Vênus: 30 anos depois, festival marca o retorno triunfal da banda

Resenha - 1º Theresina B. B. Rock (Teresina, PI, 08/07/2017)

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Por Igor Soares
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

O Theresina B.B. Rock reuniu 10 nomes do rock n' roll piauiense em um festival que há muito não se via por essas bandas. Dois palcos, uma super estrutura de som e luz, organização impecável e o público comparecendo pra valer.

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Nomes mais recentes e verdadeiros dinossauros da cena piauiense uniram forças para o evento que definitivamente trouxe a capital do Piauí de volta ao circuito dos festivais e que reuniu, 30 anos depois, uma verdadeira lenda dos primórdios do Heavy Metal nacional, o Vênus.

A maratona de mais de 10 horas de shows começou no finalzinho da tarde com a MODSTOCK, primeira banda a subir ao palco e que mandou ver com seu instrumental retrô. Uma verdadeira viagem no tempo para os anos 60 e 70, misturando blues, jazz, mod e fusion em um set composto por músicas de "Mod is back", o primeiro álbum do grupo. Um prato cheio pra quem gosta do som alucinante dos lendários órgãos Hammond.

Estreante em festivais, os garotos do BLACK TIES vieram na sequência e se saíram muito bem diante da responsabilidade de encarar seu primeiro grande palco. Destaque para "Your Game" e "Something to You" lançadas como single nas plataformas digitais e que dão a deixa para o futuro promissor desta jovem banda.

O parnaibano TEÓFILO LIMA veio logo depois, e ele que já há algum tempo se apresenta no formato power trio, levantou o público com um rock n' roll mais direto e bem mais agressivo em relação ao início da carreira. Com o público na mão e quase todas as letras na ponta da língua da galera, o cara fez um ótimo show.

Depois foi a vez dos RADIOFÔNICOS, com seu rock pra cima e bastante influenciado por nomes dos anos 60, os caras que já são bem experientes nessa praia fizeram um bom show, tocando músicas dos álbuns "Esse som é radiofônico" e "E aí, Broto", a banda aproveitou o show para também divulgar o documentário "Ame o rock" que conta a trajetória de 20 anos do grupo. Mas esse é um papo pra outro texto.

O blues rock do guitarrista ANDRÉ DE SOUSA também esteve no festival, o músico mostrou as composições de seu recém lançado álbum, "Mojo, Blues e Patuá". Destaque para o repertório autoral, técnica e presença de palco do músico, além de uma excelente versão rock n' roll para o clássico "Respeita Januário" de Luiz Gonzaga, que também está no disco do guitarrista. Showzaço!

Mais uma troca de palco e foi a vez do MAVERICK 75. Tocando os sons de seu disco de estreia, a banda conseguiu empolgar o público com uma ótima performance e músicas como "Shuddering Fear" e "Walking Alone". Rock n' roll pra cima e empolgante como deve ser.

O COJOBAS, que é uma espécie de "supergrupo do rock piauiense", conta com músicos experientes e acostumados aos grandes espetáculos, são famosos pelos mega tributos aos deuses do rock e agora começam a trilhar o caminho da música autoral após o lançamento de um excelente EP com três faixas autorais. Muito bom conferir esse timaço tocando o seu próprio som.

Era chegado então o momento mais esperado da noite! O VÊNUS, banda piauiense considerada uma das pioneiras do metal nacional, subia pela primeira vez ao palco após um hiato de 30 anos. Fundada em 1982, a banda se separou após o lançamento de seu primeiro e único disco em 1986. O LP, o primeiro do estilo lançado no nordeste, foi responsável por colocar o Piauí no mapa do metal nacional dos anos 80 e hoje é um raríssimo item de colecionador, ocupando lugar de destaque na história e sendo considerado por muitos como um dos discos mais influentes do heavy metal brasileiro.

João Filho (voz); Thyrso Marechal (guitarra); Ico Almendra (guitarra), Carlos Pincel (baixo) e Kinha (bateria) subiram ao palco e iniciaram o show com uma música nova chamada "Medo Medonho". Lá estavam todos os elementos que fizeram do Vênus a lenda que todos esperaram décadas para ver, e como foi bom ouvir o verdadeiro som daquelas guitarras e do vocal da banda. Músicas como "Existência", "Misticismo", "Elos de Nossa Utopia", "Solta o Vírus" e "Babão" foram um verdadeiro desfile de clássicos, dos quais o público tinha as letras na ponta da língua. Na plateia, gente que esperou uma vida inteira pra ver aquela banda reunida outra vez, gente que veio de outras cidades e outros estados para ver o show, que foi emocionante do começo ao fim!

A noite poderia acabar ali, mas os últimos dois shows seguraram o público até o fim na arena montada no Theresina Hall. O ANNO ZERO veio na sequência e fez um set curto, mas muito empolgante. A banda de "dark metal" é uma das mais importantes do cenário piauiense e sempre atrai muita atenção do público por onde passa. Destaque para músicas como "Deceptions", "Relief" e "Fool" que mantiveram o peso nos PAs e fizeram o gancho para o outro nome de peso que viria logo depois.

O MEGAHERTz teve a missão de fechar a noite e o fez com chave de ouro! A banda de thrash metal que é contemporânea do Vênus e está na ativa desde a década de 1980, também era uma das grandes homenageadas da noite e tocou no palco que levava o nome de seu guitarrista, Kasbafy.

Entre músicas mais recentes e que estarão em seu próximo disco de inéditas, lá estavam hinos como "Mr. Lorpa", "Technodeath" e "Celebration" que levaram o público ao delírio com direito a mosh pits durante todo o show.

Foi uma noite memorável, que deixou a promessa de que o festival se repetirá em 2018. Que venha o próximo Theresina B.B. Rock!




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Sobre Igor Soares

Brasiliense de nascimento e piauiense de coração, Igor é Geógrafo e Desenvolvedor Web. Acessa o Whiplash.Net desde os primórdios e o Iron Maiden, sua banda favorita, é uma das razões dele ter se tornado colaborador do site.

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