Angra: Em Belo Horizonte, um Novo Rebirth
Resenha - Angra (Music Hall, Belo Horizonte, 20/06/2015)
Por Celso Alves de Freitas
Fonte: Rock Music
Postado em 28 de junho de 2015
Noite de 20 de junho de 2015, era chegada a hora de Belo Horizonte conhecer ao vivo as músicas de Secret Garden, o oitavo disco de estúdio do Angra. Bem recebido por grande parte da crítica e dos fãs, o mais recente trabalho marca a estreia de Bruno Valverde na bateria, oficializa, digamos assim, Fabio Lione, como frontman da banda paulista. Piadinhas a parte, digamos que o Angra está em seu novo ‘rebirth’.
Por Maurício Almeida, Rock Music
Para a manter a fama de bons anfitriões dos mineiros, o evento contou com a abertura da Allos. A banda belo-horizontina, formada em 2003, mostrou todo o vigor do seu power metal com temática cristã, fazendo com que possíveis ‘haters’ ignorassem o preconceito religioso e se atentassem ao trabalho dos músicos mineiros. O grupo é formado por Celso Aves (vocais), Junior Oliveira (guitarra), Edley Winderson (baixo), Wallace Ryan (bateria) e Marco Amorim (teclado).
O show da Allos foi surpreendente! Com uma execução quase que perfeita de suas músicas, o grupo cumpre o que promete ao se intitular como banda de power metal. Os músicos mineiros contam com um disco já gravado, o Spiritual Battle, de 2012. Em seu debut, tiveram a produção dos músicos Alan Wallace e André Márcio, conterrâneos do Eminence. No show, pautado obviamente pelo disco, a Allos apresentou duas novas músicas, ainda não gravadas. Além das composições próprias, a banda executou o cover Time For Salvation, da Divinefire. Para o restante de 2015, a Allos planeja o lançamento de um single e um videoclipe. Um novo álbum está previsto para o segundo semestre de 2016.
Eram quase 23 horas e o público presente, em bom número, já gritava o tradicional "Olê! Olê! Olê! Angra!", afinal, a ansiedade por conhecer o novo trabalho ao vivo era enorme, todos queriam saber o que seria esse novo Angra. Luzes apagadas, o som do sampler indicava que a espera chegara ao fim. Se havia dúvidas de que Secret Garden seria bem recebido em shows, bastou uma música para desfazê-las.
Newborn Me, faixa de abertura do último disco, foi também a responsável pelas boas-vindas ao palco do Music Hall. E a recepção do público foi ensandecida. A música foi cantada a plenos pulmões, a plateia agitou como se ouvisse antigos clássicos. Logo em seguida, Acid Rain mantém a pegada do show. Parecia que teríamos uma noite bem ao estilo power metal da banda, Lione dominando o palco e trazendo o público consigo. Spread Your Fire em seguida fechou a abertura.
Fabio Lione conversou com a plateia com um português bem melhor do que a última vez que esteve em BH. O frontman estava visivelmente mais bem a vontade.
Talvez a oficialização sua como membro da banda e um trabalho no qual ele tenha participado da gravação, deixou o italiano com a sensação de que os fãs de Angra, agora também eram seus fãs. Não só o vocalista, mas o grupo todo estava bem a vontade no palco. A interação dos músicos com a plateia era incessante. O público correspondia não só nas canções mais antigas, como em Lisbon, mas também nas recentes, como foi em Perfect Simmetry e Storm of Emotions.
O Secret Garden é um álbum em que percebemos uma clara harmonia entre os músicos brasileiros e o vocalista italiano. Há um evidente encaixe entre a linha vocal de Lione e os intrumentais do Angra. O som flui de maneira natural, sem soar forçado, sem parecer que as composições tenham passado por adequações de última hora. É um novo Angra, que busca criar agora uma identidade sonora que seja a cara dessa nova formação.
Mas essa busca não significa que o Angra vá abrir mão do passado, algo que os fãs não permitiriam. Então, era hora deles ajudarem a banda a se reerguer. Lione pede para que todos cantem Angels Cry. Mantendo a alternância entre o velho e o novo, Final Light. O público já havia se convencido de que este novo trabalho funciona, e muito bem, ao vivo. Voltando no tempo, mais precisamente em 1995, Holy Land encerrou a primeira parte do show.
Hora de apresentar o caçula da banda, o público de Belo Horizonte ainda não conhecia o mais novo dono das baquetas do Angra. Bruno Valverde assumiu a responsabilidade de ocupar o posto antes de Confessori e Priester e, com todo respeito aos dois, não notamos a falta deles. O baterista demonstrou tranquilidade com a função, executou de forma primorosa todas as canções. Rafael Bittencourt foi quem o apresentou ao público e o garoto prodígio, assim chamado pela banda, mostrou com seu solo que realmente é tudo isso que dizem a seu respeito.
Na volta da banda, hora de dar uma respirada, hora da balada Silent Call, música que traz Bittencourt nos vocais. Essa é uma das novidades de Secret Garden, as vozes estão mais divididas, não só entre o guitarrista e Fabio Lione, como também pelas convidadas Doro Pesch (que, na verdade, divide os vocais com Bittencourt em Crushing Room) e Simone Simons (Épica), intérprete da faixa título.
Caminhando para o que parecia ser o fim do show, voltamos novamente ao disco Holy Land para a execução de Nothing to Say. Banda e plateia pareciam não cansar, Kiko Loureiro e Fabio conversavam com o público constantemente. Na sequência, duas faixas do Temple of Shadows: Waiting Silence e Angels and Demons. A "primeira última" música do show foi a excelente Black Hearted Soul, do Secret Garden.
A banda sai do palco e cria-se todo aquele clima que antecede o bis. E ele vem com a música ideal para o momento da banda: Rebirth. É o início do momento mais divertido da noite. Após a execução, quem toma a frente para conversar com o público é Kiko Loureiro. O guitarrista é ovacionado com gritos de "Kiko! Kiko! Rá! Rá! Rá!" e logo após o momento Chaves, o público saúda e canta Parabéns pra você (Kiko completou 43 anos no último dia 16). E em meio a gritos de "Megadeth! Megadeth!", o novo integrante da banda de Mustaine, faz uma gracinha, fazendo o riff de Holy Wars, Kiko pede atenção da plateia.
Aproveitando-se do clima descontraído do show, Kiko Loureiro chama ao palco o roadie Renatão, aniversariante do dia. Banda e público arriscam mais um Parabéns, mas estávamos em uma celebração de heavy metal, nada mais justo que homenagear o aniversariante tocando. Kiko chama o também roadie, Eduardo Krueger, que assume uma guitarra. Renatão vai para os vocais e antes, agradece ao público: "Estou fazendo 41 anos na cidade mais metal do Brasil". Público conquistado, o Angra então presenteia não só Renatão, mas todos presentes, com um cover de Pantera: Walk. Fabio Lione participa fazendo segunda voz.
Acabado os parabéns, mas não a festa, ainda havia tempo para mais. E veio em dose dupla. Carry On foi prova de fogo para quem estivesse cansado, sentimento não compartilhado pela banda, que a executou em perfeição, levando o Music Hall ao delírio. E para fechar com chave de ouro, para comprovar que essa nova fase da banda a coloca no patamar das mais importante do país, Nova Era veio logo na sequência, sem mesmo esperar o fim de Carry On.
Agora sim era fim do show. A noite terminava com a sensação de quem vemos um novo Angra. Kiko Loureiro, em recentes entrevistas, vem dizendo que cada novo disco é uma nova fase da banda. Sendo assim, com Secret Garden, Fabio Lione à vontade frente a banda, o sangue novo de Bruno Valverde e a evidência de Kiko Loureiro no Megadeth, vemos o Angra figurando novamente entre os nomes mais importantes do heavy metal. A banda despede-se de BH e o público sai em êxtase, certo de presenciar o renascimento do Angra. Ou seria o nascimento de um novo Angra? Seja como for, quem ganhou foi a cena brasileira.
Set list Allos
The Pilgrim
Follow Me
Mirror of Deep Waters
The Hero
Journey
Power of Choice
Time for Salvation (Divinefire cover)
The Call of Time
Spiritual Battle
Set list Angra
Newborn Me
Acid Rain
Spread your Fire
Lisbon
Perfect Simmetry
Storm of Emotions
Angels Cry
Final Light
Holy Land
Drum Solo
Silent Call
Nothing to Say
Waiting Silence
Angels and Demons
Black Hearted Soul
Bis
Rebirth
Walk (Pantera cover)
Carry On – Nova Era
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