Lightning Bolt: Um espetáculo do experimentalismo em São Paulo
Resenha - Lightning Bolt (Fabrique Club, São Paulo, 25/02/2024)
Por Diego Camara
Postado em 12 de março de 2024
O adiamento da turnê do Petbrick pareceu não atingir o show do dueto insano do Lightning Bolt. O público compareceu e a qualidade da banda prevaleceu. Em conjunto com dois outros artistas voltados a música extrema experimental, TEST e DEAFKIDS, o palco da Fabrique Club teve uma das suas apresentações mais insanas e inesperadas de todos os tempos. Confira abaixo os principais detalhes do show, com as imagens de Fernando Yokota.
TEST
O Test subiu no palco ainda encontrando uma Fabrique totalmente vazia e ocupada apenas pelas almas. Porém, os poucos que chegaram cedo - ou decidiram deixar os bares em volta da casa para lá e curtir o show de abertura - não puderam se decepcionar. A apresentação do dueto paulista, conhecido por fazer muito com pouco, foi regada com a pegada rápida e experimental já conhecida dos shows.

Fazia muito tempo que eu não via uma apresentação do Test ao vivo, e surpreende como o duo evoluiu demais musicalmente. O som da apresentação estava brutal, muito alto - o que foi potencializado ainda mais por uma Fabrique bastante vazia, com o público que ainda estava chegando para o show. É muito bom ver como a banda tem realmente a alma do metal brasileiro.

DEAFKIDS
Havia mais gente para a apresentação do Deafkids. O público chegou em peso, dobrando o número de pessoas que viram o show do Test: um público bastante razoável, e até acima do esperado para um show de uma banda nova. E isso foi ótimo. O trio carioca veio inspirado, novamente com seu metal extremo com suas nuances tribais e ancestrais.

O Deafkids parece estar evoluindo ainda mais no experimentalismo, usando ainda mais de flautas e o tambor para fortalecer o seu som, criando uma mistura valorosa com as cordas da guitarra. O estilo brutal pisa na busca pelo som pré-histórico e raiz com a mistura dos vocais. O som convidou o público para mostrar seu lado mais visceral e extremo, em uma apresentação com requintes meio místicos pelo público presente.

LIGHTNING BOLT
O experimentalismo chegou no limite quando a atração principal subiu ao palco. A Fabrique estava bastante cheia neste momento para receber o dueto estadunidense. O som estava estourando no palco quando eles começaram um improviso antes mesmo de subir as cortinas. Quando o show começou a rapidez da banda, puxada pelo impressionante trabalho das baquetas de Brian Chippendale fez o público ficar ainda mais insano.

Os fãs abrem a roda já no começo, e o mosh pit come solto no centro da pista com o som frenético da banda. O solo de Gibson é cheio de força e dissonância, enchendo ainda mais o som da Fabrique. O público aplaudiu demais. Logo em seguida, o primeiro maluco já subiu ao palco, saltando logo em seguida no meio da pista.

O Lightning Bolt esbanja dos efeitos musicais, feitos pelos controles de Chippendale e pela geringonça que ele coloca em sua face - que faz com que ele fique parecido com o personagem Leatherface de "O Massacre da Serra Elétrica". A impressão é que a banda é composta por quatro ou até mais integrantes dado como o som da fica completo, cheio e extremamente redondo.

A loucura do público só aumentou durante o show. A cada música, os fãs mais se debateram no mosh pit e mais alguns, corajosos, se lançaram do palco da Fabrique Club. Sem medidas, os fãs só ficaram mais calmos com um belíssimo interlúdio experimental puxado pela distorção das cordas de Gibson, que os fãs pararam para ouvir com bastante atenção.

Além do som extremo, a banda também demonstrou interessantes variações de som, que em diversos momentos flertaram com o rock, progressivo clássico e o punk rock, sem perder sua essência. A banda parece se divertir muito no palco, o que adiciona ainda mais ao prazer de ouvir. Antes de terminar o show, Chippendale retira sua máscara e interage com o público na frente do palco, o que acende o público para o último pit, que chegou muito próximo do palco, pressionando os fãs que estavam na ponta.

Com o fim do show, o público ficou confuso, mas diversos deles perseguiram o baterista logo quando ele saltou do palco para o meio dos fãs. Parecia que tinha feito uma maratona ou uma prova de natação, mas fez foi um espetáculo.

É importante também dar destaque a equipe técnica responsável pela apresentação. O show foi impecável, tanto na escolha das bandas que fariam a abertura - nunca se viu tanta música extrema experimental em um lugar só - quanto na capacidade técnica da casa. A Maraty e a Powerline conseguiram traduzir o estilo das bandas, favorecendo e muito o som da casa para as apresentações.
Setlist:
The Metal East
Over the River and Through the Woods
Air Conditioning
Blow to the Head
Horsepower
Mega Ghost
Ride the Sky
Dead Cowboy
Lightning Bolt:









Deaf Kids:






TEST:










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