Neurosis: orgasmo sonoro em dose tripla em São Paulo

Resenha - Neurosis (Carioca Club, São Paulo, 08/12/2017)

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Por Diego Camara
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Uma experiência incrível estava reservada para todos os que foram ao Carioca Club na última sexta-feira, para ver o Neurosis pela primeira vez em terras brasileiras. A noite prometia ser de festa, com três ótimos shows e presença garantida de um grande público, que fez a fila persistir na porta do Carioca até logo o início do show do Neurosis. Confira abaixo os principais detalhes do espetáculo, com as imagens de Fernando Yokota.

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A primeira banda a ir ao palco foi o SATURNDUST. Já vi estes caras anteriormente em outros eventos da Abraxas, onde fizeram ótimas apresentações. Porém, ouso dizer que eles estão na sua melhor forma e na sua melhor formação, com uma técnica incrível e ótima performance no palco. O novo disco, "RLC", é um impacto bastante extremo, com um som atmosférico sombrio e gruda na sua mente. Infelizmente muita gente acabou por perder o show dos caras, já que o público presente ainda era muito baixo.

Com mais gente, apesar das filas ainda enormes lá fora, o DEAFKIDS teve a chance de mostrar novamente porque é uma das bandas mais talentosas dessa nova geração de músicos do gênero. O que é o som destes caras? Eu diria que se houvesse heavy metal na época das cavernas, seria mais ou menos assim que eles tocariam. Guitarras potentes, uma bateria de pancadas firmes e rápidas e os gritos insanos que permeiam o som instrumental. A luz vermelha aqui incita ao sangue, a revolta, ao crime. É difícil colocar estes caras em um gênero, com um som que atravessa o heavy metal e o hardcore, esses caras estão fazendo algo diferente ali no palco.

Pouco depois das 20h, subiu ao palco o Neurosis para um dos shows mais esperados de 2017. É sempre de grande apreensão do público - e creio também até da própria banda, talvez - quando é o primeiro show de uma banda em um novo solo. Mas fora a apreensão, tudo correu super bem. Logo no início a banda abriu forte com "Lost", em um som forte, bastante arrastado, no melhor post-metal. As guitarras soavam firmes, e a bateria - apesar de lenta na maior parte do tempo - retumbava a cada pancada. O vocal então ajustava bem o conjunto do som, mostrando que a equipe técnica estava totalmente afiada para apresentar o melhor do Neurosis no palco.

Apesar da abertura focada em dois clássicos da década de 90, a banda se focou principalmente na década de 2000, com maior destaque para o álbum "Fire Within Fires", último lançado pela banda em 2016. A primeira que veio foi "A Shadow Memory", apreciada pelo público que bateu cabeça ao som forte e seco da bateria, que ganhou potência durante a música - do ritmo cadenciado até a explosão no final. O som estava bastante alto, mas ótimo de ouvir. Tudo parecia milimetricamente construído pela banda, com uma minúcia impressionante.

A banda não falou em momento algum, e sacando música após música - com apenas alguns instantes entre uma e outra para ajustar os instrumentos - a banda mostrou sua qualidade com aquilo que sabe fazer de melhor: música. Sem firulas, nem papinho, do som extremo a lentidão máxima, o Neurosis encantou o público, como em músicas como "Water is not Enough", com um solo de guitarra esplêndido que rasgou a cadência da música, e "Takehnase", música arrastada que fez o bando mostrar toda a sua técnica e paciência.

A banda tanto não tem paciência para os ditos clichês musicais, que sequer perde tempo saindo do palco ou esperando consideração do público. Uma indiferença interessante marca o estilo da banda, que claramente confia que sua qualidade técnica vai superar qualquer uma dessas minúcias menores - e muitas vezes chatas, sem graça e desinteressantes. Assim a banda foi fechando o seu show, sacando a ótima "Stones from the Sky", música linda, emocionante, impressiva, digna de fechar o show com uma assinatura perfeita ao ritmo do Neurosis.

Quando o show parecia rumar para o seu fim - já se passara 1h30m de espetáculo e a casa deveria ser entregue às 22h em ponto - o público ainda recebeu mais uma música para fechar o show: "The Doorway" do "Times of Grace". Outro estouro, a banda finaliza o show com seu som ambiente no talo, em um trabalho bizarro de distorção que encheu a casa. No final, o público aplaudiu, enquanto os integrantes continuaram no palco e foram saindo devagar. Muita gente ainda esperou que viria mais música, mas infelizmente ficará para uma próxima vez, em um retorno do Neurosis ao Brasil - que esperamos que sem dúvidas aconteça.

Gostaria de destacar, também, a evolução da Abraxas e seus parceiros na produção de shows. O Neurosis é uma amostra de como a produtora evoluiu também nos seus trabalhos, e esta pronta para oferecer mais e melhores shows de heavy metal em 2018.

Setlist:
1. Lost
2. The Web
3. A Shadow Memory
4. Locust Star
5. Fire Is the End Lesson
6. Water Is Not Enough
7. Broken Ground
8. Takeahnase
9. At The End Of The Road
10. Bending Light
11. Stones from the Sky
12. The Doorway

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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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