Glen Hughes: Resenha do show no Toinha Brasil, em Brasília
Resenha - Glenn Hughes (Toinha Brasil Show, Brasília, 17/04/2018)
Por Marco di Camargo
Postado em 21 de abril de 2018
A Expectativa
Viajara 200 Km, de Goiânia a Brasília, exclusivamente para assistir ao show do GLENN HUGHES. Como grande fã que sou do PURPLE, assisti-lo pela segunda vez, depois de 10 anos, trouxe-me uma grande expectativa, ainda mais sabendo que todo o setlist baseava-se nas músicas do PURPLE.
A Mudança do Local do Show
Ficamos sabendo apenas 2 dias antes do show, que o local do mesmo havia mudado. Do Centro de Convenções de Brasília, fora transferido para o Toinha Brasil Show. Não sabia nada do novo local, apenas que tinha um nome muito diferente para um local receber um artista de tamanha envergadura.
O Atraso
O show estava marcado para as 21 horas. Há 10 anos atrás, quando esteve em Goiânia, Mr. HUGHES começou pontualmente as 21 horas como estava agendado. Horário Britânico.
As 19 horas, eu já estava na fila para entrar e de fora a gente ouvia a passagem de som que estava acontecendo.
Isso levou 2 horas… alguns na fila começaram a ficar revoltados.
O Show
O show só iniciou por volta das 23 horas. O coração começava a bater muito mais forte.
Ao adentrar ao palco, Mr. HUGHES foi saudado com muito entusiasmo pela plateia. Ele trouxera uma banda até então desconhecida do grande público. Além dele ocupando o Baixo e cantando como nunca, ele trouxe o Dinamarquês JESPER BO HANSEN, ou simplesmente JAY BOE para os Teclados. Para a Guitarra, ele trouxe o também dinamarquês SOREN ANDERSEN – ELETRIC GUITARS (Desde 2012) e SUPERFUZZ. Para ocupar a Bateria, ele trouxe o Chileno FER ESCOBEDO. Da banda, eu falo daqui a pouco.
Para iniciar, ele já largou de cara "Stormbringer". Cantada de forma magistral ele levou o público ao delírio. Na sequência, ele mandou uma das minhas músicas preferidas do Álbum "Burn", a maravilhosa "Might Just Take Your Life". Que refrão, meu Deus.
Ali, já dava para notar que a noite iria se tornar inesquecível. A banda já mostrava que não eram apenas meros coadjuvantes.
Em "Sail Away", ele mostra bem a cara do que foi o PURPLE em meados dos anos 70. Que música boa.
Em seguida, veio uma das mais esperadas músicas do Setlist: a formidável "Mistreated". Que coisa… foi algo maravilhoso. Aquele tipo de música que faz valer cada centavo pago pelo ingresso. Hughes cantou com a Alma esta canção. De arrepiar.
Quando a música termina, e você pensa que o Coração vai ter um sossego, a banda manda "You Fool No One", com aquele peso de sempre e aí se abria um capítulo a parte: um solo de bateria que deveria entrar para a história da música. Você deve estar pensando: mas que cara exagerado. Sem exagero algum, o então desconhecido (para o grande público), Mr. FER ESCOBEDO, mostrou porque estava sentado ali na Bateria, acompanhando uma das maiores Lendas do Rock and Roll. O cara arrasou. Tirou o Fôlego dos presentes em um dos melhores solos de Bateria que eu vi em toda minha vida. Um amigo, Everson Cândido, lembrou que ele tocou trechos do solo de "Moby Dick", de Mr. BOHAN, executados em "The Song Remains the Same". Sensacional !!! Sem medo de errar: FER SCOBEDO ainda será considerado um dos melhores bateristas da atualidade.
Seguindo em frente, eles trouxeram uma das músicas mais bonitas do DEEP PURPLE: a fantástica "This Time Around", que teve uma belíssima introdução de teclados de JAY BOE, que também mostrou que conhece muito do ofício. Nesta música, temos que citar um fato que emocionou muitos presentes que trouxeram as lágrimas ao rosto, quando GLENN HUGHES homenageia J. LORD. Emocionante!!!
Em seguida, mais homenagem. Desta vez foi TOMMY BOLIN. Em "Holy Man" e "Getting Tighter", a banda se mostra muito coesa. Solos de Guitarra maravilhosos, com trechos que mostraram que SOREN ANDERSEN também ouvia muito, mas muito mesmo, RITCHIE BLACKMORE.
Depois desta música, veio uma grande surpresa. Eles incluiriam no setlist uma música que até então, não vinha sendo tocada na Tour. E para a surpresa e êxtase de todos os presentes, eles mandaram nada mais nada menos que um dos Hinos Sagrados do Rock and Roll: "Smoke On The Water". Resumindo , a casa quase caiu. O Público foi ao delírio e cantou a música inteira junto com a banda. MEMORÁVEL!!!
Em seguida, uma pausa na loucura? Que nada. Mr. JAY BOE faz uma introdução e um solo maravihoso em seu "Hammond" para "You Keep On Moving". Neste momento, JAY BOE mostra que bebeu intensamente em fontes como J. LORD e RAY MANZAREK (THE DOORS). Que coisa mais perfeita essa música. Os Backing Vocals foram maravilhosos. A plateia estava no mais puro êxtase.
Após estas músicas, a Banda se despede do público e foram muito ovacionados. E GLENN HUGHES, emocionado também, diz que ama Brasília e que a tinha em seu coração. O Público foi ao delírio.
Mas a plateia não ia deixá-los ir embora sem a famosa Encore. Após alguns segundos, eles retornam ao palco. E para carimbar de vez a noite como o selo de "Noite Inesquecível" eles trazem como Bis duas músicas lendárias… dois dos maiores sucessos do DEEP PURPLE de todos os tempos: "Burn" e "Highway Star".
Eu, como fã que sou do PURPLE, já vi dezenas de versões diferentes de "Burn". Mas, a desta noite, afirmo sem dúvida alguma, que foi uma das versões mais pesadas que já ouvi em toda minha vida de roqueiro. A dupla, FER SCOBEDO e SOREN ANDERSEN, imprimiram um peso descomunal a esta música. FANTÁSTICA !!!
Esta banda, merece uma parágrafo a parte. Quando o Show é de um grande artista em carreira solo, a banda que o acompanha, não passa de uma banda de coadjuvantes. Neste caso, até começar o show, a expectativa também era esta. Mas aos primeiros acores e batidas da banda, percebeu-se que teríamos uma grata surpresa aquela noite. Em certos momentos, ANDERSEN e SCOBEDO roubaram a cena, tamanha a qualidade que eles imprimiram em seus instrumentos. Parabéns a esta maravilhosa banda.
E foi ao som de "Highway Stor", cantada por toda a plateia, que o lendário GLENN HUGHES, agradeceu e se despediu novamente da plateia em Brasília, deixando um enorme gosto de quero mais. Acompanhado por esta fantástica banda, ele cumpriu o seu papel e entregou ao grande público que compareceu a esta casa, de nome diferente ( "Toinha Brasil Show" ), um belo lugar, diga-se de passagem, com uma bela acústica e um som perfeito, mais uma maravilhosa apresentação. Digna dele, que é chamado de "A Voz" do Rock And Roll.
Abaixo deixo os links de duas músicas tocadas nesta noite: "Stormbringer" e "Mistreated". Imagens gentilmente cedidas por uma amigo, Eduardo Rodrigues.
Marco di Camargo
Fotos: Everson Cândido
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