma história sem fim, não é? Você consegue imaginar, só imaginar, em colocar um fim a isto em algum ponto do futuro?

Kirk Hammet: "Bem, esta é uma boa questão e eu não sei se eu consigo responder. Os Rolling Stones - Keith Richards tem sessenta anos e ainda está na ativa, e eu percebo que ele ainda ama isso. Mick Jagger, Ron Wood - estes caras ainda estão se divertindo. Enquanto eles conseguirem, estarão esticando o limite de idade para fazer esse tipo de coisa. Se Keith Richards tem sessenta anos e ainda está fazendo isso - por que eu não poderia fazer quando eu tiver sessenta anos? Pode ser meio divertido tocar 'Seek and Destroy' quando tiver sessenta anos. Mas se as pessoas ainda quiserem ver a gente tocar 'Seek and Destroy' quando tivermos sessenta anos - eu farei isto sem pestanejar!"

Krone.at: Quando foi o último dia que você se lembra em que você não tocou em nenhuma guitarra?

: "Hmm... Provavelmente semana passada. A razão foi meu bebê. Eu estive o dia inteiro fazendo coisas ligadas a ele..."

Krone.at: Pelo menos uma boa desculpa...

Kirk Hammett: "Sim! (risos). Eu ainda tento tocar guitarra o máximo que consigo, ainda mais agora que estamos em estúdio".

Krone.at: Eu estava bem no meio do público durante o show de vocês no ano passado no festival Novarock. O que eu percebi foi que as pessoas começaram a agitar os punhos assim que vocês entraram no palco. Antes disso, com todas as outras apresentações, as pessoas só faziam essa coisa de yeah, com os dois dedos levantados. Você tem uma explicação para isso?

Kirk Hammett: "Eles acreditam na gente. É a única explicação que posso dar. Eles acreditam no poder de nossa música, no fato de que podemos dar isto a eles. Eles acreditam naquilo que temos a dizer musicalmente e liricamente. Eu acho que é isso. Ou isso, ou eles estão realmente bravos conosco (risos). Não, estou brincando. Eles realmente acreditam na gente e no que temos a dizer, pois nós estamos trabalhando duro e isso é bom, ver outras pessoas reconhecerem aquilo que acreditamos e ao mesmo tempo aceitar isto. É muito bonito e - não só é bonito mas tem tanta integridade. É algo grande e poderoso. Eu me sinto muito sortudo de estar em um lugar em que pessoas completamente estranhas mostram sua crença naquilo que estão fazendo".

Krone.at: O Heavy Metal está associado com um modo distinto de se vestir e de se comportar. Sabe, aquelas roupas de couro, as camisetas de bandas, e essas coisas; o que você acha que mais fascina no gênero, a música ou as pessoas no Heavy Metal?

Kirk Hammett: "Repetindo, as pessoas acreditam nisso, por serem renegadas. Existem muitas pessoas rejeitadas, rebeldes, que não se encaixam por algum motivo. Sabe, ser parte de um movimento ou um movimento musical como o Heavy Metal dá as pessoas que nunca se encaixaram um motivo para se encaixar. Heavy Metal provê o visual, uma atitude, um modo de pensar e um modo de beber (risos) para as pessoas que não se encaixam nos padrões normais de vida. É por isto que o Heavy Metal atrai tantas pessoas diferentes. É por isso que eu acho que o gênero é realmente compreendido pelo mundo todo. Ao contrário de música latina, por exemplo, que dificilmente é compreendida se você não fizer parte da cultura ou pelo menos conhecê-la bem. Metal não é ligado a nenhum tipo de etnia ou tradição; embora seja uma tradição por si só, mas não é tradicional. Você pode vir de qualquer lugar, África, Austrália ou Argentina e ouvir Heavy Metal e entendê-lo. Repito, esta é a coisa mais poderosa do estilo. É uma coisa incrível para mim, assistir, viajar pelo mundo e ver todas essas pessoas diferentes, vibrando com um tipo só de música e um tipo de atitude. É incrível. Heavy Metal é uma espécie de música bem humana. Humana! Eu amo isso!"

Krone.at: Já que falamos de aparência e sentimentos... Último pergunta: Por quanto tempo você vai manter esse seu corte de cabelo? Quinze anos? Vinte anos?

Kirk Hammett: "Você está dizendo, quando eu vou cortar? Não, quero dizer, se eu quero manter este visual, é isso que você está perguntando?"

Krone.at: Sim, basicamente...

Kirk Hammett: "Bem, eu tenho cabelo comprido desde que me lembro. Não, eu não vou cortar! Mas ele começará a cair..."

Krone.at: Então, com sessenta, você tocará careca - e alto...

Kirk Hammet: "Sim (risos) careca e alto, alto e careca..."

Krone.at: Obrigado pela entrevista, Kirk.

Kirk Hammett: "Sim, te vejo na Áustria".

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Sobre Carlos Tourinho

Carlos Tourinho 'tenta' ser economista, além de tradutor nas horas vagas. Fã desde criança de Rock and Roll, por influência do pai músico, desde cedo teve contato com a cena rocker da Bahia, como Marcelo Nova e Raul Seixas, que frequentavam sua casa. Hoje morando no Ceará, curte de tudo um pouco, desde Bob Dylan, passando por Faith No More a Mastodon. Mas seu coração (e cabeça) bate mais forte pelo Thrash Metal de bandas como Metallica, Anthrax e Slayer, e pelo Stoner Rock de Kyuss, Monster Magnet e Fu Manchu. Fanático por Cultura Pop, geralmente é fonte de consulta de seus amigos acerca dos mais variados assuntos sobre cinema, música e literatura. Acredita que Deus é uma mistura de Mike Patton, Martin Scorsese e Bill Waterson.

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