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Ghost e Rob Zombie: Peso e visual marcam noite em Porto Alegre

Resenha - Rob Zombie e Ghost (Pepsi On Stage, Porto Alegre, 10/05/2017)

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Por Rust Costa Machado
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Em 10 de maio de 2017, a lua cheia (junto da Move Concerts e Opinião) trouxe a Porto Alegre dois atos profanos, inéditos e grandiosamente performáticos. Com o friozinho começando a dar as caras, a movimentação no Pepsi On Stage ficou mais densa perto da abertura do evento, pontualmente às 21h, a cargo do Ghost, raro caso de uma banda de estrondosa repercussão nos últimos anos.

No baixar das luzes, ouviu-se como introdução o tema "Masked Ball", clássica ambientação macabra utilizada no baile de máscaras de "De Olhos Bem Fechados" (S. Kubrick, 1999). Neste clima, sobem ao palco (limitado pelo equipamento de Rob Zombie) os "novos" Nameless Ghouls com esperadíssimo hit "Square Hammer", seguidos pelo Papa Emeritus III, ainda em busca do volume perfeito. Na sequência, "From the Pinnacle to the Pit" mostrou um Papa mais à vontade, iniciando um repertório de gestos e trejeitos que qualificam a abordagem adotada para sua terceira encarnação.

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Claro que houve quem gritasse "o papa pop": é fato que a turnê "Popestar" promove especialmente o personagem de Tobias Forge (vocal) que, tendo trocado a batina papal por um figurino mais leve, reformula seu personagem como um dandi que dança, faz pose e gesticula erotismos com humor e desenvoltura, retendo por completo a atenção da platéia. Dos vocais, se sobressai sua afinação, em detrimento de uma dicção limitada pela máscara/maquiagem. Da execução instrumental, os suecos (ou não) demonstram um perfeccionismo quase perturbador, e as máscaras não foram o suficiente para esconder o entusiasmo de terem repentinamente embarcado na tour.

Nenhuma nota fora do lugar, com os solos reproduzidos pontualmente, exatamente como nos discos (o Papa se encarregava de conduzir os aplausos a todas as finalizações de solo, atitude razoavelmente louvável, dada sua função educativa, além de gerar empatia entre os novos integrantes e novo público). Faz-se notar que o baixista tocou de fora do palco, pois, segundo o Papa, havia se machucado. Em meio ao pseudoescândalo que teria ocasionado a debandada dos Ghouls originais, Forge lidera o palco com liberdade e autonomia, consagrando a banda como um projeto seu.

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O show seguiu com "Ritual", a primeira (e única) faixa do debut "Opus Eponymous" e de grande destaque na apresentação. Centrado no lançamento mais recente, o repertório transitou entre suas faixas principais, como "Absolution", "Mummy Dust" e o sucesso absoluto "Cirice", para delírio dos presentes. De "Infestissuman", foram selecionadas as mais populares.

Assim, "Year Zero" agradou facilmente, principalmente a evocação dos oito demônios que abrem a faixa. O fechamento do concerto foi anunciado sob a seguinte mensagem: "Prometam que, ao chegarem em casa, vocês darão a si mesmos ou a outra pessoa um orgasmo".
Dedicada ao orgasmo feminino, "Monstrance Clock" concluiu o hinário satânico do Ghost. Se houve uma falha no show do Ghost, certamente foi por ter sido relativamente curto, limitando o espaço para mais canções antigas.

Como consegui viver de Rock e Heavy Metal

A banda deixou o palco ovacionada, e permaneceu apenas o desejo de um retorno, com uma apresentação completa.

Quando a rotatividade começou a tomar forma, viu-se que o palco de Zombie seria grandioso. Três plataformas foram alocadas sobre o palco, e foram nelas que Piggy D. (baixo), John 5 (guitarra) e o próprio vocalista passaram boa parte da apresentação. "Dead City Radio and the Ghosts of Supertown" trouxe um início explosivo, volumes altíssimos e figurinos impecáveis.

Não teve como se decepcionar com a sequência "Superbeast" e "Demonoid Phenomenon", do clássico Hellbilly Deluxe. Ao perguntar se todo mundo estava muito louco, "In the Age of the Consecrated Vampire We All Get High" veio a um público caloroso, mas ainda contido. Rob Zombie, no melhor estilo cowboy zumbi loucão, bem humorado e frenético, enfrentou problemas com o microfone ao ponto de jogá-lo no chão, para delírio dos que esperam esse tipo de bizarrice.

Carismático e concentrado, é dentro das pesadíssimas canções que o artista encontra o momento de maior sintonia com o público, com o qual interagiu bem de perto, subindo na grade e recebido nos braços pela multidão. O artista ainda solicitou um "ole ole ole", dizendo que o Brasil era o único lugar onde esse pedido fazia sentido. A rigidez do elemento industrial coloca todos os presentes no transe do eletrônico, embora os beats fossem concretizados pelo próprio bumbo, dispensando parafernálias e atuando em quarteto.

Os efeitos de som cabiam portanto ao formidável trabalho de John 5, que exibiu desfile de guitarras exóticas e high-tech que ora disparavam laser, ora tinham o corpo de led, além de uma transparente preenchida por um líquido fosforescente.

Com o uso de samples e equipamentos offstage, a guitarra de J5 elaborava dissonâncias confiadas a amplos reverbs, delays intermináveis, loop caóticos e toda sorte de coisa.

A presença de palco de Piggy D. foi marcante, embora sua produção visual tivesse se revelado "mais simples" do que seu habitual. A substancial mensagem "deixem câmeras e telefones de lado" foi incluída na introdução da clássica "Living Dead Beat", trazendo público para o momento. O repertório de R. Zombie privilegiou grandes momentos de toda sua carreira. Do último disco, foram executados os temas "The Hideous Exhibitions of a Dedicated Gore Whore", "Get Your Boots On! That's the End of Rock and Roll" e a excelente e divertida "Well, Everybody's Fucking in a U.F.O.", em que Rob e J5 jogam dois ETs infláveis para a galera brincar.

Alguns logo se atracaram nos brinquedos, e Rob logo percebeu "hey! Brinquem com nossos amigos, mas não fiquem com eles!". O artista rememorou a fase noventista ao incluir canções como "More Human Than Human" e "Thunder Kiss '65", faixas clássicas de sua extinta banda White Zombie. A banda saiu duas vezes, trazendo "The Lords of Salem" no primeiro encore e a clássica e derradeira "Dragula" no ato final. Crunch, groove e presença de palco definiram a apresentação apoteótica dos americanos que, mesmo no mês mais movimentado que a cena metal já viu (na mesma semana, 2 eventos de metal melódico, além de Slayer e Red Fang na noite seguinte e Amon Amarth e Abbath mais pro fim do mês), marcaram lugar de destaque na história de Porto Alegre.

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Fotos por: Liny Oliveira
facebook.com/photoslinyoliveira

Comente: Esteve no show? Foi o que esperava?