O melhor álbum dos Rolling Stones, de acordo com Keith Richards
Por Bruce William
Postado em 15 de junho de 2026
Escolher o melhor álbum dos Rolling Stones costuma levar a uma disputa entre "Exile on Main St.", "Let It Bleed" e "Sticky Fingers". Keith Richards, porém, voltou um pouco mais no tempo. Entre tudo o que a banda gravou, seu favorito é "Beggars Banquet", lançado em 1968 num período de mudança, desgaste interno e recuperação artística.
Rolling Stones - Mais Novidades
Os Stones vinham de uma fase marcada por experimentações psicodélicas, especialmente em "Their Satanic Majesties Request". O disco de 1967 havia aproximado o grupo do clima mais colorido daquela época, mas Richards nunca pareceu tão confortável seguindo tendências. Em "Beggars Banquet", a banda retomou o blues, o country e o rock mais áspero que estavam na base de sua formação.
O momento interno, porém, estava longe de ser tranquilo. Brian Jones já enfrentava problemas pessoais e participava cada vez menos das gravações. Richards assumiu grande parte das guitarras, enquanto Jimmy Miller chegou para produzir o grupo e ajudou a estabelecer uma sonoridade mais seca, direta e pesada. Para Keith, aquele disco representou uma virada decisiva. "Foi o período mais importante para a banda", afirmou. "Foi a primeira mudança que os Stones precisaram fazer depois da fase adolescente. Até então, você subia ao palco travando uma batalha perdida. Acho que gosto mais de 'Beggars Banquet' do que de tudo o que fizemos."
A mudança aparece logo em "Sympathy for the Devil", construída sobre percussão, piano e uma interpretação de Mick Jagger que deixava para trás boa parte da inocência dos primeiros anos. O álbum também trouxe "Street Fighting Man", uma resposta ao clima político e às manifestações que tomavam as ruas em 1968.
Mas "Beggars Banquet" não dependia apenas das faixas mais conhecidas. "No Expectations" carregava uma tristeza incomum, com o slide de Brian Jones ocupando um dos últimos grandes momentos do guitarrista dentro da banda. "Dear Doctor" e "Factory Girl" mostravam os Stones explorando o country sem abandonar o humor torto e a sujeira de sua música. Esse equilíbrio parece explicar boa parte da preferência de Richards. O álbum podia ser sombrio, acústico, debochado ou agressivo sem perder unidade. Não era uma tentativa de reproduzir o que estava acontecendo ao redor, mas uma volta ao terreno em que ele se sentia mais confortável.
Também foi o começo de uma sequência especialmente forte. Depois de "Beggars Banquet", os Stones lançariam "Let It Bleed", "Sticky Fingers" e "Exile on Main St.", quatro discos que ajudaram a consolidar a fase mais celebrada da banda. A transformação não aconteceu de uma vez, mas o álbum de 1968 abriu a porta.
Richards costuma ser associado aos riffs elétricos que espalhou pela história do rock, embora seu disco favorito tenha boa parte da força construída com violões, slide, piano e percussão. "Beggars Banquet" não era o trabalho de uma banda inteiramente estável. Era o som dos Rolling Stones encontrando uma nova identidade enquanto uma formação começava a se desfazer.
Talvez por isso Keith o considere tão importante. Mais do que reunir grandes músicas, o álbum mostrou que os Stones podiam abandonar a adolescência, atravessar uma crise e continuar reconhecíveis. Para ele, entre tantos clássicos que viriam depois, foi ali que a banda encontrou o melhor de tudo o que sabia fazer.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Summer Breeze vende todos os ingressos para a edição 2027 em tempo recorde
Lars Ulrich relembra como foi o primeiro encontro do Metallica com o Iron Maiden
A lendária banda de heavy metal que nunca decepcionou Scott Ian, do Anthrax
Guitarrista diz que novo álbum do Soundgarden terá "canções de ninar psicodélicas"
O estilo musical que Geddy Lee considera uma aula sobre como tocar baixo
Steve Vai já afirmou que sua banda "não é uma democracia, é uma ditadura"
A gravação inédita da Legião Urbana que ainda pode ver a luz do dia
Dee Snider detona bandas que voltam sem membros clássicos após turnês de despedida
Sepultura fará show sem "Roots", "Arise" e "Ratamahatta" no Rock in Rio
O disco do Black Sabbath que mudou a vida de Tom Warrior, do Celtic Frost: "Era como uma droga"
Guitarrista Tommy Thayer confirma que o Kiss gravou uma nova música
Com membros do Cannibal Corpse e Deicide, Umbilicus anuncia novo EP
O baixista que John Paul Jones considera perfeito e sempre soube tocar na hora certa
A música que Mark Knopfler gravou em uma guitarra barata e diz ter feito "tudo errado"
A banda que fez James Hetfield lembrar do vocalista que o Metallica tentou contratar


Os 5 melhores shows do Rock in Rio dos últimos 15 anos, segundo o G1
O Rolling Stone que quase estragou uma das maiores gravações de Jimi Hendrix
Classic Rock ranqueia discografia dos Rolling Stones do pior ao melhor álbum
A banda dos anos sessenta com a qual Mick Jagger odiava ser confundido; "é uma merda"
O megahit dos Rolling Stones de 1981 que Keith Richards mandou apagar da fita
Os dois cantores de soul que Mick Jagger declarou que tentou imitar
O músico que foi demitido dos Rolling Stones por ser considerado feio demais
A lenda da música que agradeceu a Deus por ter caído nas graças de Clapton e Richards
Keith Richards relembra a crítica que fazia a John Lennon pelo jeito como ele tocava guitarra
Keith Richards elege o riff mais pesado do blues: "Disse tudo que tinha para ser dito"
Oswaldo Montenegro diz por que Mick Jagger não é mais revolucionário: "Acreditam nisso?"


