Andy Timmons: Por que se preocupar com os guitarristas?

Resenha - Andy Timmons (Igreja Videira, Fortaleza, 30/09/2015)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Na última quarta-feira de setembro, último dia do mês também, um tipo diferente de fieis compareceu ao auditório da Igreja Videira, no Centro de Fortaleza. Estes fieis foram cerca de 180 guitarristas e apreciadores da boa música que foram para mais uma edição do Guitar Meeting. Depois de Frank Gambale, Guthrie Govan, Paul Gilbert, Marty Friedman e astros nacionais como Kiko Loureiro e Edu Ardanuy, era ANDY TIMMONS que encantaria os fortalezenses com muito conhecimento e muita, muita música. Andy Timmons veio acompanhado de Sydney Carvalho, virtuoso brasileiro participante do projeto 4ACTION (junto com Felipe Andreoli, Roger Franco e Alexandre Aposan). Antes de Fortaleza, a dupla de feras já tinha se apresentado em São Paulo (EM&T e ExpoMusic), BH, Niteroi, Brasília, Curitiba, Floripa, Salvador, Recife e encerraria a turnê na noite seguinte em Guarulhos.

Fotos: Yuri Leite

O evento em Fortaleza foi realizado por João Paulo Saraiva, head do Guitar Meeting, e pela Essencial Música, com patrocínio da Pposters, Som do Mar Estúdio, NIG, restaurante Floresta, Cidrão Oral Center, Ferracis, Casa dos Relojoeiros, Rafa's Tour, Guitar Shop CE e Case Music. O evento foi aberto pelo guitarrista Rafael Andrade (Magoo).

E por falar em música, Andy Timmons já começou o workshop tocando "Deliver Us" e "Helipad". E arrancou risos da plateia ao quebrar uma unha, receber uma serrinha de Sydney Carvalho (é sério que ele já tem uma serrinha à mão para um momento como esses?), fazer as unhas na frente de todo mundo e declarar: "é preciso ser muito homem pra fazer a unha na frente de todo mundo". Arrancou risos para depois arrancar muitos aplausos e gritos com "A Night To Remember".

Timmons parou novamente pra fazer a unha (é sério que estou contando isso aqui no Whiplash?) e avisou: "agora todo erro vai ser culpa da unha". "Não posso nem reclamar do baterista (na verdade, som pré-gravado), porque toda noite é a mesma coisa. Mais risos, claro. E mais música, mais claro ainda, "Super 70".

A primeira parte do workshop era basicamente um show, em que Andy Timmons deixava os queixos do público no chão com a beleza de suas canções e as técnicas empregadas para executá-las. O guitarrista contou que escreveu aquela que seria a próxima quando visitou o Japão. Ele teria ido em Hiroshima e ficado emocionado com o prédio que tinha ficado de pé após o lançamento da bomba (o Memorial da Paz de Hiroshima, ou Cúpula Genbaku). "Ao invés de lembrar a guerra, o prédio havia se tornado um monumento à paz e todos os governantes do mundo deveriam ir conhecê-lo algum dia", disse Andy. Levado por todos esses sentimentos, ele compôs a canção "Hiroshima (Pray For Peace)", que, linda, mesmo sem letra consegue falar da importância da história que aconteceu ali. Andy revelou que fica tão empolgado quando toca que esquece de respirar e precisou de uma breve pausa para encher um pouco de ar os pulmões antes de tocar a balada "Gone", outra de forte carga sentimental e histórica, que "fala" do 11 de setembro.

Dando início ao momento em que responde às perguntas do público, Andy contou que tem viajado todos os dias nas últimas semanas, tinha passado por onze cidades, incluindo as apresentações na Expo Music (veja abaixo uma resenha de um dia na feira em 2013). Ele também declarou que está muito feliz pois, apesar de ser a quarta vez no Brasil, é a primeira vez que sai do eixo Rio-SP.
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"É um privilégio", definiu ele. "Onde chego encontra grandes músicos, como o Magoo. Adoro as pessoas, a música, a comida, o café", completou. "Eu amo tocar minha guitarra, mesmo só pra mim, por isso me sindo honrado que vocês tenham vindo me ver. Outra parte que gosto é essa parte P&R pois tenho muito a compartilhar, mas tenho muito a aprender também", disse antes de brincar com o primeiro a fazer uma pergunta. "Você tem duas opções: perguntar ou cantar".

Sobre pessoas que tocam bem, mas não conseguem desenvolver uma carreira, Andy respondeu: "Não há um manual. Cada lugar, cada pessoa é diferente. Eu nasci numa cidadezinha do interior dos EUA. Pra ser sincero, nunca tive um plano. O que aconteceu foi que minha mãe me criou muito bem. O que você quiser fazer, dedique-se 100%. É preciso honrar o presente que recebemos".

"E é preciso crescer como pessoa, não só como músico", ele continuou. Também revelou que começou com 5 anos, foi auto-didata até 16, quando decidiu que queria ser músico de estúdio. "Amo jazz, blues, country, rock, bossa-nova. Fui absorvendo tudo, mas tentando ser autêntico". Um dia, teve que escolher entre DANGER DANGER (banda tipo MTV, BON JOVI, como definiu) e TOWER OF POWER. Contou que pouco tempo depois, alguém lhe teria perguntado como entrara no DANGER DANGER e ele teria respondido "sei lá. Dei sorte". Na ocasião, o interlocutor teria retrucado "não. Você se preparou por todos esses anos e quando a oportunidade apareceu você estava pronto".

Andy concluiu dizendo que "o show de hoje à noite, qualquer que seja ele, tem que ser como o show mais importante da minha vida. Agora, quando alguém me pergunta o que fazer para ter sucesso, respondo brincando, mas falando sério, você só tem que ser grande. Se você faz o que gosta, isso é ter sucesso". Andy também comentou sobre a influência da época em que se vive, usando Andy McKee e seus vídeos como exemplo. McKee grava seus vídeos no quarto, no meio dos EUA e atingiu milhares de views, algo que não teria acontecido anos atrás.

Andy ainda aconselhou: "honre sua palavra. Se você diz que vai fazer algo, faça. Seja pontual. Trate bem as outras pessoas. Se existem dois caras, um bom e um virtuoso, e enquanto o bom tem as qualidades citadas e o segundo é um mala, com quem você quer tocar? Isso vale pra vida também". Tudo isso foi só a resposta à primeira pergunta, que veio acompanhada de "Garota de Ipanema".

Em seguida, Andy falou como arranjou as músicas dos BEATLES (Andy é responsável por uma das mais magnificas recriações do Fab Four, a regravação do álbum "Sgt Peppers" com a ANDY TIMMONS BAND), os celos e tocou "She's Leaving Home"

Perguntei a Andy o que ele achava da entrada de Kiko Loureiro no MEGADETH e se isso ajudaria a jogar uma luz sobre tantos talentos brasileiros e torná-los mais conhecidos no mundo. "Sim, vai ajudar", respondeu ele. "Kiko é um grande cara, um bom músico e uma pessoa muito boa. Ele merece estar ali. E isso também é bom para o ANGRA. E também para o Marcelo [Barbosa, que vai substituir Kiko no ANGRA quando houver conflito de agenda nas duas bandas]. Eu sempre fico feliz com o sucesso dos meus amigos".

Sobre suas influëncias, Andy reconheceu os BEATLES como seu alicerce, mas teria começado a tocar após ouvir o KISS. "E os guitarristas?", insistiu o público. "Por que se preocupar com os guitarristas? O importante é a música", respondeu Andy, mas também citou alguns guitarristas, como Steve Lukather , Eric Johnson. "Escute a canção "Gone". Tem muito de Jobim nela", ele ainda lembrou.

Andy também demonstrou ter ficado emocionado ao ouvir uma pergunta de um guitarrista de São Luis, a cerca de 1200 Km de Fortaleza. "Ah, eu vim de mais longe", brincou, "mas me sinto honrado, muito obrigado". O fã havia quebrado o braço e a canção "Gone" o tinha ajudado a superar os momentos difíceis que vieram a seguir. "As canções instrumentais podem ter significado diferente de pessoa para pessoa. Elas tem essa vantagem de que você possa dar o sentido que quiser. É uma honra ouvir isso de você. Eu fico honrado de poder devolver um pouco do que a música deu pra mim".

Finalizando a rodada de perguntas e respostas, ANDY comentou sobre os planos para o futuro, um novo disco da ANDY TIMMONS BAND que vai vir na primavera [no hemisfério norte\, mais trabalho com a PROTOCOL, com SIMON PHILLIPS. "Há uma grande chance que eu e ele toquemos músicas brasileiras juntos", avisou. E, mais uma vez demonstrando seu amor pela música brasileira, Andy, acompanhado de Sydney tocou "Triste" ("Triste É Viver Na Solidão") de TOM JOBIM, e prometeu duas do "Sgt. Peppers".

A primeira foi "Strawberry Fields Forever", que não é do "Sgt Peppers", mas está presente como bônus no já citado disco de covers da ANDY TIMMONS BAND", um lindo momento. Na sequência, ainda tivemos a oportunidade de ouvir "Being For The Benefit of Mr. Kite", colada no finalzinho a "She's So Heavy", o que foi sensacional. Andy ainda pediu "I-Has" no country "Farmer Sez" e finalizou o workshop de muita música com "Groove or Die", "Electric Gypsy" e "Cry for You".

Andy toca de olhos fechados e arrancou aplausos calorosos ainda no meio da bela "Cry For You". É complicado dizer que fechou com chave e ouro depois de tantas que a antecederam, especialmente as dos BEATLES, mas, vá lá, fechou sim.

O workshop, praticamente um show (repare no setlist ao fim da matéria) ainda teve sorteio da Tecniforte e meet & greet, fotos e autógrafos nos itens trazidos por todos. O evento foi mais um que foi realizado com muita competência e contribuiu para o aprimoramento, como instrumentistas e como pessoas, dos músicos cearenses. Fomos à igreja na quarta e voltamos abençoados pela boa música.

Agradecimentos:
João Paulo Saraiva, pela atenção e credenciamento.
Yuri Leite, pelas fotos que ilustram esta matéria.

Setlist
1. Deliver Us
2. Helipad
3. A Night to Remember
4. Super '70s
5. Hiroshima (Pray for Peace)
6. Gone (9/11/01)
7. Garota de Ipanema (Tom Jobim)
8. She's Leaving Home (The Beatles)
9. Triste (é Viver Na Solidão) (Tom Jobim)
10. Strawberry Fields Forever (The Beatles)
11. Being for the Benefit of Mr. Kite! (The Beatles)
12. I Want You (She's So Heavy) (The Beatles)
13. Farmer Sez
14. Groove or Die
15. Electric Gypsy
16. Cry for You

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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