Garbage fez apresentação competente para plateia indiferente no The Town
Resenha - Garbage (The Town, São Paulo, 09/09/2023)
Por André Garcia
Postado em 15 de setembro de 2023
Em 1993, o grunge já dava sinais de que sua implosão era questão de tempo. Paralelamente, o rock assimilava a emergente música eletrônica com nomes como Nine Inch Nails, Smashing Pumpkins e até mesmo o U2 em sua incarnação noventista. Foi em meio a tudo isso que surgiu o Garbage nos Estados Unidos.
Sempre misturando post punk, grunge, eletrônico, rock alternativo, pop e rock industrial, já emplacou hits nas rádios e vendeu mais de 17 milhões de cópias ao redor do mundo. Mesmo assim, ficou nítido que a banda era desconhecida para a maior parte do público do The Town, o que me leva a crer que a escolha poderia ter sido melhor.
O Garbage subiu ao palco com pouco mais de 10 minutos de atraso, às 18h17. Já de cara me chamou atenção que o som estava melhor e mais alto do que o do show da Pitty duas horas antes — impressão essa que só se confirmou ao longo da apresentação. As guitarras, especialmente, foram o ponto alto com uma vasta gama de timbres e efeitos soando impecáveis: sempre alto, claro e em bom som.
Eu confesso que não sou um fã da banda, jamais ouvi um álbum, mas mesmo assim me considerava alguém que a conhecesse. Mesmo que só um pouco, mesmo que apenas superficialmente. Mas, conforme o show foi passando e eu não reconhecia nenhuma das músicas, foi percebendo que não conhecia era nada. Mesmo assim, curti o show como uma introdução. Contrariando minha expectativa, suas músicas são menos pop e mais alternativas, bebendo muito na fonte do post punk e new wave de bandas como New Order e The Cure, com um toque anos 90.
Olhando a meu redor, percebi que a maior parte da plateia não era mais familiarizada do que eu. A galera estava bem paradona e indiferente, exceto os fãs: reunidos à frente do palco, vibrando e demonstrando apoio à banda. Mas, no geral, havia menos gente na plateia do que no show da Pitty. Ao contrário da apresentação da cantora baiana, dava para chegar perto do palco cruzando espaços vazios.
Às 18h, a vocalista Shirley Manson fez um longo monólogo exaltando o Foo Fighters e relembrando a relação entre ambas as bandas. Provavelmente foi para recuperar o fôlego, o que é compreensível.
Uma coisa que não me agradou foi o som da bateria de Butch Vig, que soava eletrônica. Me parecia estranho ouvir o mesmo som independentemente de como ele batia, me dá a sensação de ter assistindo a um playback. Eu não curti a sonoridade da caixa, dos tons e etc, mas os pratos eram orgânicos o soavam ótimos.
Só em 18h40 reconheci a primeira música, e mesmo assim foi um cover: "Cities in Dust" (Siouxsie and the Banshees). Por mais que as músicas tocadas fossem todas desconhecidas para mim (exceto a penúltima, "Happy When it Rains"), elas me agradaram. Ao final do show, eu fiquei com muito mais vontade de dar uma chance ao Garbage e ouvir alguns de seus discos do que cheguei.
O show acabou por volta das 19h10. Em síntese, toda a apresentação foi impecável, ao mesmo tempo que foi protocolar. Não digo protocolar no sentido de burocrático, mas no sentido de terem ido lá e feito o deles com competência, independentemente da fria resposta do público. Acredito que poucos dos espectadores que desconheciam a banda prestaram atenção nela. Parecia que o pessoal estava era torcendo para o Foo Fighters subir ao palco logo.
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