Sabaton: nada melhor que o som da guerra no dia da Independência
Resenha - Sabaton e Armahda (Carioca Club, São Paulo, 07/09/2014)
Por Diego Camara
Postado em 15 de setembro de 2014
Em um dia marcante para o Brasil, quando comemoramos mais um ano de nossa Independência, também marcou a estreia dos suecos do SABATON em nossas terras. Em turnê organizada pela Open The Road, uma das bandas ícones da nova geração do heavy metal tem 10 datas marcadas por todo o Brasil. E para esta data mais que especial, a banda escolhida para a abertura foram os brasileiros do ARMAHDA, que vem contando a história do Brasil de forma inovadora e diferente com suas músicas. Uma dobradinha perfeita para quem, como eu, adora história e heavy metal. Confiram abaixo os principais detalhes do show.
ARMAHDA
Coube ao Armahda subir ao palco para a abertura do show. A fila grande na entrada deu uma boa lotação ao Carioca Club, e o público gritava com vontade o nome da banda brasileira, que trouxe uma nova cara ao heavy metal nacional com o lançamento do disco "Armahda", no ano passado. Não demorou muito para a abertura do disco com "Ñorairô" rodar nos PAs, e a banda subiu ao palco com "Echos from the River". Já de cara vimos uma grande apresentação, apesar do nervosismo visível da banda em estrear nos palcos em uma grande apresentação. O som um pouco embolado, porém, não deixou de mostrar o vocal agressivo da banda e a excelente orquestração.
Outros destaques do show foram a excelente "Canudos", com uma bela pegada nas guitarras e um som que realmente remonta ao sertão da Bahia, a música tradicional conflui muito bem aqui com o heavy metal. Outro ótimo destaque foi a música "Armahda" e a excelente "Paiol em Chamas", cantada em português e que fechou extremamente bem o show. O refrão pegajoso, inclusive, foi cantado com vontade por parte do público.
Ficou latente ali que o público já conhecia a banda e que muitos já haviam curtido o disco do Armahda. Muitas pessoas também vestiam a camiseta da banda. A banda se saiu tão bem, no final, que foram capazes de abrir uma roda no público fã do Sabaton, que não parecia estar nada acostumado com isso. Para um primeiro show, a banda se saiu melhor do que o esperado. Esperamos que seja o primeiro de muitos, e que o Armahda realmente ajude a trazer um pouco de história ao público brasileiro, tão carente de ser representado no heavy metal.
Armahda é:
Maurício Guimarães – Vocal e violão
Renato Domingos – Guitarra
Ale Dantas – Guitarra
Paulo Chopps – Baixo
João Pires – Bateria
https://www.facebook.com/Armahda
Setlist:
Intro: Ñorairô
1. Echoes from the River
2. The Iron Duke
3. Canudos
4. Queen Mary Insane
5. Armahda
6. Flags in the Wind
7. Paiol em Chamas
SABATON
Como um relógio, o show se iniciou 20h10m. A banda tem o costume de abrir o show com uma intro da música "The Final Countdown", do EUROPE: sem dúvidas uma homenagem a uma das principais bandas do rock sueco. Não demorou muito para que a banda entrasse no palco para tocar a potente invasão alemã com "Ghost Division", uma das melhores músicas da carreira do Sabaton. O público se levantou desde o início, e estava claro ali que a pancada seria extremamente nervosa durante todo o show.
Cantaram com vontade a música, e então a banda não perdeu tempo e tocou "To Hell and Back", uma das melhores do novo álbum "Heroes", seguida por "Carolus Rex", do disco de mesmo nome. O Sabaton tem a potência de um exército nas mãos, e o público não parou um instante de gritar e cantar com Joakim Brodén, que parecia bastante impressionado em como um público daquele tamanho conseguia fazer tanto barulho.
O vocalista disse estar arrepiado com a motivação do público de São Paulo. Agradeceu aos que vieram e pediu desculpas por não saber falar mais português do que um simples "boa noite". "mas não importa, afinal todos aqui conhecem o heavy metal, não é mesmo?", diz ele, recebendo uma grande ovação da plateia. Tocaram então a versão sueca de "Gott Mit Uns", onde o sueco da banda se misturou com o inglês do público.
Com "Art of War" veio outra pancada. A leitura do livro de Sun Tzu feita pela música é excelente e flui extremamente bem ao vivo, com uma aula de história e literatura de guerra. Brodén comanda como ninguém o público, mostrando que não é pouco o sucesso crescente do Sabaton pelo mundo.
Com "Attero Dominatus", Brodén se desculpa com o público por ter errado a ordem do show. A música era para ter sido tocada antes de "Resist and Bite", mas acabou sendo pulada pelo vocalista. A seguinte foi a fantástica "40:1", música icônica que virou até um hino ao povo polonês por retratar a Batalha de Wizna, conhecida na Segunda Guerra Mundial como as Termópilas Polonesas – em alusão às invasões Persas na Grécia.
A banda ainda voltaria para um excelente bis, aberto pela música "Night Witches" do novo álbum "Heroes". Na sequência, o público pediu com vontade pela música "Smoking Snakes". Como era o dia da Independência do Brasil, a banda resolveu fazer esta singela homenagem ao público cantando a música sobre os três heróis brasileiros que combateram um batalhão alemão e não aceitaram rendimento. A música tocou fundo no público, que cantou com vontade redobrada, sem dúvidas o momento mais fantástico do show. Uma pena que foi necessário que uma banda estrangeira desse este valor a um momento histórico do Brasil ao invés de algum artista nacional.
A banda fechou seu show com a clássica "Primo Victoria" e com "Metal Crüe", com um sentimento de satisfação que tomava o local. O show foi mais do que positivo, foi um excelente trabalho das produtoras Open the Road e Overload, e que concorre fortemente a um dos melhores shows do ano, seja pela vontade da banda, seja pelo amor do público ou pela qualidade do Sabaton, que com "Heroes" alcançou outro nível em sua carreira.
Sabaton é:
Joakim Brodén – Vocal
Pär Sundström – Baixo
Chris Rörland – Guitarra
Thobbe Englund – Guitarra
Hannes van Dahl – Bateria
https://www.facebook.com/sabaton
Setlist:
Intro: The Final Countdown (música do Europe) / The March To War
1. Ghost Division
2. To Hell and Back
3. Carolus Rex
4. Gott Mit Uns (versão sueca)
5. Uprising
6. Resist and Bite
7. The Art of War
8. Far from the Fame
9. Attero Dominatus
10. 40:1
11. Swedish Pagans
Bis:
12. Night Witches
13. Smoking Snakes
14. Primo Victoria
15. Metal Crüe
Outro: Dead Soldier's Waltz / Masters of the World
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