A banda que Chris Cornell integraria se convidassem; "Ele nunca me chamou"
Por Bruce William
Postado em 15 de junho de 2026
Chris Cornell passou por bandas muito diferentes sem parecer interessado em substituir uma pela outra. O Soundgarden ocupava um lugar próprio em sua vida, o Audioslave nasceu de outra combinação de músicos e sua carreira solo abriu espaço para experiências que talvez não coubessem em nenhum grupo. Ainda assim, havia uma banda diante da qual ele dificilmente conseguiria manter distância profissional.
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O Led Zeppelin acompanhava Cornell desde muito cedo. A comparação entre sua voz e a de Robert Plant surgiu inúmeras vezes, principalmente por causa da potência nos registros mais altos e da maneira como conseguia atravessar guitarras pesadas sem perder clareza. Mas sua admiração ia além do vocalista. Jimmy Page representava para ele um tipo de músico capaz de unir peso, liberdade e ambição sem transformar tudo numa demonstração vazia.
Essa influência podia ser percebida no Soundgarden, embora a banda jamais tenha funcionado como simples descendente do Zeppelin. Cornell, Kim Thayil, Ben Shepherd e Matt Cameron criaram uma linguagem muito própria, cheia de afinações estranhas, ritmos tortos e músicas que evitavam soluções previsvisíveis. Ainda assim, o impacto dos britânicos fazia parte daquele vocabulário.
Depois do fim inicial do Soundgarden, Cornell entrou no Audioslave ao lado de Tom Morello, Tim Commerford e Brad Wilk. A união com os músicos do Rage Against the Machine parecia improvável, mas durou três álbuns e mostrou que sua voz podia ocupar outro tipo de espaço sem soar deslocada.
Foi nesse contexto de projetos paralelos e possibilidades abertas que surgiu a pergunta sobre Jimmy Page. Cornell foi questionado se aceitaria trabalhar com o guitarrista caso recebesse um convite. A resposta não foi uma declaração grandiosa, mas deixou pouca margem para indiferença. "Ele nunca me chamou", disse Cornell, conforme reproduzido na Far Out. "Mas, se chamasse, sim. Eu teria de considerar a proposta."
A hipótese ganhou força porque o Led Zeppelin nunca encontrou uma continuidade estável depois da morte de John Bonham. Houve reuniões pontuais, apresentações especiais e muitas especulações sobre possíveis vocalistas, mas Robert Plant permaneceu pouco interessado em transformar essas ocasiões numa retomada permanente da banda.
Cornell teria voz, presença e compreensão musical para enfrentar aquele repertório sem tentar reproduzir Plant nota por nota. Canções como "Black Dog", "Immigrant Song" e "Since I've Been Loving You" exigiriam muito, mas ele já havia passado a carreira inteira equilibrando potência, melodia e desgaste emocional.
Nada aconteceu. Jimmy Page nunca fez o convite, e a possibilidade ficou restrita ao terreno das formações imaginárias. Ainda assim, a resposta de Cornell revela o tamanho que o Led Zeppelin ocupava em sua formação. Ele construiu uma identidade forte demais para viver à sombra de qualquer outra banda, mas reconhecia que certas portas seriam difíceis demais de ignorar.
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