As coisas terríveis que fizeram Jimmy Page abandonar uma carreira segura
Por Bruce William
Postado em 15 de junho de 2026
Antes de comandar o Led Zeppelin, Jimmy Page passou anos tocando em discos alheios. Era jovem, rápido, versátil e capaz de chegar ao estúdio, ler o que estava diante dele e entregar uma parte de guitarra dentro do prazo. Esse trabalho lhe deu disciplina, experiência e dinheiro, mas também o colocou diante de músicas que preferia nunca mais ouvir.
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Page se tornou um dos músicos de sessão mais requisitados de Londres durante a primeira metade dos anos 1960. Participou de gravações de artistas conhecidos e de projetos que hoje mal aparecem nas listas de sua carreira. Nem sempre havia espaço para experimentar. Muitas vezes, sua função era executar exatamente o que o produtor pedia e ir embora.
No começo, aquele mundo parecia estimulante. O estúdio permitia observar arranjadores, engenheiros, cantores e diferentes maneiras de construir uma gravação. Page aprendeu a trabalhar rapidamente e a pensar na guitarra como parte de um conjunto, experiência que mais tarde seria fundamental quando assumiu o controle dos discos do Led Zeppelin.
A rotina, porém, foi ficando cada vez menos atraente. Como músico contratado, ele não podia escolher apenas trabalhos interessantes. Precisava aceitar baladas pouco inspiradas, imitações de sucessos do momento e gravações nas quais sua participação era quase invisível. "Aprendi coisas até nas minhas piores sessões - e, acredite, toquei em algumas coisas horrendas", afirmou Page. "Desisti quando começaram a me chamar para fazer muzak. Decidi que não conseguiria viver daquela maneira."
Pela fala dele, publicada na Far Out, fica claro que o limite chegou quando começaram os convites para gravar muzak, nome dado à música ambiente produzida para lojas, escritórios, elevadores e outros espaços onde ninguém deveria prestar muita atenção ao que estava tocando. Para alguém que gostava de experimentar timbres, criar arranjos e empurrar a guitarra para lugares inesperados, participar de músicas concebidas para serem ignoradas parecia um destino particularmente cruel.
Page também percebeu que a situação havia passado do ponto. "Estava ficando ridículo", contou. "Acho que foi o destino: uma semana depois de eu abandonar as sessões, Paul Samwell-Smith deixou os Yardbirds, e eu pude ocupar o lugar dele." Inicialmente, Page entrou nos Yardbirds como baixista, antes de passar para a guitarra e dividir espaço com Jeff Beck. A banda lhe ofereceu algo que o trabalho de estúdio já não conseguia dar: identidade, palco e liberdade para desenvolver ideias próprias. Em faixas como "Happenings Ten Years Time Ago", os dois guitarristas mostraram uma agressividade que apontava para outra direção.
A experiência com os Yardbirds também revelou as limitações de trabalhar dentro de uma banda submetida às expectativas comerciais. Page queria peso, improvisação e produção ambiciosa, enquanto o grupo enfrentava mudanças internas e pressões para continuar entregando músicas acessíveis. Quando os Yardbirds terminaram, ele montou a formação que reuniria Robert Plant, John Bonham e John Paul Jones. Este último também vinha do circuito de estúdios e compartilhava a mesma precisão adquirida em incontáveis gravações profissionais.
O Led Zeppelin permitiu a Page usar tudo o que havia aprendido sem voltar à condição de funcionário contratado. Ele podia escolher repertório, experimentar técnicas, cuidar da produção e decidir até onde uma música poderia ir. As sessões "horrendas" ficaram para trás, mas a disciplina desenvolvida nelas continuou presente.
Page não abandonou o trabalho de estúdio porque lhe faltassem oportunidades. Fez o movimento oposto: deixou uma carreira relativamente segura porque percebeu que tocar música feita para desaparecer ao fundo era incompatível com aquilo que desejava criar. Pouco depois, encontraria uma banda cuja música seria praticamente impossível de ignorar.
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