Angra: Domingo caloroso para os fãs gaúchos
Resenha - Angra (Bar Opinião, Porto Alegre, 28/09/2014)
Por Itamar José G. Nunes
Postado em 30 de outubro de 2014
Mais uma vez, o Power Metal contagiava o povo do sul do Brasil com suas próprias e calorosas influências brasileiras. Sim, estamos falando de ANGRA, uma das bandas mais influentes do metal nacional, na qual dá continuidade ao seu tour que comemora o vigésimo aniversário do disco "Angels Cry". Mesmo com as trocas de integrantes, tendo Fabio Lione como a maior diferença no rosto da banda, a melodia do ANGRA continuou rolando solta sem limites de rapidez, complexidade e feeling. Foi um domingo caloroso para os fãs gaúchos, que finalmente estariam presenciando a banda desde o último ano.
Por ser um dia chuvoso, a fila já havia desaparecido pouco depois da abertura dos portões do bar. Por isso, a plateia já estava lotada e mais ansiosa que o comum para o espetáculo começar. Logo no início, quando as cortinas do palco se abriam, podia-se enxergar dois conjuntos de bateria - um em cima e outro em baixo. Percebia-se que outra banda também podia estar em cena, e não demorou muito para as luzes coloridas revelarem os integrantes da banda CELESTIAL FLAMES com os seus respectivos instrumentos. O som parecia bem regulado, permitindo a boa audição da banda que estava recém começando na cena do Power Metal Sinfônico. Apesar da pouca idade - apenas quatro anos de estrada, comparado com as duas décadas do Angra - foi vista tamanha profissionalidade no som do conjunto que a plateia concedeu muitos aplausos e assobios. Eles tocaram quatro de suas mais conhecidas músicas, na ordem: "Power of the Star", "Sweet Pain of War", "Eternal Oblivion" e "Final Destination". Apesar do sucesso com a plateia, foi visto que a banda de abertura tinha um pequeno calcanhar de aquiles: O estilo clichê das músicas, o que talvez ainda possa ser amadurecido em suas composições. Em contrapartida, a execução foi ótima, e pode-se esperar que ela seja mais uma promissora no cenário do Power Metal.
Pouco depois do final da abertura, a escuridão esconde os instrumentistas da Celestial Flames, que recolhem seus instrumentos para darem espaço aos adultos. O apagão dura apenas o tempo necessário para os preparativos serem feitos. Sem demora, as luzes coloridas voltam a aparecer gradualmente para instigar a ansiedade no público. Logo logo, os aplausos e os gritos aparecem e vão aumentando à medida que Bruno Valverde se aproxima de sua grande bateria cheia de pratos. Após o membro mais novo dar uma testada básica na bateria, cada um dos integrantes foi entrando no palco, exceto o vocalista, que viria apenas quando seu papel começasse a valer.
Respeitando o principal motivo de seu tour, o Angra começa com a épica "Angels Cry", do álbum homônimo. De tanto que a plateia cantava o grande sucesso junto com Lione, parecia que haviam centenas de vozes soando ao mesmo tempo. Depois, "Nothing to Say" do álbum "Holy Land" surge logo que seu ritmo com influências de forró e samba começa a soar. O som continua firme durante a execução de "Waiting in Silence" do seu consagrado álbum "Temple of Shadows".
Lione parecia inspirado em chamar pela participação da plateia para fazer o coro, e não tinha pouca razão, pois grande parte já estava familiarizada com as letras, principalmente com os refrões. Isso pôde ser observado, por exemplo, na canção "Time", também do primeiro álbum homenageado. Segue-se então com "Evil Warning", deste mesmo álbum. "Lisbon", de "Fireworks", entra em cena com sua sonoridade maravilhosa, que o que antes fazia sucesso com Andre Mattos, combinou mais ainda com o sotaque italiano de Lione. Neste sentido, "Millenium Sun" do álbum "Rebirth", também um dos maiores sucessos da banda, dá início às baladas do Metal antes cantadas por Edu Falaschi. Segue-se com "Winds of Destination", do "Temple of Shadows".
Durante todo esse som, surge algo interessante: Valverde demonstra sua habilidade rápida e cheia de destreza em um solo de bateria destruidor. Após cada rodada, o baterista recebia mais aplausos da plateia pelo seu feito.
Pouco depois do solo, Lione chama a atenção da plateia contando sobre a gratidão que a banda tem com todos membros que passaram por ela, citando inclusive Aquiles Priester, enquanto Rafael Bittencourt pega seu violão. É hora da balada acústica: "Bleeding Heart", do EP "Hunters and Prey" e da versão japonesa de "Rebirth". Birttencourt assume o vocal nesta bela música juntamente com a plateia emocionada. Após o momento sentimental, os instrumentistas voltam à ativa com "Gentle Change" de "Fireworks", "Acid Rain" de "Rebirth" e "Make Believe" de "Holy Land". Lione disse que esta última, apesar de não terem ensaiado, foi escolhida para tocar por ser uma das preferidas do vocalista.
"Deus Le Volt!", naturalmente, foi o que deu a ansiedade para o povo vibrar em "Spread Your Fire", ambas do "Temple of Shadows". "Rebirth", do álbum homônimo, trouxe mais uma vez a grande horda de vocais do início do show, preparando a plateia para a última música. O inesperado para muitos foi que, com a introdução "Unfinished Allegro", o Angra apresentou o composto musical "Carry On + Nova Era" com toda energia possível. Isso foi observado terminando no solo da primeira música do composto, onde deu-se início à última e mais famosa canção. O coro não parava, tanto que Lione quase perdia o cenário sonoro com tantas pessoas vibrando e cantando, ao mesmo tempo, os dois maiores sucessos da banda.
Diferentes opiniões foram comentadas no evento. Alguns diziam que o som estava perfeito, outros reclamavam que havia um desvio de equalização, não podendo ouvir o vocal e as guitarras. Apesar disso, as críticas negativas foram mínimas, e o Angra estava tão ativo quanto sempre esteve durante a maior parte de sua carreira desde o lançamento Angels Cry. Não foi estranho que alguns da plateia, ao sair do estabelecimento, comentava que queria mais. Foi mais um ótimo show do Angra para os gaúchos, graças à boa produção realizada pela Pisca Produtora.
Set-list do show:
Angels Cry
Nothing to Say
Waiting Silence
Time
Evil Warning
Lisbon
Millennium Sun
Winds of Destination
Solo de Bateria por Valverde
Bleeding Heart (acústico por Rafael Bittencourt)
Gentle Change
Acid Rain
Make Believe
Deus le Volt!/Spread Your Fire
Rebirth
Unfinished Allegro/Carry On + Nova Era
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