Blackberry Smoke voltou para Porto Alegre com a casa cheia
Resenha - Blackberry SMoke (URB Stage, Porto Alegre, 08/04/2026)
Por Rudson Xaulin
Postado em 10 de abril de 2026
Uma das bandas mais legais que os anos 2000 produziu, o BLACKBERRY SMOKE, voltou a Porto Alegre, e o lugar escolhido desta vez foi o URB STAGE, e com casa cheia. Na nova passagem pela capital gaúcha, que antes havia tocado no BAR OPINIÃO, ficou claro que o público da banda cresceu por aqui, com um local com o dobro da capacidade do velho OPINIÃO. Quem sabe na próxima, não veremos os "meninos" lá pelas bandas do antigo PEPSI ON STAGE, lotado? A banda merece, não deve ter força e tempo, para um show de estádio, mas, por culpa do tempo? Da incapacidade da banda? Do mainstream barrar o rock n' roll? Não, a culpa é do próprio rocker, o mala! Mas, isso é outro assunto...

Entorno com cara de show grande: Filas enormes, muitos ambulantes vendendo as bugigangas da banda (faltou um bandeirão, pessoal, falha grave!), muitas carrocinhas de comes e bebes e muita gente faceira na fila, ansiosas, e isso já dizia que a noite seria impecável, ou quase. Organização tranquila, pessoas da produção, seguranças, todo mundo muito, mas muito educados (o que, acredite, não é normal). Todo pessoal envolvido no show, estava de bom humor, gentis e solícitos, do cara lá na revista, ao cara cuidando do banheiro (isso não é normal, deveria, mas não é, então toda essa galera está de parabéns!). O ponto negativo veio do som: A saída de voz do vocalista CHARLIE STARR (uma figura ímpar), deveria estar um pouquinho mais alta, até pela distorção das guitarras, que muitas vezes abafaram a voz dele, mesmo ele lá, a plenos pulmões. E os teclados, esses estavam lá só de enfeite, quase nulos de se ouvir, e sendo que os teclados do BLACKBERRY SMOKE são um deleite, mas infelizmente, se ouviu pouco. Uma pena que nosso "vampiro southern" (BRANDON STILL), ficou lá, apagado em som e em luz. Mal dava para ver o cara lá no escuro, coitado, nenhuma luzinha no "ómi"!?
A sensação de tomar uma dose de whisky, cowboy sem gelo, ouvindo SIX WAYS TO SUNDAY ao vivo, é quase sem explicação. Um gole, os caras no palco, muitas memórias legais com as músicas desses malucos. Fechar os olhos, whisky + SIX WAYS TO SUNDAY dominando o lugar de assalto, o chão tremendo, STARR tirando onda com a voz afiada e guitarra estridente (o cara é o fino do rock n' roll puro) e nada poderia ser melhor que isso. Eu tenho um bar enorme e funcional em casa, com mesa de sinuca, fliperama, um velho Opala 1979 seis cilindros que fica ligado, fazendo aquele som lindo, enquanto o BLACKBERRY SMOKE ecoa lá por casa, foi um deleite que eu esperei por muito tempo para ouvir ao vivo. Assim como PRETTY LITTLE LIE, que soou apoteótica ao vivo, pedrada! No clipe, o Camaro está lá, o lance de bar, sinuca, então, foi o que me passou na cabeça, quando a banda dominou o público com maestria, música após música...
Acho que a cozinha da banda, é de uma união coesa e firme, mesmo com o baterista KENT sendo o "novato", ele já é de casa. Sentimos falta de BRIT? Sim, como sempre sentiremos... BENJI é tão calmo, tão focado no público, olhos quase fechados tentando ver todo mundo que podia, e do nada ele brilha, sola e a cada troca de guitarra (uma mais linda que a outra), ele mostra, com facilidade um puro suco de talento refinado. BENJI é muito, mas muito acima da média. Assim como o sorridente (e possivelmente o cara mais feliz do lugar), o outro guitarrista PAUL JACKSON, que cara carismático! O público se divertiu, mas ninguém se divertiu como ele, e que casamento perfeito entre "simpatia e competência". JACKSON é outro show à parte, fora o auxílio nos vocais, além de essenciais, mas feitos com muito talento. A banda é muito entrosada e afinada, a sobriedade e a frieza estão com TURNER, mas o grupo como um todo, é muito acima do senso comum de "uma banda tocando ao vivo". O que é muito diferente de "uma banda fazendo um show", e era isso que o BLACKBERRY SMOKE estava fazendo e entregando: Um baita show!
STARR é mais um show à parte, completo. Showman clássico a frente da banda, que muitas vezes rouba a cena por competência e excentricidade. A banda bebe em LYNYRD, ALLMAN, ZZ, até visualmente STARR em SMOKIE, o cara é uma figura! Uma clara alusão do que é uma banda de southern rock real, com os pés no redneck local, te transportando para lugares que você nunca foi, imaginando as cenas de lugares que você nunca esteve, e isso é uma marca registrada de uma banda, e poucas bandas, conseguem fazer isso. Por algum momento, eu queria pegar a estrada em um trailer, depois eu queria construir eu mesmo uma cabana na beira de um lago, caçar com uma espingarda fedendo a chumbo e tirar onda em qualquer barzinho de beira de estrada. STARR é a figura central dessa ilusão sonora, e visual, que te transporta, sem esforço e sem esconder, para a essência do berço da banda e de onde eles vieram. RUN AWAY FROM IT ALL, deixou isso mais claro ainda e ao vivo. Que pancada!
Eu senti muita falta de PRAYER FOR THE LITTLE MAN, essa não deveria ter ficado de fora, foi uma pena mesmo. Assim como eu queria ter ouvido a força de FLESH AND BONE ao vivo, e vi muitas pessoas gritando por ela, mas sem sucesso... Um bom auge foi em COME TOGETHER, que entrosou mais ainda "banda e público", mas eu ainda teria preferido ouvir as citadas acima, que não vieram. Tivemos espaço para AIN'T GOT THE BLUES, AZALEA e também GOOD ONE COMING ON... Mas, onde tudo veio abaixo foi, e não teria como não ser, em ONE HORSE TOWN. Onde STARR deu uma deixa do público cantar em coro uma parte e depois sorriu, quando quase foi abafado pelo público que mostrou com força, que essa já é um hino. ONE HORSE TOWN foi "a música do show", foi ela quem nos deu aquele mar de celulares (atrapalhando quem só queria ver o show) e foi ela quem deu mais trabalho de ouvir a banda, o barulho foi estrondoso, que força de música ao vivo! Ainda bem que STARR meteu aquele chapéu mais ao final do show, a cena merecia a cereja do bolo, no visual, e tivemos. O show foi mais longo que o habitual, abriu bem a passagem pela América do Sul, e que eles voltem logo! Agora é hora de ligar o velho Opala, pegar a estrada ao vento, e ir descansar no sítio, ver o riacho e apreciar meu whisky com a esposa e parceira. A vida é boa, e BLACKBERRY SMOKE faz ela melhor...
Rudson Xaulin é escritor, com mais de 200 livros escritos e publicados.
http://www.instagram.com/rudsonxaulin/
http://www.rudsonxaulin.com
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