Nightwish: Versão 2.0 esteve na capital paulista e empolgou

Resenha - Nightwish (Tom Brasil, São Paulo, 26/09/2015)

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Por Durr Campos
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Faz um bom tempo que vi o Nightwish ao vivo. Para ser mais preciso, assisti aos finlandeses, ainda com sua ex-cantora Anette Olzon, no primeiro dia de maio de 2012 em Lípsia [ou Leipzig, como chamam os alemães], em uma das mais agradáveis experiências que tive por aqueles lados do Atlântico. Porém, com Floor Jansen [ex-After Forever, ReVamp], apenas conferira pelo YouTube e, em melhor qualidade, pelo DVD ' Showtime, Storytime' [2013], material que me agrada bastante, inclusive, daí minha expectativa em vê-los finalmente neste formação. O cara leitor deve estar se perguntando de quem são as belíssimas fotos, pois são de Fernando Yokota [galeria completa neste link], grande profissional das lentes. Confira um resumo do que presenciamos nas próximas linhas. Não deixe de comentar, acrescer, corrigir o que necessitar disto e trocar uma ideia conosco.

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Goste-se ou não do tipo de música realizada pelo Nightwish, negar o talento de seu mentor Tuomas Holopainen não seria lá muito perspicaz, afinal o rapaz tem em sua lista de tarefas não só compor, pelo menos, 90% do repertório do hoje sexteto, mas também fazer isto com a incubência de entregar à sua gravadora alguns hits a cada álbum, porque o investimento no rapaz e em sua banda é para lá de generoso, ainda mais lembrando o momento com que atravessa a indústria fonográfica mundial. Aqui e acolá, Holopainen conta com uns riffs de guitarra do seu velho amigo Emppu Vuorinen, único membro original ao seu lado, bem como de Marco Hietala, baixista/vocalista desde 2001. Ocupado. Esta é a palavra ideial para descrever um dia na vida do tecladista nascido em Kitee, Carélia do Norte finlandesa.

Escrito isto, vamos até 'Roll Tide', tema do compositor alemão Hans Zimmer [nota do redator: tema do filme 'Crimson Tide', de 1995], uma pomposa introdução ao estilo de Tuomas, perfeita para colar com 'Shudder Before the Beautiful', faixa de abertura do mais recente "Endless Forms Most Beautiful" [2015], estreia de Floor em estúdio. Do mesmo surgiu 'Yours Is an Empty Hope', com som ainda muito alto e um tanto embolado, porém melhor audível. A vocalista afirma sentir "algo especial no ar" e engatam uma dos tempos de Tarja Turunen. 'Ever Dream' é uma bela canção, meio que onipresente desde que "Century Child" [2002] foi parar nas lojas, no entanto ouso escrever que sua versão definitiva está com a holandesa. Parece ter sido feita sob medida para ela. Se era para escandalizar a plateia conseguiram porque 'She Is My Sin' agradou tanto que rendeu presentinhos para Jansen: Almofada personalizada e urso de pelúcia entregues em mãos.

Bem equalizado, o som dos PAs na casa valorizou 'My Walden', nova e bem acabada composição e primeira a trazer Troy Donockley [ex-Iona] com seu arsenal composto de gaita irlandesa, tin whistle, uma cadeira bem confortável e seus eficientes vocais ao estilo celta. O trabalho no Nightiwsh desde [pouco antes de] "Dark Passion Play" [2007] rendeu-lhe merecidamente um cargo efetivo. 'Walden' inicia com sua voz, mas antes ele cumprimentou a todos ao melhor estilo britânico. Achei que ele ficaria para um chá, mas 'The Islander' deixou Hietala sozinho [a música é dele mesmo] em cena com seu baixo de dois braços, algo que a canção até pede. Meio luau, saca? Teve refrão cantado por todos, lógico. Os demais músicos retornaram para finalizar com ele, para cairem juntos no single 'Élan', lançado para a galera antes de "EFMB". Mornamente recebido, até que é bonitinha, mas fica melhor se ouvida dentro do 'full-length', daí faz algum sentido. Do contrário, apenas uma canção pop nórdica com guitarras mais distorcidas que o usual. Soa bem ao vivo, justiça seja feita.

Bem melhor que ela, 'Weak Fantasy' não só mostrou como o novo baterista Kai Hahto é bom, como fez-se ouvir novamente alguns de seus trabalhos ao lado das ótimas bandas Rotten Sound, Swallow the Sun e Wintersun. Jukka Nevalainen terá sempre seu banquinho atrás dos tambores e pratos garantido, porém sua indicação periga durar no Nightwish. Acompanhemos. Os elementos ciganos de 'Weak' gerou o clima propício para a linda '7 Days to the Wolves', do igulamente soberbdo "Dark Passion Play", um disco tão criticado, porém de uma beleza ímpar. Vale tirar o ranço e voltar nele, caso o leitor ainda tenha bronca da fase de Olzon na empresa de Holopainen. Como ela não era nenhuma estranha para mim, sendo apreciador de Alyson Avenue, vê-la dando um 'upgrade' na carreira foi um prazer. Aconselho uma ouvida em "Presence of Mind" [2000] e "Omega" [2002] para entender o porquê de seu ex-patrão ter curtido trabalhar com ela por alguns anos.

'Storytime' ficou bem pesada e agrada-me ouvi-la sempre que possível. Floor manda ver na fase de Anette. Duvidando de mim, né? Pois 'I Want My Tears Back' deixou muito marmanjo ali com os pés inquietos, pelo menos os sóbrios, mas no final [quase] todo mundo caiu na dança. Isto é o mais próximo do 'forró' que eles podem compor. Calma, calma, esquece o que escrevi porque teve bolo, ops!, 'Wishmaster' na sequência e, CARVALHO!, que peso naquelas guitarras do baixinho. Ele estava um pavor naquele palco, correndo para lá e para cá, até fiquei com medo que tropeçasse nas pernas da cantora, ia dar de cara vocês sabem onde. Clássico pede outro, então dá-lhe 'Stargazers', uma das músicas que mais ouvi em minha vida. Aliás, "Oceanborn" [1998] não saiu de meu cd-player por, no mínimo, um mês quando o comprei no ano seguinte. O que eu falei? Os caras emendaram mais um hino. 'Sleeping Sun' foi uma das mais belas coisas que ouvi e vi nos últimos meses. Sério, Tarja a canta lindamente, mas Floor fez a versão 2.0 dela.

A parte final é caprichada. Primeiro tocaram algumas partes da épica 'The Greatest Show on Earth' [nota do redator, 'Chapter II: Life' e 'Chapter III: The Toolmaker' para ser mais exato]. Na sequência 'Ghost Love Score', um primor na voz de Jansen, apesar das antecessoras honrarem igualmente. O 'algo mais' neste caso é mesmo aquele finalzinho com os dotes vocais da grandalhona, que é bonito de se ver/ouvir. 'Last Ride of the Day' já vem sendo utilizada para encerrar as noites do Nightwish há alguns anos e deve continuar por ali até aparecer outra de igual impacto para tal. Devidas ovações, soltam outras duas etapas de 'The Greatest Show on Earth' ['Chapter IV: The Understanding' e 'Chapter V: Sea-Worn Driftwood'], mas na versão em estúdio. Gostei bastante e sei que algumas centenas concordam comigo.

Set-list
Intro: Roll Tide (Hans Zimmer song)
Shudder Before the Beautiful
Yours Is an Empty Hope
Ever Dream
She Is My Sin
My Walden
The Islander (First half performed solo by Marco)
Élan
Weak Fantasy (Preceded by a Dawkins' narration)
7 Days to the Wolves
Storytime
I Want My Tears Back
Wishmaster
Stargazers
Sleeping Sun
The Greatest Show on Earth (Chapter II: Life; Chapter III: The Toolmaker)
Ghost Love Score
Last Ride of the Day
Outro: The Greatest Show on Earth (Chapter IV: The Understanding; Chapter V: Sea-Worn Driftwood)

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Alemanha, país onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar um Scum do Napalm Death, seguido de Substance do New Order ou Black Celebration do Depeche Mode, daí viajar no tempo com Stormbringer do Deep Purple, se acabar ao som do Bounded By Blood do Exodus e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo. Simples assim.

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