Red Hot Chili Peppers: como foi o show histórico no Egito
Resenha - Red Hot Chili Peppers (Gize, Egito, 15/03/2019)
Por Rudson Xaulin
Fonte: Rudson Xaulin
Postado em 20 de março de 2019
A Pirâmide de Pimenta!
E um dos maiores nomes do rock n’ roll mundial, o excêntrico RED HOT CHILI PEPPERS, fez um grande show no EGITO, com transmissão ao vivo pelo Youtube e pelo site do grupo. Com certo múrmuro em torno do evento e euforia por parte dos fãs, foi um show bem esperado. E podemos dizer que valeu a pena sim! Um RHCP que mostra os caminhos que o rock vai tomando, como um derradeiro fim, com integrantes na casa dos cinquenta anos (pra mais!), dando o melhor que ainda tem. Destaque para a energia inesgotável do baixista FLEA, um ícone a parte e para o incansável vocalista ANTHONY KIEDIS. A banda segue na estrada e na ativa desde o início dos anos 80, mas mostra, com certa clareza, que os dias do que vimos nascer e perpetuar por décadas, parece que não teremos outras bandas que possam fazer isso. Quem ou que banda, da "década de 2010", vai poder fazer um show assim, com tamanho público e com tamanha espera, lá por 2050? Um nome de uma banda "nova", capaz de fazer isso, levando a bandeira do idoso rock n’ roll? Acho difícil e também acho triste...
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FLEA pode até não ser "o melhor baixista do mundo", isso é quase que como uma lenda urbana em torno do nome dele, mas o cara é sim um show a parte. Pra cima, empolgado, como se todo show do RHCP fosse sempre o último, esse é o espírito! FLEA foi o responsável por se comunicar muito com os fãs, flertando pela língua local e pelo inglês (claro), mas sem deixar a brincadeira de lado, mandando mensagens em francês e espanhol. Roupas coloridas pro baixista, energia para o baterista CHAD SMITH e pro vocalista ANTHONY KIEDIS, pra lá de animado, voz um pouco abaixo do nível esperado, mas, ele ainda está em cima do palco e ainda ecoa muito bem nos grandes hinos do grupo. Nem vamos entrar nas comparações com JOSH x JOHN, ou se ele é ou não a cara da banda. A vida segue...
Momentos de altos e baixos, claro, mas sempre com um grande apreço por músicas que, você gostando ou não, aceitando ou não, marcaram sim uma boa parte de pessoas, vidas e até mesmo, porque não dizer assim: Músicas que marcaram uma geração? CAN’T STOP foi muito bem nas terras sagradas do deserto. A banda se mostrou afiada e bem entrosada, muito espaço para pequenos solos ou brilho individual para cada um dos integrantes, onde KIEDIS, o vocalista, não tenta aparecer, além do que cantar e fazer suas típicas danças que nunca saem de moda, pelo menos pra ele. Sentiremos sempre falta de FRUSCIANTE, mas o novo guitarrista se encaixou no estilo da banda. Muitas vezes, até parece "firulento" (inventei isso agora?), mas ele da sim conta do recado. Seu ponto mais fraco, ficou evidente, apenas nos backing vocals que a banda tanto usa, mas na guitarra, ele se sai bem sim.
O alegre e engraçado baterista CHAD SMITH, estava mais fechado do que o normal. Tocou, não deu margem para erros, mas não interagiu com o público, não o vimos sorrir e muito menos, alguma interação engraçada entre ele e FLEA, isso deu até falta. A banda trouxe ainda coisas novas e mais recentes, deu espaço para piano e não deixou de lado o que lhe trouxe até aqui: Clássicos! Os Faraós puderam conferir de perto, grandes hits do grupo, como THE ZEPHYR SONG e DANI CALIFORNIA. Destaque para o trabalho belíssimo de palco e iluminação. Luzes modernas entorno da banda, mesclando luzes vermelhas e azuis, dando grande ênfase e foco no amarelo, ou no dourado? Como os grandes mistérios do Egito pedem? E ao fundo, as imponentes, históricas e majestosas Pirâmides de Gizé, as últimas maravilhas do antigo mundo, resistindo como podem, por milhares de anos. Visualmente, um espetáculo pronto e bem montado! Mas tivemos uma nova pirâmide, um detalhe maravilhoso do palco, formando uma pirâmide em cima dos músicos e que ficava envolva de toda a armação do palco e dos aparelhos da banda. Sistema de iluminação impecável para a pirâmide da banda também, um detalhe gigantesco e lindo e muito bem sacado pelo grupo e pelo local em si.
Tivemos ainda CALIFORNICATION, talvez o carro chefe contemporâneo do RED HOT CHILI PEPPERS, aquela mesma, daquele clipe atemporal. BY THE WAY que soou muito bem lá, e via internet/ao vivo (o Rock In Rio tem muito o que aprender, não é mesmo?), mostrando o poder de fogo da banda ali, na cara, como uma pedrada. E claro que GIVE IT AWAY NOW não iria ficar de fora, sempre muito esperada, fechando o set. Foi um grande show, ficou no ar um gosto de quero mais, mesmo com quase duas horas de apresentação. Mas isso por si só, já deixa uma marca para sempre, nessa apresentação que passou pelo histórico EGITO e também soube fazer história...
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