Resenha - Battle - Allen / Lande
Por Maurício Gomes Angelo
Postado em 26 de dezembro de 2005
Nota: 8 ![]()
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Engraçado como essas coisas surgem. Magnus Karlsson, um desconhecido sueco, me aparece com um álbum onde temos Russel Allen (Symphony X) e Jorn Lande (Masterplan), dois dos melhores vocais da atualidade, desfilando sua competência num estilo diferente do habitual e dividindo os trabalhos em algumas faixas. Quero ser surpreendido por projetos obscuros assim no futuro. Quem sabe um com Tom Englund, Zak Stevens e Geoff Tate? Fica aí a sugestão para algum outro intrépido compositor.

Este álbum vem num momento oportuno, já que Jorn Lande sempre teve sua carreira solo, além de previamente ter cantado em bandas musicalmente díspares do Masterplan, e Russel Allen lançou, também em 2005, seu primeiro álbum solo, o "Atomic Soul", se distanciando do Symphony X. Se tudo calhou para dar certo, eu é que não vou reclamar, você vai?
As composições de Magnus Karlsson estão na linha do típico hard rock europeu, estilo Malmsteen e Talisman, por exemplo, ora puxado mais pro AOR, ora para o metal. São 12 faixas, 3 para Allen, 3 para Jorn e 6 onde os dois dividem os vocais. Aliás, o título e a arte gráfica, evocando a tal "The Battle", é assaz marqueteiro, pois não há nenhuma espécie de duelo aqui. Claro, é tentado passar a idéia de um torneio onde Russel e Jorn iriam guerrear para ver quem é o melhor (vide a capa). Mas tal conceito é absolutamente inadequado, os dois apenas tentam fazer o melhor dentro das estruturas já previamente definidas por Karlsson.
Esperava mais. Não é o arregaço que parece. Temos ótimas músicas (daquelas primorosas e raras, que quase escondem as falhas da bolachinha) em meio a outras bem razoáveis e medianas, que nada trazem de relevante ("Another Battle", "Hunter’s Night", "Truth About Our Time" e "Ask You Anyway"). Estas seguem muito fielmente a cartilha de "como escrever uma música de hard rock mezzo pesada mezzo melódica tentando agradar o ouvinte", em suma, são muito forçadas e comuns.
Agora as ótimas. "Reach A Little Longer" é uma das melhores baladas que já ouvi. Grudenta como as mais grudentas do Kansas, bela como as mais belas do Savatage e emotiva como as mais arrebatadoras do Styx, "o" momento de Jorn Lande. Falando em refrães marcantes, confira os de "Come Alive" e "Where Have The Angels Gone". Por sua vez, "Universe Of Light" é a hora de Russel Allen impressionar. Peso, quebras de ritmo e linha vocal cativante, acertada e diferenciada. "Silent Rage" é a que melhor trabalha o potencial dos dois, além de contar com o solo mais rebuscado do play. "The Forgotten Ones", mid-tempo, encerra em grande estilo, mas não te deixa catatônico.
Magnus Karlsson compôs um material admirável, certamente, com alguns ótimos riffs e melodias, entretanto, não chegou a produzir "aquela" obra que teve a oportunidade. Para os amantes do rock melódico, imprescindível. Já os demais podem ouvir, mas com algumas ressalvas.
Formação:
Russel Allen (Vocal)
Jorn Lande (Vocal)
Magnus Karlsson (Guitarra/Baixo/Teclado)
Jaime Salazar (Bateria)
Hellion Records – 2005.
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