Metal All Stars: francamente a gente poderia ter ficado sem essa

Resenha - Metal All Stars (São Paulo, Espaço das Américas, 22/11/2014)

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Por Diego Camara
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Pelo visto esse negócio de ficar juntando um monte de gente que nunca sequer deu um “oi” um pro outro para um palco para tocar uma meia dúzia de músicas não parece ser algo que dê muito certo. A contar pelo resultado que tivemos não só no Metal All Stars como em outros eventos similares que ocorreram nos últimos tempos, como o finado Rock and Roll All Stars (inclusive idealizado pelo mesmo produtor que vendeu este show). Mas parece que teríamos de ver ao vivo para ter certeza, e assim umas 3 mil pessoas foram ao Espaço das Américas confiando em um espetáculo que fosse digno dos nomes outrora divulgados. Confira abaixo as principais impressões do show, com as imagens exclusivas de Kennedy Silva.

O INÍCIO

Quando foram divulgadas as informações do que seria o evento, sem dúvidas muita gente ficou animada, enquanto outros se mostraram com um grande pé atrás de uma apresentação dessas. Um monte de músicos de renome – e alguns, sejamos francos, com nem tanto renome assim – se unindo em um palco para tocar sucessos do metal e alguns de suas próprias carreiras – e alguns que também não são lá muito sucesso assim. O horário já não parecia lá muito convidativo, com os shows iniciando as 21h30m, muitas bandas de abertura (foram três no total) e um show headliner começando após as 1 da manhã! Realmente algo como isso também ajuda a deixar o público ainda mais ressabiado, ajudando a esvaziar o evento.

No final a lista de cancelamentos foi razoável. Não se sabe bem porque ocorreram e o que ocorreu, mas a produtora avisou com antecedência que os vocalistas Joey Belladonna (Anthrax), Chuck Billy (Testament) e Cronos (Venom), além do guitarrista Gus G (Ozzy Osbourne e Firewind) não estariam no Brasil. Cronos inclusive divulgou que nunca sequer teve alguma ligação com este projeto e que só estará presente no Brasil no Zoombie Ritual. Outro que acabou não dando as caras foi o lendário baterista Carmine Appice, que não pisou no palco do EDA.

A ABERTURA

Primeira banda a subir ao palco foi o CAPADOCIA, do ABC Paulista. Eles são novos na área – a banda, não os músicos. Desde 2011 na estrada, tempo curto de carreira, os caras andaram tocando com Max Cavalera na última passagem do Conspiracy pelo Brasil. O show foi decente, e a banda utilizou muito bem os recursos e a qualidade da acústica do EDA. Para quem não conhece vale a pena dar uma escutada no som dos caras, pois o público do Metal All Stars não conhecia eles, mas pareceu que curtiram bastante a apresentação.

A segunda banda de abertura foi o já conhecido PROJECT46. Não há muito o que falar desses caras, já que realmente são um dos grandes destaques dessa nova geração musical brasileira. Tocaram merecidamente no Monsters of Rock, onde arregaçaram, e mais uma vez não foi diferente.

O KORZUS veio em seguida, e parece que sua apresentação foi frustrada. Sem seu baixista, a banda não pode fazer a divulgação de seu novo álbum “Legion” como ela esperava. Realmente uma pena, pois havia uma certa expectativa para ouvir o trabalho dos caras ao vivo. No final, a banda apresentou como sempre mais do mesmo, o bom e velho setlist que eles costumam divulgar, com a adição de uma ou outra música do “Legion”. O show foi extremamente técnico, a qualidade do som razoável e a música título do novo álbum foi excelente.

O METAL ALL STARS

Não demorou muito e o show principal começou, conforme os horários anteriormente combinados. Kobra Paige veio ao palco com o guitarrista Ross The Boss e o baixista David Ellefson para apresentar seu set. Na bateria, o suporte foi de Rodrigo Oliveira do Korzus, e ainda houve a entrada de Bill Hudson nas guitarras. Difícil eu ter me lembrado de uma apresentação tão desastrosa. A moça pode até ser boa vocalista, mas francamente não serve para tocar as músicas apresentadas. Ela abriu o show com uma versão insossa de “Kings of Metal”, e seguiu com a música mais horrorosa da noite: o clássico do IRON MAIDEN “Fear of the Dark” foi destruído em parceria dela com Ross, que parecia nem conseguir acertar a introdução de guitarra da música. Penou também em “Symphony of Destruction”, que fechou o desastre. Ross the Boss, diga-se de passagem, não pareceu acertar uma na noite. Que bom que ele não foi responsável por tocar a guitarra durante todo o show.

Na sequência foram dois sets curtos. Primeiro subiu ao palco Geoff Tate para tocar “Neon Knights” e “Jet City Woman”. Na primeira, Vinny Appice mostrou que está com tudo em cima na bela abertura desse clássico imortalizado pela voz do mestre Dio. O vocal de Tate também não fez vergonha alguma, e esteve a altura da música, para mim uma das melhores apresentadas ajudou a quebrar um pouco o péssimo início de show. Porém, se a primeira foi boa, não é possível dizer tanto de “Jet City Woman”, que penou para um som extremamente embolado. Não deu para ouvir muita coisa, a voz de Paige (que fez de Sister Mary) estava desaparecida, e as guitarras de Kiko Loureiro penaram nesta música.

O seguinte ao subir ao palco foi James LaBrie, do DREAM THEATER. Cantou duas músicas que conhece bem, uma de seu disco solo e outra de sua banda. Ele não comprometeu e apresentou um bom som, apesar de que não fez lá grande destaque e não trouxe o ânimo ao público que era esperado. Mais uma vez a banda contou com uma boa apresentação nas guitarras de Baffo Neto, do CAPADOCIA, que não comprometeu.

Quem fez bonito foi o sempre insano Max Cavalera, que subiu ao palco em seguida. No momento mais divertido para o público do show, sem sombra de dúvidas, ele levantou os fãs do Sepultura abrindo seu set com “Roots Bloody Roots”, que fez o público gritar e aplaudir com vontade. O público gritou por Max, gritou por sua banda Soulfly e mostrou pouca satisfação por um set tão curto do músico, que fechou com bom e velho MOTÖRHEAD. Poderia ter tocado mais Sepultura, mais uma ou duas como “Refuse / Resist” e/ou “Territory” teriam feito valer a espera por uma apresentação de qualidade. A banda de apoio também se saiu muito bem, com uma bela apresentação de Baffo Neto e de Rodrigo Oliveira, além de Ellefson no baixo.

O show estava mediano até aí (e estou sendo bonzinho!), quando Max saiu do palco. A espera foi razoável, e pareceu em certo momento que o show tinha acabado ou que teriam cancelado o resto. Mas então, subiu ao palco Zakk Wylde na companhia de Blasko e Appice para sua apresentação. A qualidade do som foi bem melhor aqui, e as músicas pareciam muito melhor ensaiadas do que no resto da apresentação. Ponto positivo, pois os fãs puderam curtir um pequeno set de Zakk tocando alguns clássicos do BLACK SABBATH.

As músicas foram excelentes, com destaque para a clássica “War Pigs” e a bela “Fairies Wear Boots”, que valeram pela espera interminável. O destaque negativo ficou para o excesso de fritação que Zakk Wylde fez no seu set. Solos de guitarra, como todo tipo de solo, ficam legais e emocionantes se bem trabalhados e colocados ali e aqui, mas com o excesso apenas conseguem deixar o público sem paciência. Zakk não faz isso no BLACK LABEL SOCIETY, não deveria tê-lo feito também com o público do Metal All Stars – poderia, por sinal, ter tocado mais músicas e empolgado mais o público no lugar destes solos desnecessários.
Quando finalizou a apresentação, acho que muitos como eu esperavam algo mais. Onde estava a tal apresentação “All Stars”? Todos reunidos no palco, juntos, tocando algum clássico do heavy metal? Pois bem, isso não ocorreu. Quando Zakk saiu do palco, o show terminou com um gosto amargo, de que alguma coisa ficou faltando no meio disso tudo – ou um monte de coisas. Uma pena, mas mais uma vez um evento deste tipo – de reunir um monte de gente que nunca tocou junto para tocar umas músicas – não trouxe o resultado esperado.

Outra coisa: não sei o que ocorreu com o sorteio da guitarra que foi prometido, mas se alguém souber e puder me informar agradeço.

Metal All Stars é:
Zakk Wylde – Vocal e guitarra (Black Label Society, ex-Ozzy Osbourne)
Max Cavalera – Vocal e guitarra (Soulfly, Cavalera Conspiracy, ex-Sepultura)
Geoff Tate – Vocal (ex-Queensryche)
James LaBrie – Vocal (Dream Theater)
Kobra Paige – Vocal (Kobra and the Lotus)
Ross The Boss – Guitarra (ex-Manowar)
David Ellefson – Baixo (Megadeth)
Rob “Blasko” Nicholson – Baixo (Ozzy Osbourne, ex-Rob Zombie)
Vinny Appice – Bateria (ex-Black Sabbath, ex-Dio)

Setlist:
1. Kings of Metal (cover do Manowar com Kobra Paige)
2. Fear of the Dark (cover do Iron Maiden com Kobra Paige)
3. Hail and Kill (cover do Manowar com Kobra Paige)
4. Symphony of Destruction (cover do Megadeth com Kobra Paige)
5. Neon Knights (cover do Black Sabbath com Geoff Tate)
6. Jet City Woman (cover do Queensryche com Geoff Tate)
7. I Got You (cover de LaBrie com James LaBrie)
8. Pull me Under (cover de Dream Theater com James LaBrie)
9. Roots Bloody Roots (cover do Sepultura com Max Cavalera)
10. Eye for an Eye (cover do Soulfly com Max Cavalera
11. Ace of Spades (cover do Motörhead com Max Cavalera)
12. Into the Void (cover do Black Sabbath com Zakk Wylde)
13. Fairies Wear Boots (cover do Black Sabbath com Zakk Wylde)
14. N.I.B. (cover do Black Sabbath com Zakk Wylde)
15. Snowblind (cover do Black Sabbath com Zakk Wylde)
16. War Pigs (cover do Black Sabbath com Zakk Wylde)

Galeria completa em:
https://www.facebook.com/kennedysilvaphotos

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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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