Dream Theater: Resenha da apresentação no Vivo Rio
Resenha - Dream Theater (Vivo Rio, Rio de Janeiro, 23/06/2016)
Por Marcos André Farias
Postado em 05 de julho de 2016
Ainda estou digerindo o show, mas não poderia demorar mais para publicar meu registro, ainda que breve, escrito.
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Em primeiro lugar, é bom destacar que este fora meu primeiro show da banda, portanto, usarei como parâmetros outros registros ao vivo que vi; sejam oficiais, bootlegs ou até mesmo relatos de quem já esteve em um show da banda.
Em uma casa que estava longe de estar lotada, mas com certeza não estava de modo algum vazia, o atraso de aproximadamente 40 minutos (somados o tempo de espera para liberação para o acesso ao local do espetáculo e o atraso da banda para subir no palco), deixava o público apreensivo quanto a repetição dos ocorridos em Belo Horizonte alguns dias antes. Ou até mesmo, quanto ao quão tarde todos sairiam do local, já que estamos falando de Dream Theater e o Centro do Rio não é um exemplo de segurança se quer de dia, quem dirá de madrugada.
No entanto, não foi isso que ocorreu, se referindo a repetições mineiras. O público pode entrar e vimos todo o palco já montado e os testes com o vídeo logo começaram, espantando qualquer "fantasma mineiro", rs. As cadeiras que estavam no local, e não estavam totalmente preenchidas (destaque para a área dita premium), foram ocupadas logo, restando poucos espectadores que se recusaram a sentar e ficavam em pé nos corredores para não atrapalhar a visão de nenhum dos sentados.
Então começou. Com "Discent Of The Nomacs" seguida sem rodeios de "Dystopian Overture" e "The Gift Of Music", momento em que James Labrie se mostrou ao público carioca pela primeira vez no Vivo Rio. Sem muito tempo para improvisações, o objetivo do grupo era tocar o álbum na íntegra; não só toca-lo como interpreta-lo, já que este era o objetivo da banda desde o processo de gravação do álbum "The Astonishing" que, em minha opinião, foi uma boa tentativa de destrinchar a música 2112 do Rush e coloca-la em uma temática meio Star Wars, tendo em vista a aparente combinação na produção da história de uma sociedade aparentemente futuristas, mas cheios de adereços e visuais semi-medievais. Bom trabalho.
A ideia de fazer uma espécie de Ópera Metal onde se conta a história de uma sociedade sub-jugada à um império que proíbe, ou evita qualquer tipo de acesso à musicalidade, que vê em Gabriel (personagem principal) uma espécie de messias com seu instrumento (aparentemente um violão) e canto encantadores, pareceu ter sido concluída com sucesso na opinião do tímido público carioca que não viu muita interação de James com o público. Qualquer um que não tenha ouvido o álbum, pelo menos conseguiu entender a coluna vertebral da trama, muito graças ao suporte visual e diálogos breves representados por estes. E se havia alguma dúvida do que realmente ocorrera em cada parte da história ouvida, com a parte visual não restou qualquer dúvida quanto ao roteiro.
O público assistiu boa parte do espetáculo sentado, o que não tinha muito sentido fazê-lo em pé. Um álbum que não é demasiado pesado mas sim demasiado longo, apesar de isso parecer necessário (um amigo me perguntou que dia que eu voltaria do show, rs.).Rodas e moshs não são atos comuns em shows da banda, então ninguém aparentou estar decepcionado ou surpreso com isso, muito pelo contrário, os que permaneciam sentados pareciam tão empolgados quanto os de pé nos corredores do Vivo Rio. O público só se levantou em três momentos; no solo espetacular de Jhon Petrucci em "A New Beginning", no intervalo entre os atos de aproximadamente 20 minutos (como novato nos shows da banda, não sei se esse tempo é normal, mas foi o suficiente para que todos se recuperassem de tamanha caraga complexa de musicalidade) e na parte final do show que se encontrava de "Our New World" em diante quando Labrie pediu para o público se levantar. Momento de maior nostalgia para os que estavam nas primeiras fileiras (e para quem tentava a todo custo driblar os lanterninhas para tirar uma foto), já que grudaram no palco. Fui um desses. Confesso, não resisti, e nem percebi, a falta de fiscalização da casa e saí do meu distante setor 3 para o Premium que não tinha qualquer distinção clara entre as partes; aparentemente muita preocupação com registros de fãs e pouco do trânsito de pessoas entre setores, contribuíram para tal fato. Depois do show fiquei sabendo que não fui o único que percebeu isso, e em algumas horas fiquei sabendo que essa pouca distinção entre os setores fora uma decisão tomadas por outras casas de shows aqui no Brasil por questões meramente estéticas.
No fim, vimos a banda completa, que é o Dream Theater, se despedir enquanto os presentes berravam elogios inaudíveis aos protagonistas que se retiravam aos poucos. De pontos baixos além dos poucos já citados, ficam só com o som do Vivo Rio que não deixavam claros a voz de um esforçado James Labrie (as vezes me sinto uma das dez únicas pessoas no mundo que gostam do cara) nos tons mais baixos de suas necessárias interpretações para a trama, e o bumbo de Mike Mangini, não tão alto segundo as opiniões que captei de mais de 10 pessoas após o fim do show. Eu e mais um grupo de 10 pessoas tentaram a sorte no Backstage mas só quem nos deu atenção foi Petrucci com um breve acenamento enquanto falava no telefone e entrava na van.
Uma pena, mas valeu a mesma "fucking" pena por cada minuto do show.
Setlist: 2h e 40min
Act 1
01 - Descent of the NOMACS
02 - Dystopian Overture
03 - The Gift of Music
04 - The Answer
05 - A Better Life
06 - Lord Nafaryus
07 - A Savior in the Square
08 - When Your Time Has Come
09 - Act of Faythe
10 - Three Days
11 - The Hovering Sojourn
12 - Brother, Can You Hear Me?
13 - A Life Left Behind
14 - Ravenskill
15 - Chosen
16 - A Tempting Offer
17 - Digital Discord
18 - The X Aspect
19 - A New Beginning
20 - The Road to Revolution
Act 2
21 - 2285 Entr'acte
22 - Moment of Betrayal
23 - Heaven's Cove
24 - Begin Again
25 - The Path That Divides
26 - Machine Chatter
27 - The Walking Shadow
28 - My Last Farewell
29 - Losing Faythe
30 - Whispers on the Wind
31 - Hymn of a Thousand Voices
32 - Our New World
Encore:
33 - Power Down
34 - Astonishing
35 - Outro
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