Accept e Empire: em Fortaleza eles foram Lannisters

Resenha - Accept (Complexo Armazém, Fortaleza, 12/10/2018)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

O ACCEPT e a EMPIRE tinham uma dívida com a cidade de Fortaleza e seus headbangers. Fato é que ambos pertencem à casa Lannister. Sempre pagam suas dívidas. E, depois de dois adiamentos (nenhum deles por culpa ou responsabilidade deles) a data de 12 de outubro de 2018 finalmente proporcionou aos fãs da banda alemã a oportunidade do represado headbanging. Esta não é exatamente uma resenha de show. Por compromissos pessoais e profissionais, não pudemos comparecer ao festival, mas você pode conferir abaixo, gentileza de Yago Albuquerque, as fotos desta noite mágica que os fanáticos por Heavy Metal de Fortaleza puderam acompanhar.

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O festival Ponto.CE de 2017 deveria ter tido como atração principal da sua noite dedicada ao Heavy Metal, 10 de novembro, o quinteto formado pelos membros fundadores Wolf Hoffmann (guitarra), Peter Baltes (baixo), pelo competente Mark Tornillo (vocal), que tão bem substituiu Udo e pelos já não tão novatos Uwe Lulis (guitarra) e Christopher Williams (bateria). Na mesma data, os alemães seriam ladeados pelo KORZUS (um dos maiores nomes do Thrash Metal produzido no Brasil) e pelas bandas cearenses IN NO SENSE, HOSTILE INC. e THE KNICKERS. Pra fechar o cast, os vizinhos MEGAHERTZ, respeitada banda do Piauí. Seria, junto com as outras datas do festival, com outras atrações como os franceses do DOT LEGACY e a sensação potiguar, FAR FROM ALASKA, um festivalzão. Seria. Não foi. Pelo menos não para quem estava ansioso para ouvir "Stampede", "Stallingrad", "Balls To The Wall", entre outras.

A companhia aérea que deveria levar os alemães e o KORZUS de São Paulo (onde Hoffmann e cia tinha acabado de se apresentar com os americanos do ANTHRAX) fez uma boa lambança e deixou os músicos "a ver navios" no aeroporto. Resultado: a realização dos shows ficou impossível, improvável, impraticável. A produtora chegou a comentar, na época, que não mediu esforços para evitar o adiamento do festival, mas, com cinco músicos em cada banda, mais técnicos e o material, a situação ficou irremediável. Os fãs tiveram que amargar o adiamento. Confira abaixo a nota divulgada na época.

Accept e Korzus: festival adiado em Fortaleza por problemas em vôo

Várias opções foram oferecidas para aliviar o desgosto (perfeitamente justificável) dos fãs. Alguns trocaram seus ingressos por outros shows da mesma produtora (HAMMERFALL, por exemplo). Outros pediram o dinheiro de volta. Uma parte manteve os ingressos até a nova data prometida. 5 de maio. Com boa vontade, a produtora ainda quis dar um "alento" aos fãs e incluiu na data a banda MATANZA, cujo encerramento das atividades já havia sido anunciado. Seria o último show da banda no Ceará, portanto.

Chegado maio, outro desastre. Desta vez, o ACCEPT sequer chegou a pousar no Brasil. Um dos membros teria adoecido e todos os shows já agendados na América do Sul foram novamente adiados. A produtora então se viu diante de uma situação de insatisfação e desgaste com os fãs que ficou difícil de gerenciar. E também teve que escolher: continuar com a data e realizar o festival só com KORZUS, MATANZA e as bandas nordestinas ou deixar o formato do festival inalterado. Apesar de todas as explicações dadas, o clima nas redes sociais (físicas e virtuais) era, inevitavelmente, de descrença.

Mas a produtora não queria um festival diferente. A promessa foi IN NO SENSE, THE KNICKERS, HOSTILE INC, MEGAHERTZ, MATANZA, KORZUS e ACCEPT. Então era isso e nada menos que ela queria entregar. E, adivinha, foi isso que ela entregou. Se houve momentos de desilusão, desconfiança, apreensão, tudo virou passado na noite de 12 de outubro, aos sons dos solos melodiosos de Wolf Hoffman, desfilando clássicos que fizeram parte da vida de cada um dos que foram ao Armazém, seja com ingressos que acabaram de comprar ou aqueles adquiridos anteriormente. Para os que guardaram os ingressos, um mimo a mais. Ainda concorreram a um rápido meet & greet com os alemães.

Assim, com exatamente o mesmo line-up anunciado para maio, nenhuma banda a menos, uma a mais que na primeira data, o festival aconteceu no Complexo Armazém. A única grande diferença foi o local (originalmente uma barraca na Praia do Futuro), mas, isso acabou sendo um benefício para a maior parte dos fãs. O Armazém é mais central, mais acessível e tem recebido um grande número de bandas de metal, como OBITUARY, AMON AMARTH, ANGRA e o já citado HAMMERFALL. É o "Carioca Cearense", se comparado com a casa paulista que também se tornou o point do Heavy Metal naquela cidade. Modular, ainda possibilitou que o espaço ao lado pudesse ser alugado, permitindo a montagem de dois palcos e mais agilidade para um festival com um número grande de bandas como esse. Além dos headliners, ACCEPT, MATANZA e KORZUS, o festival também demonstrou respeito por cada uma das outras bandas, garantindo a cada uma o mesmo espaço que teriam na programação original. Um dos palcos foi aberto pela banda cearense de Metal Core IN NO SENSE, com um dos melhores bateristas de sua geração. Em seguida, o Death Metal progressivo da HOSTILE INC, com canções de 'Qiyamat' (o último livro do Alcoorão) e de um novo trabalho, ainda a ser lançado. A apresentação mais politizada pode ter sido a da banda de hard/heavy THE KNICKERS. Formada apenas por mulheres, a banda iniciou o show com uma introdução com alguns áudios, entre eles, relatos de assédio em ônibus entre outras coisas. O coro "#elenao", que já rolou até no show do ROGER WATERS também se fez presente. E mais, no fim rolou "oh, Bolsonaro, vai se fuder. As mina não vão te eleger". Os vizinhos piauenses do MEGAHERTZ também garantiram muito Thrash Metal e fecharam o palco onde tocaram os paulistas do KORZUS.

Promessa feita é promessa paga. As fotos de Yago Albuquerque são a prova.

Dois dias após o festival, a produtora emitiu a seguinte nota em suas redes sociais:

"Dia 12/10/18 foi uma data histórica em nossas vidas. Foram 11 meses e 2 dias de espera, remarcações, ansiedade e muita adrenalina.
No dia 10/11/2017, a empresa Avianca cancela voos da banda ACCEPT e KORZUS. A Empire empresa que tem 18 anos de história, com mais de 1000 shows e festas realizadas passa pela sua maior prova de fogo dentro desses 18 anos. Tivemos um prejuízo de mais de 600 mil reais causados pelos voos cancelados. Amigos, parceiros e clientes todos ficamos com um ar de frustração e tristeza pela remarcação que seria dia 05/05/2018. Iniciamos um novo desafio, fazer reembolsos e com toda a carga de 600 mil de prejuízos já nas costas, responder processos de clientes de outras cidades e mais uma administração dos ânimos de quem estava já com ingresso e queria muito ver o show. Ficamos surpresos e gratos com a quantidade de pessoas, parceiros e clientes que se sensibilizaram com a situação e muitos nos apoiaram nesse momento de crise.
Quando parecia que tudo estava resolvido chamamos mais um banda para abrilhantar a noite, MATANZA.
Depois disso veio outra bomba !
Recebemos o e-mail do empresário do Accept que um dos membros estava com problemas de saúde e a tão esperada tour teria q ser adiada NOVAMENTE! Adiaram 20 semanas de shows em varias países e no meio disso o nosso tão esperado show foi mais uma vez adiado por razões que fugiam do nosso alcance.
Nosso chão desabou e tivemos q administrar uma uma nova crise com os nossos parceiros e fãs.
Nova data escolhida, fomos atrás de local para realizar. Não encontramos nenhum que suportasse a estrutura que tínhamos em mente.
Nossa última e única solução era o Armazém.
Amigos, vcs não imaginam a ginástica que tivemos que fazer para funcionar 7
Bandas com 3 head liners e com espaço e tempo limitado.
Bem", esse textão estava engasgado a 11 meses em nossos corações. Mas hoje com alma lavada, fizemos nosso acerto de contas com os nossos amigos e fans que acreditam e vivenciam todos esses momentos tão sonhados aqui conosco.
Esse é o nosso MUITO OBRIGADO pela confiança!
A missão da
EMPIRE é proporcionar novas experiências e realizar sonhos.
Estamos aqui firmes e fortes e viveremos muito ainda para contar grandes histórias.
Abraços e nos vemos nos shows .
Ass:Maurílio Fernandes (Diretor)
Ps: segue as Fotos e momentos desse grande dia!"

Para mais detalhes sobre o festival, confira também a resenha de Cibele Coelho e Lennon Cunha para a Rock Brigade.

O Accept também tocou em Belém, São Paulo e Belo Horizonte. A edição 2018 do Festival Ponto.CE já teve suas datas e line-up divulgados, recebendo já no dia 26 de outubro os irmãos Max e Iggor Cavalera e os grinders cearenses SIEGE OF HATE. No dia 29 do mesmo mês tocam a norte-americana PENNYWISE, os alagoanos da MUTAÇAO, os piauienses da R.S.U, os paraibanos da DEAD NOMADS e o aguardado retorno da SWITCH STANCE.

IN NO SENSE

Korzus

Matanza

Megahertz

The Knickers




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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