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Capital Inicial: Ainda não é hora de gritar "Viva a Revolução"

Resenha - Viva a Revolução - Capital Inicial

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Por Fábio Cavalcanti
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Nota: 4

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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Como eu disse em minha resenha sobre "Fuck", da banda californiana Buckcherry, a indústria musical tem se focado cada vez mais no formato EP (extended play), o que resultou em uma teoria artística de que as bandas não precisam mais colocar "enchimentos de linguiça" em seus trabalhos, visto que os EP's podem trazer apenas as 4 a 7 músicas que "realmente importam". Mas, o que falar de um EP em que suas poucas músicas soam como "enchimentos"?
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Esse é o caso de "Viva a Revolução", a estreia do Capital Inicial no mercado de EP's. Temos aqui uma espécie de continuação do caminho torto e pseudo-jovial que a banda vem exibindo desde o vergonhoso "Rosas e Vinho Tinto" (2002). Após o levemente interessante álbum "Saturno" (2012), em que a banda chegou perto de reencontrar a sua velha atitude musical e criatividade nas letras, Dinho Ouro Preto e sua trupe conseguiram a façanha de pisar na jaca mais uma vez...

O "conceito" do EP se divide em canções políticas e baladas românticas, mas sempre com um verniz sonoro mais suave, como quem quer dizer "cara, ainda sou um cara engajado, cara, mas... cara, por outro lado, eu estou em uma onda mais light também, cara". Nessa brincadeira, somos apresentados a um single insípido de folk rock intitulado "Melhor Do Que Ontem" e a um rock absolutamente sem energia - e ironicamente profético quanto à sua qualidade musical final - chamado "Tarde Demais".

Na faixa-título "Viva a Revolução", a banda tenta se aproximar do mix de pop/rock com música eletrônica (com direito trechos dispensáveis de hip hop do Cone Crew), como se quisesse atrair fãs de um Imagine Dragons da vida... Sua letra politizada acaba ficando no meio do vazio, quando percebemos que a música não traz mais do que a imagem de jovens indo à luta nas ruas com a energia de quem acabou de beber uma dose de vodka com rivotril.

Em "Não Tenho Nome" e "Bom Dia Mundo Cruel", a mistura de rock com eletrônica traz um som mais energético e promissor, seja em termos de arranjos e produção como também em suas letras, que conseguem ser engajadas dentro de uma esfera mais realista e adulta. Porém, qualquer expectativa gerada aqui acaba indo por água abaixo quando somos apresentados à balada final "Coração Vazio", canção acústica sem sal que nos traz um sentimento não muito distante do seu próprio título...

Claro que toda banda com um mínimo de ousadia merece algum ponto por tentar algo diferente. E o fato é que temos aqui um Capital Inicial que ao menos tentou algo diferente em metade de suas novas músicas, com bons resultados em apenas duas delas. Por outro lado, esse EP é apenas uma prova de que a banda precisa de mais um tempinho em estúdio antes de gritar "Viva a Revolução!" com base na qualidade do seu próprio trabalho. Quem sabe na próxima, não é?

Músicas:
1. Melhor Do Que Ontem
2. Tarde Demais
3. Viva A Revolução [Part. Cone Crew]
4. Não Tenho Nome
5. Bom Dia Mundo Cruel
6. Coração Vazio
7. Viva A Revolução [versão 2 - faixa bônus]

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Sobre Fábio Cavalcanti

Baiano, sempre morou em Salvador. Trabalha na área de Informática e ¨brinca¨ na bateria em momentos vagos, sem maiores pretensões. Além disso, procura conhecer novas - e antigas - bandas dos mais variados subgêneros do rock. Por fim, luta para divulgar, sempre que possível, o pouco conhecido cenário rocker da tão sofrida ¨Terra do Axé¨.

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