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Resenha - Matanza (Estelita Bar, Recife, 17/03/2018)

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Por Renan Soares
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Na noite do dia 17 de março (sábado), o Estelita Bar, localizado no bairro da Cabanga, zona sul do Recife, ficou pequeno para receber o público que veio acompanhar as apresentações da banda carioca Matanza.

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A noite tinha uma peculiaridade a parte, pois a banda iria tocar naquela noite em duas sessões, umas às oito da noite, e a outra às um da manhã (sendo essa open bar). Uma ideia um pouco arriscada de executar, pois, qualquer atraso resultaria em uma grande bola de neve para a organização do evento.

Mas se isso deu algum problema não poderei dizer, pois o texto a seguir será referente apenas a apresentação da primeira sessão, que foi realizada às oito da noite.

Bom, cheguei ao Estelita por volta das sete da noite, e logo ao descer o viaduto do Cabanga já se via uma grande fila em frente a casa de shows. O portão já havia sido aberto (não sei dizer se abriu exatamente às seis e meia, como estava previsto), mas a entrada do público era feita aos poucos e de forma vagarosa, que já é padrão se tratando do Estelita.

O famoso Dia de São Patrício foi utilizado como ocasião para o evento, e certamente, não faltou cerveja para o público (inclusive, o open bar na segunda sessão seria de cervejas), mas apesar disso, pouca era a caracterização no local referente a ideia, com a exceção de uns ou outros que utilizavam aqueles típicos chapéus verdes da Irlanda.

Enquanto o Matanza não subia ao palco, a casa colocava clássicos do rock/metal para animar o público durante a espera. Lembrando também que não houve shows de abertura, uma decisão que deve ter sido tomada para evitar possíveis atrasos e facilitar a logística, visando também preparar o local para a segunda sessão, o que ao meu ver foi realmente a melhor coisa a se fazer.

A pontualidade, ainda bem, foi cumprida, às oito da noite o Matanza subiu ao palco do Estelita fazendo o público entrar em extase ao som da íconica música "Bom é Quando Faz Mal", do disco "Música Para Beber e Brigar".

Como já é típico nas apresentações da banda, durante as quatro primeiras músicas não houve nenhum minuto de pausa para intervalo, tendo todas elas sido emendadas em seus inícios e fins. Logo após a faixa de abertura, o show seguiu com as músicas "A Arte do Insulto", "Eu Não Bebo Mais" e "O Chamado do Bar". Enquanto isso, a platéia fazia uma das rodas punks mais insanas em que já presenciei em shows, não descansando em nenhuma momento.

Após "O Chamado do Bar", há o primeiro momento em que a banda para um pouco e conversa com público, onde platéia e banda fizeram sua típica "troca de carinhos" (tudo na brincadeira, claro).

Passado o momento de "descanso", a banda retoma com a música "Meio Psicopata", seguida após de "Country Hardcore Funeral" e de uma música a qual não esperava ver no setlist, a "Maldito Hippie Sujo".

Após "Remédio Demais", a banda para mais uma vez para conversar com o público, e pouco depois inicia a música "O Que Está Feito, Está Feito", presente no seu último disco "O Pior Cenário Possível".

Ao longo que as músicas eram executadas, a animação do público não parava em nenhum momento, a roda punk as vezes diminuia, mas ainda assim continuava insana, e felizmente, quando ocorria de alguém cair, a galera ajudava a levantar.

A apresentação seguiu com "Carvão, Enxofre e Salitre", "Interceptor V6", "Matarei" e a consagrada "Eu Não Gosto de Ninguém", tendo depois mais uma pausa pra conversa, sendo apenas uma introdução para o público de uma música que há muito tempo não entrar nos setlists da banda, a "Big River", cover do cantor Jonnhy Cash.

Após faixas clássicas como "O último Bar", "Santa Madre Cassino" e "Whisky Para um Condenado", a banda tocou mais uma música que há muito tempo não era tocada ao vivo, "O Caminho da Escada e a Corda", do disco "A Arte do Insulto", e acho que por estar tanto tempo fora do repertório, o público não ficou em sintonia com a mesma.

A banda tocou as faixas "Ressaca Sem Fim", "Mesa de Saloon", e as clássicas "Tempo Ruim" e "Clube dos Canalhas", e o público continuou acompanhando as letras do início ao fim e sem parar com a roda no centro do Estelita.

Depois de conversar mais uma vez com o público, a banda dedicou a música "Mulher Diabo" a todas as mulheres presentes do Estelita, mas, essa acabou sendo a faixa em que o pessoal ficou mais na deles, não sei se por não gostar muito da mesma, pelo ritmo dela não ser muito rápido, ou por não conhecer muito bem a letra.

Chegando próximo ao fim do show, tivemos o momento em que a roda punk chegou no seu ápice da insanidade, sendo ela, durante a execução das músicas "Todo Ódio da Vingança de Jack Buffalo Head" e "Ela Roubou Meu Caminhão".

A apresentação chega ao fim, e como já de costume, o Matanza encerra o show com um trecho de "Estamos Todos Bêbados" e outro trecho rápido de "Interceptor V6".

E assim, se encerra mais uma intensa noite no "Clube dos Canalhas", mas agora, vamos para a parte mais importante, o balanço geral de tudo.

Por parte da banda não há o que reclamar, eles se portaram da forma que todo bom fã do Matanza espera, e o setlist também foi aquilo já esperado, repleto de clássicos do grupo. O público também correspondeu as expectativas e não parou um minuto durante as uma hora e meia de apresentação, como já foi dito por mim ao longo desse texto.

Mas, os pontos negativos que tenho para ressaltar se refere ao espaço do Estelita em si, pois, após essa noite estou começando a achar que a casa não tem condições de receber um show de rock desse porte.

O espaço da casa por si só já é pequeno, a capacidade máxima do local é de apenas 400 pessoas, e convenhamos, o Matanza é uma banda que chama números muito maiores que esses (não é a toa que deu casa cheia).

Mas, por que estou dizendo que o Estelita não tem condições para receber um show desse porte? Bom, simplesmente porque o local não foi projetado para esse tipo de evento, ele foi pensado para receber festas , baladas, e coisas do gênero.

Mas, por que isso faz diferença? Porque um show de rock desse porte sempre tem a roda punk, e pelo espaço ser muito pequeno, aqueles que não querem entrar no mosh se prejudicam, pois acabam imprensados ou na parede, ou em algum balcão, isso sem falar em algumas poucas mesas e cadeiras que tem em um canto da casa que não iam ao chão durante o alvoroço da platéia por um triz.

Também vi com maus olhos o fato da casa ter deixado as pessoas andarem com garrafas de vidros pelo local, pois se ocorresse das mesmas quebrarem no chão poderia ocasionar acidentes, já que é comum as pessoas acabarem caindo na roda e também algumas acabarem andando sem sapatos por qualquer razão que fosse. Isso sem falar no fato daquilo poder ser usado como uma arma por um doido e da possibilidade de alguém escorregar em alguma que estivesse jogada no chão.

Mas felizmente, não vi e nem ouvi nenhum relato de acidentes ou ocorrências do tipo, e espero que a segunda sessão tenha sido da mesma forma.

Outro ponto negativo da casa é que eles se utilizam o sistema de "comandas", ou seja, você consome lá dentro e só paga na saída, isso em festas e baladas pode ser até vantajoso, mas em show só faz atrapalhar na hora da saída, pois fica uma fila enorme no balcão fazendo principalmente aqueles que pouco consumiram, ou que não consumiram nada, esperarem mais de vinte minutos para conseguirem ir para casa.

Mas, para não dizerem que só estou "descendo o pau" no Estelita, o som do local não falhou em nenhum momento, e a acústica foi muito melhor do que a de muita casa grande que tem no Recife.

No mais, tirando esse detalhes referente ao Estelita, foi mais um dia normal no "Clube dos Canalhas".




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Sobre Renan Soares

Nascido em Recife no dia 03 de novembro de 1994, Renan adentrou ao mundo do rock/metal a partir dos 13 anos de idade e até hoje permanece fielmente no mesmo. Desde que se formou em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco, tem se dedicado a conseguir dar a relevância merecida ao nome do estilo.

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