De La Tierra: uma apresentação modesta e sem surpresas
Resenha - De La Tierra (Tropical Butantã, São Paulo, 01/11/2017)
Por Nelson de Souza Lima
Postado em 06 de novembro de 2017
Rolou na última quarta-feira lá no Tropical Butantã mais uma edição do Honor Sounds, projeto que une música, ações sociais e eventos de caridade. As bandas participantes desta vez foram o supergrupo De La Tierra, os paulistanos do Armored Dawn como co-headliner e na abertura a Karburalcool de Presidente Prudente. Se foi por causa do feriado prolongado ou pela falta de grana em virtude da avalanche de shows que invadiram São Paulo nas últimas semanas (o Megadeth tocou um dia antes no Espaço das Ámericas) a verdade é que o público foi bastante modesto. Eu diria até fraco pra um evento como esse. Mas quem compareceu não se decepcionou, pois os três grupos mostraram muita competência.
O primeiro show estava marcado pras 19h30. Eu e Letícia Nunes Lima (confiram os cliques) chegamos um pouco antes disso pra entrar no pique. Como é de praxe, camisetas pretas e a galera headbanguer num clima amistoso. Mas não era apenas isso. Chamou atenção o grande número de cosplayers de cavaleiros medievais, templários, camponeses e aldeões. Trajados a caráter para acompanhar o show da Armored Dawn, uma vez que a banda liderada por Eduardo Parras, é puro metal épico. Aliás a Armored Dawn fez show de lançamento do mais recente álbum "Barbarians In Black".
Andando entre o público procurei os sarracenos, inimigos históricos dos templários, na iminência de inciar uma Guerra Santa no meio do show, mas não encontrei nenhum. Rssss. Bom, chega de abobrinha e vamos ao que interessa.
A Karburalcool iniciou sua apresentação às 19h31 para uma plateia praticamente vazia, pois o horário, trânsito numa véspera de feriado fizeram com que muita gente chegasse depois. O quarteto prudentino, liderado pelo vocalista Ricardo Girardi, ganhou o concurso Sua Banda no show De La Tierra e mostrou que foi merecedora da escolha do público. Show competente que esquentou a galera, ainda que timidamente. Mandaram boas porradas, entre elas "Patrulha Social", a qual contesta os babacas que usam as redes, sobretudo Facebook pra falar bobagem. Rogério Fernandes, do Carro Bomba, fez uma participação especial que endossou ainda mais o metal de responsa dos prudentinos. Por volta das 20H15 encerraram o show.
Ai começa a montagem do palco pra Armored Dawn. Pausa pra batatinha, refri e conferir os vários músicos que estavam lá pra prestigiar Andreas Kisser e seus parceiros latinos. Compareceram a galera do Golpe de Estado, King Bird, Korzus e Sepultura. Derek Green circulava pelo camarote tirando fotos e atendendo todos com simpatia.
Nesse momento passa o Eduardo Parras e eu aproveito pra tietar o cara. Gente fina o vocalista.
Já tinha visto um show legal da Armored Dawn quando abriu pro Rhapsody no Tom Brasil e sabia que ia ver outra boa performance. E o sexteto mostrou a que veio. Metal de primeira, músicos talentosos, Parras sabe como entreter o público e som consistente. Um show à parte é o guitarrista finlandês Timo Kaarkoski. O cara além de fazer bases ótimas, tem grande presença de palco, e distribuiu várias palhetas pros fãs. Eu incluso.
Como disse o AD fez show de lançamento de "Barbarians In Black" e um dos grandes momentos do disco e do show foi a baladaça "Sail Away", cantada a plenos pulmões pelos fãs, cavaleiros ou não. Encerraram com a ótima "Gods Of Metal", por volta das 21h30.
Uns quarenta minutos de espera até a entrada do De La Tierra foi suficiente pra perceber que os fãs/cosplayers praticamente sumiram após o show do Armored Dawn. Ou seja poucos que vieram pra ver Parras e sua banda não ficaram pra conferir o DLT.
Enfim, cada um no seu quadrado.
Andreas Kisser e companhia entraram às 22h08 e como disse lá em cima foi uma apresentação modesta e sem surpresas. Abriram com "Maldita História", do álbum debute de 2014, mandando na sequência "Sénales", presente em "II", segundo trabalho dos caras lançado no ano passado.
E assim foi até o final do show: intercalando músicas dos dois discos, em meio a discursos de uma união latino-americana em prol de uma sociedade que é massacrada por governantes corruptos e inescrupulosos.
Porrada atrás de porrada que duraram pouco mais de uma hora até o encerramento com "Fome". Deixam o palco, fazem um docinho e voltam pra mandar mais duas: "Sangramos al resistir" e "Cosmonauta quechua".
Na saída templários que, provavelmente, cansados de procurar o Santo Graal pararam nos carrinhos de cachorro-quente pra fazer uma boquinha.
SET LIST
(Intro)
1. Maldita historia
2. Señales
3. Rostros
4. Valor interior
5. San Asesino
6. Puro
7. Detonar
8. Dois portais
9. Somos uno
10. Sin límites
11. Chamán de Manaus
12. Ciénagas de odio
13. Fome
14. Encore:
15. Sangramos al resistir
16. Cosmonauta quechua
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