Fraternidade marcou o primeiro aniversário do selo Repetente Records em São Paulo
Resenha - Fraternidade (Fabrique Club, São Paulo, 31/05/2023)
Por André Garcia
Postado em 08 de junho de 2023
No último dia de maio, uma quarta-feira, o Fabrique Club foi palco da festa que comemorou o primeiro aniversário do selo independente Repetente Records.
O selo foi fundado por integrantes do CPM22 (Badauí, Phil Fargnoli e Ali Zaher) em parceria com a direção artística de Rick Lion. Juntos, possuem uma única missão: fortalecer e promover a cena punk e hardcore em São Paulo Capital.
"Essa festa é para comemorar uma marca importante de um projeto que está apenas no início", disse Badauí, "mas é também uma forma de agradecer as bandas que confiaram em nós e no crescimento do selo! A nossa ideia sempre foi fortalecer a cena com bandas que têm discursos afiados e aglutinar seus fãs com o mesmo propósito!"
Rick Lion destacou o diferencial do selo no mercado fonográfico do rock independente no Brasil: "Ao contrário da maioria dos selos, a Repetente Records nasceu com o objetivo principal de alavancar e fortalecer a cena como todo, trazendo àqueles que estão começando a experiência de quem vive por anos dentro do cenário nacional da música. Aqui, na Repetente, tem suporte, profissionalismo, novas ideias e parcerias."
Tanto no palco quanto na plateia, o clima era amistoso, com amigos se encontrando e reencontrando, muitos abraços, sorrisos e aperto de mãos. Do lado de fora, a sensação térmica era de 16 graus, mas do lado de dentro a temperatura subiu assim que as bandas começaram a tocar, exigindo que fossem ligados os ares-condicionados.
A primeira banda a subir ao palco foi Anônimos Anônimos, que tem um pé no punk rock clássico e outro no hardcore melódico, com um toque de humor ácido. O baixo volume do vocal foi compensado com atitude.
A seguir, veio Faca Preta, que faz um punk rock mais clássico, bem britânico e urbano, na linha do The Clash e The Jam. Entre os temas que abordam estão a opressão policial e a violência das grandes cidades. As linhas de baixo me lembraram mais Green Day.
Fibonattis foi a terceira banda, mesclando diferentes subgêneros do punk rock, como aquele característico de 1977, a pegada skatista do street punk e as melodias pop do bubblegum. Me remeteu também a Offspring e Green Day dos meados dos anos 90. Seus refrões arrastaram a galera até a frente do palco para cantar junto.
Escombro chegou representando o hardcore raiz noventista: direto, pesado e agressivo. Liricamente também é pesado, abordando temas espinhosos como a violência policial sem medo de meter o dedo na ferida. Dinâmico, ora arrasta seu som com riffs djent, ora acelera.
A quinta banda da noite foi Statues on Fire, formada por ex-integrantes do Nitrominds (hardcore) e o Musica Diablo (thrash metal). Seu som, portanto, mescla o punk rock clássico à bateria acelerada do hardcore noventista e palhetadas furiosas e abafadas do thrash oitentista.
À meia noite subiu ao palco aquela que considero ter sido a banda mais punk: Magüerbes. O imprevisível, volátil e performático vocalista Haroldo Paranhos encarna ao mesmo tempo Iggy Pop e Ney Matogrosso, não fica sobre o palco por mais que alguns segundos. A maior parte do tempo ele passa andando pela plateia, de jogando no chão, subindo no balcão do bar... Confesso que mal consegui prestar atenção na banda porque não conseguia tirar os olhos dele.
Para fechar a noite, pouco antes de 1 da manhã o Bayside Kings foi anunciado como nova banda do lineup da Repetente Records. Seu som é um hardcore bem pesado, bem porrada, de alta intensidade; com um baterista com mãos de chumbo, guitarra dinâmica e um vocalista que converte sua revolta em berros.
Tendo o dinamismo e a experiência como alicerces, a Repetente Records está no caminho certo. Que venham muitos outros aniversários! Para quem curte punk rock e hardcore, a iniciativa é bem-vinda não apenas para manter os gêneros vivos em São Paulo, como para fomentar o desenvolvimento e a saúde da cena.
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