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Guns N' Roses - Resenha do show em Porto Alegre

Resenha - Guns N' Roses (Jockey Club, Porto Alegre, 01/04/2026)

Por Rudson Xaulin
Postado em 02 de abril de 2026

Pela quinta vez, o GUNS N' ROSES mudou a rotina de Porto Alegre, no primeiro show da turnê aqui pelo "Brasa" (primeira vez que uso essa expressão "tão usada por BRs que nunca" usaram...). E sim, um show desse porte, agita toda uma região metropolitana, a economia local, tinha gente da Argentina, Paraguai, Uruguai e um cara que veio do Acre (quando ele saiu de lá, acariciou seu Velociraptor de estimação, e caiu na estrada!), ou seja, com ingressos mais em conta, aquele lugar estaria transbordando gente, mas tínhamos lá cerca de 25 mil pessoas segundo os organizadores, perto de 30 mil segundo a PM e eu chuto 35.718,5 pelo que eu consegui contar ainda sóbrio (alguém mais viu aquele menino de "mini Axl" dos anos 90?)... E o ponto do valor dos ingressos, pelo menos das centenas de pessoas que vieram me dizer que não iriam conseguir ir ao show, era justamente o preço das entradas. Como se eu pudesse fazer algo, falar com alguém, conseguir uma cortesia, eu até poderia, mas não para centenas de pessoas, eu juro, se eu pudesse, todo mundo que veio falar comigo, estaria comigo lá no show. Eu já produzi shows também, e sei como o "número a ser atingido" funciona, mas vamos deixar isso para outra conversa... A turnê que abriu a série de shows em solo brasileiro, que tem aquele nome esquisito, BECAUSE WHAT YOU WANT AND WHAT YOU GET ARE TWO COMPLETELY DIFFERENT THINGS, basicamente, uma piada de AXL ROSE - além dele ser um ótimo contador de piadas, faz isso até no meio do show, quando conta alguma piada para os músicos em cima do palco, e se você já viu alguém rindo do nada lá em cima, é ele e suas piadas - Como também o nome da penúltima turnê, também é outra piada dele sobre uma declaração feita muitos anos atrás, sobre não se reunir com a trupe, "não nessa vida", e com a reunião do grupo, nome melhor? (NOT IN THIS LIFETIME). Claro que não!

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Foto: Guns N
Foto: Guns N' Roses

O local, JOCKEY CLUB, não é lá grandes coisas para um show bem organizado, mas no que se viu, estava até que ok. Como era esperado, o tal super app moderno não funcionou na hora como deveria, muita gente ficou empacada esperando o lindo app rodar. Era só deixar a galera imprimir a porra do ingresso, e levar lá para o bip, mas não, a "modernidade" que só atrasa (muita gente perdeu lugar na grade, só por esse detalhe). Confusão sobre "Premium e Experience", decepção com camarote ("oi, emoji de palhacinho"). Confusão sobre garrafa de água lacrada ou sem tampa, e também sobre "não pode levar ou usar correntes", mas no corredor onde todo o público passou, correntes penduradas e soltas, o que você acha que se viu, quando o público, beudaço, saiu e passou por essas correntes? Sempre tem os sem noção. Organização de fila, vindo da MERCURY, era o esperando (sem organização das filas, no caso). Quanto a hidratação do público lá na frente do palco, muito acima da média: Não pela produtora, mas por bombeiros e pessoas do staff. Ambulantes lá na rua, encheram mais o saco gritando e empurrando nas filas, do que realmente vendendo algo que todo mundo quer. Além de "produtos oficiais" feitos nos fundos de uma casa no Sarandi, que no fim, "copos não entram", eu sei, todo mundo sabe que não, mas os ambulantes vão avisar os desavisados ("oi, de novo, emoji de palhacinho")? Quanto aos alimentos, mais um emoji de palhacinho aqui: Muita gente comprou lá na hora, pagando R$ 30 ou R$ 50 (eu vi e ouvi), aí, passou um pessoal recolhendo lá na fila e não havia controle nenhum de "de quem deveria trazer e trouxe", e aquele que deveria e pagou R$ 30 ou R$ 50 na hora, viu gente que deveria, que esqueceu, mas entrou de boa sem alimento algum. Banheiros lá fora: Um para homens, trezentos e vinte e todos para mulheres. Fila enorme para as meninas e para os boludos, mas aí: Custa por mais uns três para homens e mais uns cinco para meninas? Isso é tão ridículo e absurdo em shows, que nem faz sentido, sempre está ruim, sempre está errado, e ninguém nunca corrige algo simples (de novo, já produzi shows, sempre foi uma preocupação do povão lá fora, porque os caras já estão na fila, num solão, às vezes na chuva, e um simples banheiro vira artigo de luxo em 2026...)

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A abertura ficou a cargo do HALESTORM (merece uma resenha solo!), o GUNS N' ROSES subiu ao palco um pouco atrasado, mas nada grave, sendo GNR. WELCOME TO THE JUNGLE abriu, sem o tradicional grito de "você sabe onde você está, você está no matinho, bebê, já era procê", mas, ali, o GNR tomou geral de assalto e era possível sentir a vibração do show com todo mundo pulando. AXL faceiro, bem disposto, e assumiu de vez seu lado "senhor rocker"! E logo na sequência, LIVE AND LET DIE, até que uma surpresa, sendo a segunda. Trejeitos de AXL com o microfone estavam lá, dancinhas, se mexe pra cá, pra lá, mas era nítido e notório: O cara precisa de um palco maior e que o leve mais pelas beiradas ao público, outra falha pífia da MERCURY, com aquele palco sem as extensões laterais. AXL deve ter odiado, acredite em mim, ele realmente gosta de ir para os cantos, de ser visto pelo máximo de pessoas que pagaram por isso e o que ele detesta: Ficar lá, procurando o que fazer, enquanto alguém sola. MR BROWSTONE veio e de cara, o novo baterista (ISAAC CARPENTER) mostrou que o show era outro, o cara é muito acima da média, é outro show, com ele lá na batucada. ISAAC, você mandou bem demais!

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CHINESE DEMOCRACY veio, única do álbum homônimo, mesmo com algumas mudanças nela ao vivo, eu gostei do que ouvi (Ron, meu amigo, me perdoe – Ron foi sempre um cara muito legal comigo, que pecado). Uma das melhores ao vivo, na sequência, IT'S SO EASY, com um vocal incrível de AXL, o "chutinho no ar" estava lá e com DUFF brilhando, nosso lorde, o cara legal, sempre sorrindo, de bem com a vida. DUFF é uma referência no baixo para uma geração inteira, é muito bom ver ele recuperado de tudo, felizão, a mulher dele lá (Susan – que é sempre muito bacana com os fãs também) agitando e feliz. AXL muitas vezes vê ela aloprando na beira do palco, e começa a rir. Na sequência foi a vez de SLITHER, o cover de VELVET REVOLVER, que nos dá a deixa de como seria se o VR tivesse gravado aquelas músicas com o nosso canarinho raivoso, e ficaria legal. SLITHER ao vivo ajuda AXL a mostrar que a potência está lá, voz de peito, grave, som da voz fluído e com projeção alta. Muita gente reclama dela estar no set, eu já acho que a única chance de vermos ela ao vivo, já que né, então tio AXL, manda ver! Eu tiraria mais umas duas do set, e colocaria mais umas do VR, fácil, mas isso, sou eu. Foi nela, que AXL "mandou um beijinho" para uma fã, que não deve ter nem dormido ainda. O "ómi" de bom humor, feliz, é outro show!

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E para o deleite de muitos, YESTERDAYS apareceu. Eu gosto muito do clipe dela, e o que eu fiz: Fiquei lá, estático, observando como o tempo passou, e rápido. Para eles, sim, mas e para nós? Também! O clipe é apenas a banda tocando e algumas fotos na tela, ao vivo, foi eles, o tempo que passou, as fotos que vieram na minha mente, e um sorriso no rosto. Os caras fazem parte da minha vida, e por sorte minha, e muito trabalho, eles sabem disso, e eu sou muito grato em poder dizer que um ídolo máximo, sabe da sua existência, é legal, e é algo que não consigo explicar (acho que só quem vive isso, sabe – quando ele veio e olhou fixamente, e sorriu, eu me senti a moça lá do beijinho, me julguem. Minha esposa sorriu, eu fiquei feliz, e a vida é boa!). Depois, homenagem ao OZZY, com SABBATH BLOODY SABBATH dedicada ao nosso eterno Ozzynho, um dos caras mais legais e queridos do rock n' roll, esse vai e já faz falta! Te amamos, OZ! Gostei também de ver PRETTY TIED UP, ah, você acha mesmo que eu esqueci do SLASH? Sim, foi proposital, como AXL brinca nos shows. Lá, também estão os trejeitos de SLASH, o cara é uma caricatura de si mesmo (de forma extremamente positiva), um personagem de HQ vivo, quase um herói que saiu de um filme, com sua guitarra e sua cartola, um ícone, incontestável... "Ahh, mas o fulano é melhor", foda-se, senta lá, mala! SLASH está muito tempo já sem o cigarrinho, sim, mas melhor assim e ele firmão lá. O rapazinho sessentão, está inteiro, íntegro, um deleite de show a parte. SLASH poderia ficar ali na minha frente a noite toda, porque o tempo voa, e é extremamente competente no que faz, mas é divertido, é um bluesman autêntico, o tipo de cara que você senta, toma um goró, e fala sobre carros, guitarras e coisas grotescas que ele gosta, e posta, e ele vai sorrir, acredite em mim, é exatamente isso. Tenho algumas coisas em casa que vieram dele, presentes legais, de um dos caras mais legais, e tímidos, do rock n' roll mundial. Quer saber o quanto eu estou certo? Quando ele cair, e que demore muito, e que eu até vá antes, mas quando ele cair, você vai ter noção do tamanho do cara. Uma lenda, e por sorte e privilégio nosso, vivão! DEAD HORSE não foi a paulada de estúdio que nos acostumamos, talvez a falta da viola, os berros estridentes e a entrada pegada da banda, como no disco, me deixou preso naquela sensação de que o mundo iria acabar sempre que o CD terminava de executar DEAD HORSE, e também senti isso em DOUBLE TALKIN' JIVE, e quer saber? Está tudo bem, de verdade, eu adorei o que eu vi e ouvi.

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Tivemos bastantes novidades no show. NOTHIN' foi a primeira, e soa melhor ao vivo, do que em estúdio. Intercalada com CIVIL WAR que eu queria muito ouvir, e na sequência PERHAPS (que foi a que mais gostei lançada, mas ao vivo, achei as outras melhores, vai entender um escritor, eles são meio doidos, não se apeguem). ATLAS, das novas, soou melhor ao vivo também, e agora, THE GENERAL me deixou encasquetado... ISAAC, o moço novato da linda bateria branca (muito parecida com a dos anos noventa), destruiu tudo em YOU COULD BE MINE, e aqui, REESE fez uma falta, mas, deixa ela resolver as paradas dela lá, logo ela está de volta... E quando AXL fez uma pausa, e deixou DUFF em ATTITUDE, ele brilhou, mas a "muié" dele lá no cantinho do palco, roubou a cena. Aí, tivemos espaço para aquele retorno na sua mete para os DVDs de USE YOUR ILLUSION, SLASH com aquela linda guitarra de dois braços, aquela introdução épica, e lá vem KNOCKIN' ON HEAVEN'S DOOR. Essa, essa te pega, e os filhos da mãe fazem até as mesmas poses, trejeitos e posições, que você via lá nesses DVDs, nos shows antigos ao vivo na internet, está tudo lá, só que aqui, é eles bem na sua frente, sabendo que tem o público na mão. Eu não sinto falta de nada, nem do tempo que passou, nem pedir por volta de A ou B a essa formação, eu realmente acho que eles estão bem assim, e funcionam assim. FORTUS já é minha "memória afetiva", já vi ele ao vivo tantas vezes por aí, que não queria mesmo, que ele saísse da banda, além dele ser um cara extremamente legal com todo mundo e ao vivo, nosso "Putin de Peruca", funciona bem. Os suspensórios que não servem de nada estão lá, lenços pendurados estão lá, gira como um doido (eu fazia muito isso, quando o vinho de pêssego me pegava, pelas quebradas das cidades por onde andei), a diferença, o cara está em um dos melhores empregos do planeta, e deixem ele lá...

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O brilho vai todo para SLASH em seu momento solo, onde ele faz graça, e dá a entender, claramente, que teríamos SCOM na sequência, mas eles mandam ESTRANGED, e ele dá risada (pelo número de celulares prontos para SCOM, e como ele instigou o público, erguendo os braços e chamando, ali, ele fez uma boa piada com o público). ESTRANGED é épica, ao vivo é muito esperada, DIZZY brilha, o "quarto homem" das antigas estava afiado, backing vocals excelentes, pinta de SONS OF ANARCHY, e muitas vezes, nem lembrado, mas ele estava lá, e ele sempre esteve lá. DIZZY é um dos grandes responsáveis por essa galera estar unida de novo, mas essa é outra história. Muita gente da família dele curte minhas coisas, sei muitas coisas, e isso é bem bacana! É outro lorde (e tem algumas coisas solo, que valem a pena!)... E depois disso, SWEET CHILD O'MINE e tudo veio abaixo, berros, a banda quase abafada pelo público, chão tremendo, coração a mil, gente chorando, mais uma desmaiada, e o show começa a ter caras de que está indo para o final. Sim, SWEET CHILD O'MINE, o hino mundial, umas das músicas mais reconhecíveis no planeta, você gostando ou não, é um fato. o GUNS N' ROSES, é, de fato, a banda com mais músicas conhecidas mundialmente fora da bolha, na Cultura Pop, poucas bandas tem três hits fora da bolha, algumas grandes e gigantescas bandas, tem uma ou duas, o GNR desfila, na minha opinião, nesse quesito, a frente de todas as outras, com SCOM (Sweet), PATIENCE, NOVEMBER RAIN, essa trica é extremamente famosa fora da bolha, assim como DON'T CRY, USED TO LOVE HER e KNOCKIN', fecham quase um top 6. WELCOME, PARADISE, CIVIL WAR... O QUEEN tem essa força com uns cinco ou seis grandes hits, o CREEDENCE tem, BEATLES, mas realmente, são pouquíssimas bandas, querendo você ou não admitir. Zezé Di Camargo, você pode não gostar, mas você conhece dezenas de músicas dele, é sobre isso, o "furar a bolha"...

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Piano no centro do palco, roupa de gala do esforçado AXL, era hora de NOVEMBER RAIN. Aqui, cheiro de lágrimas, suor e ranho se misturaram, quanta gente em prantos, meu amigo! AXL mostra, com carinho, que está lá para cantar para quem quer ver o que ele ainda faz, ele não se importa com o que dizem, ele vai lá e faz, e nessa idade, "ainn, mas fulano canta melhor porque se cuidou", NENHUM fulano, usou drive com essa voz grave natural que ele tem, como um lunático explosivo nos anos 80 e 90. AXL no auge, era algo tão absurdo, que não consigo ver nada perto disso quando ele estava no degrau mais alto do mundo, e merecido. Hoje, ele se deita sobre seu legado, e aproveita o que o seu eu do passado fez: Lhe deu conforto para ir lá, tacar um grande foda-se para quem só critica, e segue fazendo o que lhe faz bem, e assim: Continue, meu nobre senhor de cabelo vermelho! O povo vai estar lá para cantar por ele, o cara só pisa no palco e a gritaria começa, acha mesmo que AXL precisa provar algo para alguém? A locomotiva sem freios que ele foi no passado, é seu cartão de visita. É como você querer tirar uma com MIKE TYSON hoje em dia, não faz sentido nenhum. Eu respeito homens que fizeram história ou mudaram a história. AXL fez as duas coisas. Ele está na mesma prateleira dos meus ídolos máximos: SENNA, MICHAEL JORDAN e meu PAI.

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Mais perto do fim, SHADOW OF YOUR LOVE, com SLASH dividindo os vocais com AXL, cantando, mó da hora! Em NIGHTRAIN foi onde SLASH mostrou seu menino de novo, correndo, girando, pulando, e porra MERCURY, faltou palco! Era nítido que ele queria mais palco, mais espaço, as passarelas fizeram muita, mas muita falta. NIGHTRAIN ao vivo é sempre muito pancada. AXL soltou uns drives aqui e ali, num quase "óh, se eu quisesse", a voz de peito/natural é linda, grave, e ele faz muito uso dela hoje em dia, e de novo, está tudo bem. Porto Alegre se tornou a cidade paraíso, e por alguns minutos, POA era o melhor lugar do mundo, com PARADISE CITY, sinal claro que PATIENCE, DON'T CRY e tantas outras, ficaram pelo caminho, mas, quem sabe na próxima, pois nós estaremos lá. Eu volto para casa feliz, realizado, como sempre, com R$10 mil a mais na minha conta (Wow! Olha o valor do passe do menino aqui!), ser pago e convidado para fazer o que eu faria de graça e com o mesmo carinho, respeito e brincadeiras de sempre? "Cê tá brincation with me, man?", muito, mas muito obrigado! Guardo todas as coisas que ganhei da banda em casa, bugigangas, lembranças, autógrafos, mas cada show que eu vou, eu guardo histórias e memórias, que vou levar para sempre. "Aproveitem os que ainda estão de pé" (essa frase é minha), o tempo está nos esmagando, e ver eles ainda, é um privilégio que eu repetiria sempre e sempre. Muito obrigado!

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Rudson Xaulin é escritor, com mais de 200 livros escritos e publicados.

https://www.instagram.com/rudsonxaulin/

http://www.rudsonxaulin.com

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