No Brasil, Cryptopsy tem tática para show pesado
Resenha - Cryptopsy (Fabrique Club, São Paulo, 21/02/2025)
Por Miguel Júnior
Postado em 02 de março de 2025
Era uma sexta-feira e uma voz odiosa prometia "dor e pesadelos, nessa sequência". Abrindo o show, era "Slit Your Guts" que iniciava a ser tocada, pela banda canadense de death metal Cryptopsy, no palco do Fabrique Club, Barra Funda, São Paulo. Ar-condicionado gelado, frio como "None So Vile" (1996) álbum que seria reverenciado em cinco faixas na noite. Aquilo estava só começando.

A noite já tinha passado por um bom teste com os combatentes do Atheist (EUA) e seu arsenal de clássicos dos seus álbuns "Piece of Time" (1989), "Unquestionable Presence" (1991) e "Elements" (1993). Tocaram quinze faixas e o público de tamanho modesto reagiu a contento.
Voltando ao Cryptopsy. Claro que provavelmente ali estavam fãs dos primeiros álbuns, também do ex-vocalista Lord Worm, suas letras e vocais, mas desde a última passagem da banda pelo Brasil, em 2014, no festival Extreme Metal Fest, em Pinheiros, São Paulo, a formação do Cryptopsy está praticamente a mesma, e o mais recente álbum, "As Gomorrah Burns" (2023), com três faixas sendo apresentadas ao longo da noite, não deixou o público desanimar. Por isso, a segunda pedrada do show era deste álbum, "Lascivious Undivine" e sua obsessão por alguém como descrito nas letras. Alternando com uma faixa do "None So Vile" (1996), "Graves of the Fathers" foi a terceira a ser tocada, e a única que também esteve presente no show deles de 2014 em São Paulo.
Perguntando se havia fãs das antigas da banda ali, o vocalista Matt diz que o primeiro álbum deles saiu quando ele tinha dez anos de idade. E que estava na hora de tocar músicas dele. O momento alto parecia estar acontecendo bem no meio em "Open Face Surgery" dos tempos de "Blasphemy Made Flesh (1994)" – o som parecia estar bem alto, e a letra de Lord Worm falando em controlar pensamentos devido a bisbilhoteiros sempre diz algo. Executada pelos vocais de Matt McGachy com certeza estava agradando quem estava ali: puro death metal!
Completando a dupla de faixas do primeiro álbum da banda, o som "Serial Messiah" provavelmente destruiu muitos pescoços. Seria perda de tempo falar das diversas competências do baterista Flo Mounier, só que neste show o peso e fúria estavam evidentes desde o início.
Daí para a frente só desgraceira: foram mais três faixas alternadas do "None So Vile" (1996) e duas do último álbum "As Gomorrah Burns" (2023). Antes do próximo som, o vocalista Matt emite um aviso: "eu só posso dizer isso no Brasil, essa música é sobre algo que aconteceu no Brasil" – era "Godless Deceiver" – letra que aparentemente trata de uma mulher que é vista como bruxa e acusada de raptar crianças, sendo atacada e morta; a letra termina com a confissão de que todos estavam errados acerca dessa pessoa. Uma referência a um caso envolvendo redes sociais é mencionada pela mídia especializada. Em outro aviso, o vocalista Matt diz que tinha duas notícias para falar - uma boa e uma ruim. A notícia ruim era que só tinha mais dois sons para tocar. A boa é que eram do álbum "None So Vile" (1996).
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