Flageladör: lenda do underground grava seu primeiro registro ao vivo
Resenha - Flageladör (Sesc Belenzinho, São Paulo, 11/01/2020)
Por Alexandre Veronesi
Postado em 22 de janeiro de 2020
Poucas são as bandas que chegam à marca de duas décadas ininterruptas de carreira, especialmente quando se fala em Brasil, onde tocar Heavy Metal é, e sempre foi, uma tarefa ingrata. O FLAGELADÖR, grupo de Speed/Thrash Metal originário de Niterói / RJ, está merecidamente alcançando tal feito neste ano de 2020, e como forma de comemoração, realizaram em 11/01 um show especial, no Sesc Belenzinho (localizado na zona leste de São Paulo), que culminará no lançamento de seu primeiro CD/DVD ao vivo.
Armando Exekutor (vocal e guitarra), Lucas Chuluc (guitarra), Alan Magno (baixo) e Hugo Golon (bateria) subiram ao palco às 21h30, ao som de uma breve intro, para então darem início à devastação com "Nas Minhas Veias Corre Fogo". Logo após, tivemos "Possessão Diabólica" e "Cavaleiro Nuclear", ambas do segundo álbum do grupo, "Obcecado por Sangue", que completou dez anos de existência em 2019 e foi o mais bem representado da noite, tendo cinco de seus oito sons executados.
A casa encontrava-se bastante cheia, e o quarteto se mostrou totalmente afiado e cheio de gás, esbanjando presença de palco e sangue nos olhos. Era notável que a banda entendia bem a importância desta apresentação, entregando uma performance 110% ao seu público. Armando, líder e fundador, não abre mão de seu tradicional capuz de algoz e o famoso grito de guerra "seis seis seis", que precede algumas músicas do set.
O repertório abrangeu todas as fases da banda, intercalando as canções de forma precisa e homogênea. Sendo assim, o show seguiu com a recente "Terror Pós-Atômico", e as já clássicas "Missão Metal", "Assalto da Motosserra" (durante a execução desta, um fã subiu ao palco de forma desajeitada e derrubou o pedestal com o microfone em cima de Armando, que mesmo aparentando certa irritação, seguiu tocando ferozmente) e "Cruzada ao Lado de Satã", que teve seu icônico refrão bradado a plenos pulmões por grande parte do público.
O clima de nostalgia nos shows do FLAGELADÖR se faz tão presente, devido à sonoridade e conceito visual do quarteto, que é praticamente impossível não se sentir transportado diretamente ao coração dos anos 80, e cito isso como um ponto altamente positivo.
Após "Lançado às Chamas", foi tocada a última música nova da noite, "Contra Toda Forma de Poder", possuidora de forte teor político, e que desencadeou um breve coro/protesto da audiência contra o nosso atual governo (que se repetiu pontualmente durante o show). Na sequência, o característico riff de baixo prenunciava a poderosa "Obcecado por Sangue", e daí em diante o que rolou foi um verdadeiro desfile de hinos, com "Ao Vivo no Inferno", "Perseguir e Exterminar" e "Flageladör" (com a intro "Ultimatum"). Finalizando os 60 minutos da apresentação, "A Maldição de Anúbis", um dos mais excepcionais sons da banda, que raramente é lembrado em suas apresentações.
Grande noite para o Metal brasileiro, protagonizada por uma verdadeira instituição do submundo que é o FLAGELADÖR. Por ora, nos resta apenas aguardar o vindouro registro deste maravilhoso show.
SETLIST
01. Nas Minhas Veias Corre Fogo
02. Possessão Diabólica
03. Cavaleiro Nuclear
04. Terror Pós-Atômico
05. Missão Metal
06. Assalto da Motosserra
07. Cruzada ao Lado de Satã
08. Lançado às Chamas
09. Contra Toda Forma de Poder
10. Obcecado por Sangue
11. Ao Vivo no Inferno
12. Perseguir e Exterminar
13. Ultimatum / Flageladör
14. A Maldição de Anúbis
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