Resenha - Roland Grapow (Célula Showcase, Florianópolis, 25/01/2020)
Por Guilherme Dias
Postado em 10 de fevereiro de 2020
Fotos: Kristine Dias
No sábado dia 25 de janeiro, a cidade de Florianópolis recebeu o guitarrista Roland Grapow no Célula Showcase. Grapow é conhecido mundialmente pelo seu trabalho junto ao Helloween entre os anos de 1989 e 2001 e também pelo Masterplan, banda que mantém em atividade até os dias atuais, porém que teve o seu destaque em 2003, ano de lançamento do seu álbum debut, juntamente com o cantor Jorn Lande e o baterista Uli Kusch(também ex-Helloween).
O Helloween, vive anos de glória após a reunião que formou a "Pumpkins United Tour", curiosamente os ex-membros Roland e Uli não foram convidados devido a mágoas do passado que ainda fazem barulho para os membros Michael Weikath e Andi Deris. Devido ao abandono de suas músicas junto ao Helloween, Roland Grapow resolveu regravá-las lançando o álbum "Pumpkings" (2017) com a formação atual do Masterplan, resgatando hinos que hoje são esquecidos pelo Helloween, tais como: "The Chance", "The Time of the Oath", "The Dark Ride", entre outras ótimas canções.
O guitarrista não realizou nenhuma turnê específica com o Masterplan, porém veio ao Brasil para tocar suas composições dos tempos de Helloween e outros hinos lançados pelo Masterplan. A formação da turnê teve a presença dos músicos brasileiros João Luis (vocal; Golpe de Estado), Affonso Junior (guitarra; Confessori), Fabio Carito (baixo; Warrel Dane/ Confessori) e Marcus Dotta (bateria; Warrel Dane).
O show de Florianópolis teve um público modesto, porém bastante participativo. As primeiras músicas do repertório foram "Enlighten Me" e "Spirit Never Dies", clássicos absolutos do álbum de estréia do Masterplan. Por ser apenas o segundo show do quinteto, foi notória a concentração que todos estavam tendo para que tudo saísse como o esperado. Na sequência já houve uma descontração maior, visto que Grapow foi aos microfones para apresentar a primeira do Helloween na noite, tratava-se de "Mr. Ego (Take me Down)", presente no álbum "Master of the Rings", que possui uma história peculiar, pois na época Grapow compôs se referindo negativamente a Michael Kiske (ex-vocalista do Helloween na época) e isso causou brincadeiras por parte do público e do próprio Grapow, reconhecendo que naquela época a letra foi direcionada para Kiske, porém percebeu ao longo dos ano que era besteira.
Voltando ao Masterplan, "Kind Hearted Light" foi cantada com muita vontade por todos os presentes. Em seguida a cadenciada "The Time of the Oath" (Helloween) foi muito apreciada pelos fãs. A presença e palco de todos os músicos foi fantástica, incorporando muito bem o espírito das canções de Roland. João cantou de uma forma segura e potente, ao nível dos cantores originais (convenhamos que não é nada fácil transitar entre as linhas vocais de Michael Kiske, Andi Deris e Jorn Lande), assim como as linhas de guitarra e baixo executadas por Affonso e Fábio, com destaque para Affonso que dividiu os solos com Grapow, mostrando que já possuía muita intimidade com as canções apresentadas. Além da excelente performance de Dotta nas baquetas, possuindo total domínio de todas as músicas do Helloween, afinal ele integra a Steel Tormentor (banda tributo ao Helloween).
A apresentação teve algumas surpresas, entre elas a presença de "Someone's Crying'", música presente no álbum "Pink Bubbles Go Ape" e "Still We Go", do disco "Master of the Rings", ambas foram muito bem recebidas pelo público, elas costumam ser renegadas pelos fãs de Helloween de um modo geral. A outra surpresa foi a presença de "A Tale That Wasn't Right", única do repertório que não foi composta por Grapow, que se explicou dizendo que gostaria de tocar uma balada, porém nenhuma das suas composições se enquadrava no perfil que ele buscava. Nesse momento um fã mencionou na plateia diversas baladas do "Chameleon", o álbum mais odiado da história do Helloween (conhecido como o álbum da "capa branca"), tais como "Music" e "I Don't Wanna Cry No More", a qual Grapow mencionou que não tocaria pois lembraria do seu falecido irmão, que foi a inspiração para a música. Voltando para "A Tale.." Grapow disse que quando entrou no Helloween para substituir Kai Hansen na turnê do Keeper II "A Tale" estava presente no set e ele adorava tocar a música. E então agradeceu a oportunidade dada por Weikath pela oportunidade na época e os músicos tocaram a canção.
A reta final teve as já previsíveis "Heroes" (Masterplan, originalmente conta com a participação especial de Michael Kiske), o hino de Grapow nas guitarras do Helloween "The Chance" e a feroz "Crawling From Hell" que fecha todos os shows do Masterplan. Uma apresentação muito cativante, onde os fãs de Helloween e Masterplan tiveram a oportunidade de ver o guitarrista alemão de perto e interagir de uma forma muito intimista. Após a apresentação, Grapow e seus companheiros de palco permaneceram na casa de shows para tirar fotos e conversar com todos que ainda estavam no local em um clima muito descontraído e agradável.
Set-list completo:
Enlighten Me (Masterplan)
Spirit Never Die (Masterplan)
Mr. Ego (Take Me Down) (Helloween)
Kind Hearted Light (Masterplan)
The Time of the Oath (Helloween)
Keep Your Dream Alive (Masterplan)
Someone's Crying (Helloween)
Crystal Night (Masterplan)
Soulburn (Masterplan)
Still We Go (Helloween)
A Tale That Wasn't Right (Helloween)
Heroes (Masterplan)
The Chance (Helloween)
Crawling From Hell (Masterplan)
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