Carnifex: a estreia no Brasil foi um dos melhores shows do ano
Resenha - Carnifex (Fabrique Club, São Paulo, 02/12/2023)
Por Diego Camara
Postado em 09 de dezembro de 2023
Demorou quase duas décadas, mas finalmente o Carnifex veio para o Brasil. A turnê foi bastante curta, com apenas duas datas, mas o bastante para marcar presença como uma das melhores apresentações do ano. É raro ver uma banda tão confortável no palco quanto o quinteto estadunidense, que com um controle de palco incrível e grande potência entregou uma apresentação memorável para os fãs.
O show foi começar bem cedo, às 19h em ponto, pois a Fabrique costuma ter apresentações e eventos noturnos na casa. Não é lá um bom horário para o início do show, mas pelo menos garante a chegada tranquila em casa sem contratempos. O público estava mediano, mas com bastante espaço na casa. Se por um lado, isso é uma pena, por outro foi a salvação dos fãs presentes.
A banda entrou no palco em um ritmo alucinante. Rápida, firme e muito potente em todos os sentidos. Uma roda gigantesca abriu no centro da casa, ocupando quase todo o espaço de uma lateral a outra, deixando aos fãs a frente do palco e a parte de trás da casa. Inicialmente, poucas pessoas se aventuraram no pit, que era composto por uma meia duzia de aficionados.
O som do palco esteve ótimo desde o início de "Dark Days", a primeira música da noite. Com especial relevância para a força nos vocais de Scott Lewis. A produção realmente caprichou na qualidade do palco, que mostrou com tudo no solo límpido de guitarra que ecoou para a loucura dos fãs.
A cada música, Lewis parava para apresentar suas canções, e o setlist parece que foi feito como uma luva para apresentar todas as fases da banda. A segunda foi "Pray for Peace" do "Graveyard Confessions" de 2021. Brutal e potente, com uma bateria que parecia uma metralhadora, levou os fãs mais uma vez a loucura e ao bate cabeça.
A seguinte foi um convite aos clássicos com uma das principais músicas do "THe Diseased and the Poisoned". O público ficou doido mais uma vez, acompanhando a música de maneira frenética e com mais um pit insano, apesar de poucas pessoas aventureiras. Com "Necromanteum", a seguinte, os fãs viram uma banda aplicada num som extremamente técnico, com especial detalhe para as guitarras de Neal Tiemann.
"Torn in Two", uma das favoritas de Lewis, veio pouco depois. O ritmo potente deixou o público lá no alto, com mais um belíssimo trabalho das guitarras, que delinearam as curvas da música até o solo brutal em sua parte final. A técnica impecável da banda foi realmente um dos grandes destaques do show, o que correspondeu a vontade do público, incansável naquela noite.
"Lie to My Face" foi um dos grandes destaques do show e uma das favoritas dos fãs, com o público puxando o grito do título da música junto com o vocalista enquanto mais gente ia puxar a roda no centro da pista, amassando os fãs ainda mais na frente do palco.
O show ia se encaminhando para o final rapidamente, e a intro macabra de "Dark Heart Ceremony" tocada no som da casa, deu um minuto para o descanso do Carnifex tomar uma água para finalizar o show. O ritmo encaixou de maneira belíssima com novamente força nas guitarras.
No final, a banda sacou "Hatred and Slaughter", outra das favoritas dos fãs, para delírio dos presentes. O público pulou com muita vontade ao comando de Lewis. No final, o vocalista agradeceu mais uma vez os fãs que foram a casa para ouvi-los, dizendo que era por cause deles que o Carnifex podia ser ouvido e dar a volta ao mundo levando sua música.
A apresentação terminou com pouco mais de uma hora de duração. Um show curto e rápido, mas intenso como poucos. O público pediu mais uma música, mas a banda não atendeu aos fãs. A apresentação, porém, foi realmente especial para uma primeira turnê, cobrindo a carreira da banda de uma ponta a outra e trazendo um excelente resultado ao palco. Novamente o trabalho de produção da LiberationMC foi excelente, trazendo um show que muitos achavam que nunca viria ao Brasil.
Setlist:
Dark Days
Pray for Peace
In Coalesce With Filth and Faith
Necromanteum
Hell Chose Me
Torn in Two
Heaven and Hell All at Once
Lie to My Face
Collaborating Like Killers
Die Without Hope
Dark Heart Ceremony
Drown Me in Blood
Hatred and Slaughter
Slit Wrist Savior
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