Para muitos, Daniel Gildenlow pode ser apontado como um dos melhores compositores do rock/metal progressivo contemporâneo. Não por acaso que o músico sueco conquistou esse rótulo. O currículo do PAIN OF SALVATION, verdadeiramente consistente desde que produziu o álbum “The Perfect Element” (2000), possui uma riqueza incomparável de referências que encontrou provavelmente o seu ápice em “Road Salt One”. As influências dos anos 70 deram um novo e interessantíssimo contorno às particularidades sonoras da banda.
Nota: 9 








O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

Na versão digipack de “Road Salt One” existem pequenas mudanças em relação ao formato tradicional do disco. De certa forma, a inclusão da ótima introdução “What She Means to Me” pode ser apontada como a principal novidade entre as duas edição. De resto – além da bonita embalagem –, apenas um minuto e meio a mais em “No Way”, provavelmente a faixa mais intensa e qualificada da obra, que pouco influenciou o resultado final. Daniel Gildenlow (vocal, guitarra e baixo), Johan Hallgren (guitarra), Fredrik Hermansson (teclado) e Léo Margarit (bateria) acertaram em cheio na abordagem mais crua e visceral dada ao rock progressivo aqui. Outras faixas mais cadenciadas – uma marca profunda na trajetória do PAIN OF SALVATION – como “She Likes to Hide” e “Sisters” aparecem com destaque no repertório do disco.
Embora bastante descaracterizado em relação aos seus primeiros registros de estúdio – fator que certamente deve torcer o nariz de muito fã conservador –, o quarteto sueco possui em sua imprevisibilidade musical a sua maior qualidade nessa nova empreitada. As influências são ricas e as faixas são extremamente diferentes entre si. Porém, nada soa perdido em uma salada de música progressiva sem sentido. A genialidade de Daniel Gildenlow está justamente na sua capacidade de unir cada uma dessas partes tão ímpares de “Road Salt One” em um único contexto maior. Depois da introspectiva “Of Dust” (outro destaque do álbum), os suecos mostraram uma ótima pegada nas mais agitadas “Tell Me You Don’t Know” e “Linoleum” – outra faixa sensacional criada pelo PAIN OF SALVATION aqui.
O lado mais obscuro de “Road Salt One” possui em “Darkness of Mine” o seu principal representante. O restante do álbum – muito mais direto se comparado com os antecessores “Scarsick” (2007) e “Remedy Lane” (2002) – passa com naturalidade diante dos ouvidos dos fãs (até mesmo dos mais atentos e exigentes). Na média de quatro minutos, músicas como “Curiosity” e “Where It Hurts” intercalam as facetas mais viscerais e obscuras do rock/metal progressivo do conjunto, mas infelizmente sem o mesmo brilho de outras faixas. Embora com as mesmas características, a cadenciada “Road Salt” e a relativamente agitada “Innocence” encerram o álbum mesmo o mesmo pique do seu início – é verdade – mas de modo muito eficiente.
Por mais que seja denominado como um álbum transgressor, “Road Salt One” evidencia uma evolução extremamente natural e bem arquitetada na sonoridade do PAIN OF SALVATION. O novo álbum do conjunto – mesmo que difícil de rotular ou de comparar com os antecessores – é um registro imponente e importante para a carreira dos suecos. A performance coesa de Daniel Gildenlow & Cia. contornou o disco do início ao fim e é claramente o fator que diferencia o PAIN OF SALVATION de muitos outras bandas que ainda buscam o seu devido lugar ao sol. Em prova, a originalidade – e a genialidade do seu principal compositor – é o que prevalece aqui em quase uma hora de rock/metal progressivo.
Track-list:
01. What She Means to Me
02. No Way
03. She Likes to Hide
04. Sisters
05. Of Dust
06. Tell Me You Don’t Know
07. Sleeping Under the Stars
08. Darkness of Mine
09. Linoleum
10. Curiosity
11. Where It Hurts
12. Road Salt
13. Innocence
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Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.
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