Savages: Quem conferiu o show saiu convencido do poder da banda
Resenha - Savages (Lollapalooza Brasil, São Paulo, 06/04/2014)
Por Monica Prado
Postado em 13 de abril de 2014
"Savages" é uma das estreias mais dominante e ferozmente preparada do rock nos últimos anos, o trabalho de uma banda cuja confiança descomunal e nítida clareza de visão não se correlacionam com o curto espaço de tempo que passaram juntas (desde 2011). Enquanto as bandas que dominaram o indie rock olhavam para ‘Joy Division’ e ‘Gang of Four’ por razões que tinham principalmente a ver com o ritmo, a música das meninas do ‘Savages’ (Selvagens) encontra parentesco com a oposição política do post-punk, a escuridão e ansiedade que reina sobre os efeitos desumanos da tecnologia. O espírito é o mesmo, mas ele foi ajustado para refletir sobre os tempos. Quem pode conferir o show das selvagens na abafada tarde do segundo dia do festival, saiu de lá convencido do poder da banda.
Quatro mulheres vestidas de preto subiram ao palco para mostrar porque a música das selvagens está fora de sincronia com atuais tendências. As onze faixas executadas do álbum ‘Silence Yourself’ deixaram o público com vontade de mais, mais selvageria.
Gemma Thompson (guitarra), Ayse Hassan (baixo), Fay Milton (bateria) são britânicas e Jehnny Beth (vocais) é francesa. Beth parece ser uma mistura entre Siouxsie, Ian Curtis e algum intelectual francês, mas o certo é que ela é a cereja do bolo das selvagens.
Com o tom pesado da percussão, os gritos de batalha Siouxsie de Beth e a ênfase composicional colocada no baixo de Ayse Hassan (nos momentos quando Beth é silenciosa, o baixo parece ser o vocalista das selvagens), o empresário John Best (que também gerencia o gigante Sigur Ros) afirmou que a banda "não é sexy, não é engraçada, mas é a coisa mais próxima de arte 'pós-punk' na atualidade".
O público que estava no palco Interlagos para prestigiar a banda foi presenteado com uma performance estonteante. Beth, com seu sotaque francês e britânico agradeceu, em português, várias vezes o público.
Elas mandavam um hit após o outro, sem descanso. Beth possui um fôlego tremendo, e ela abusa da sua capacidade vocal e deixa a plateia boquiaberta. Suas letras são corajosamente austeras. (Os títulos já mostram uma força bruta: "Ela irá", "Bata-Me", "Sem rosto", "Cale-se.")
Em determinado momento, Beth rende-se ao calor e arregaça as mangas de sua camisa preta (ela estava elegantemente vestida e usava um scarpin rosa ‘choque’). Ela diz, em determinado momento, "Não deixem os filhos da puta te derrubarem". Foi ovacionada!
As canções falam sobre desafiar ideias, palavras e desejos que consideramos "normais". O mix permite que a contribuição da cada membro da banda arda com igual intensidade e empresta uma fisicalidade palpável ao som das selvagens. Fay Milton manipula a os pratos e o bumbo como um boxeador batendo em um saco de pancadas enquanto as cordas graves de Hassan pulsam como tendões latejantes. A guitarra de Thompson muitas vezes nos faz recordar uma motosserra, e Beth grita de forma bela e única.
Antes de tocar a última faixa do show Beth diz "Esta é a última música que vamos tocar hoje’, e o público em coro diz ‘NÃO’. Podem acreditar, ‘Savages’ está só começando, e promete!
Lineu up:
Jehnny Beth (vocais)
Gemma Thompson (guitarar)
Ayse Hassan (baixo)
Fay Milton (bateria)
Set List:
I Am Here
Flying to Berlin
Shut Up
City's Full
I Need Something New
Strife
She Will
No Face
Husbands
Hit Me
Fuckers
Crédito das fotos para: Camila Cara
T4F Divulgação
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Iron Maiden anuncia reta final da "Run for Your Lives" e confirma que não fará shows em 2027
Mikael Åkerfeldt (Opeth) não conseguiria nem ser amigo de quem gosta de Offspring
Download Festival anuncia novas atrações e divisão de dias para a edição 2026
Sepultura lança "The Place", primeira balada da carreira, com presença de vocal limpo
João Gordo explica o trabalho do Solidariedade Vegan: "Fazemos o que os cristãos deveriam fazer"
Nicko McBrain celebra indicação do Iron Maiden ao Rock and Roll Hall of Fame
A música do Metallica que James Hetfield achou fraca demais; "Tá maluco? Que porra é essa?"
Por que Joe Perry quase perdeu a amizade com Slash, segundo o próprio
A maior dificuldade de Edu Ardanuy ao tocar Angra e Shaman na homenagem a Andre Matos
Indireta? Fabio Lione fala em "ninho de cobras" e "banda de palhaços" após show do AC/DC
Bruce Dickinson, do Iron Maiden, já desceu a mamona do Rock and Roll Hall of Fame
Rock and Roll Hall of Fame anuncia indicados para edição 2026
Mamonas Assassinas: a história das fotos dos músicos mortos, feitas para tabloide
AC/DC - um show para os fãs que nunca tiveram chance
Segurança de Bob Dylan revela hábitos inusitados do cantor nas madrugadas brasileiras



My Chemical Romance performa um dos shows mais aguardados por seus fãs
Avenged Sevenfold reafirma em São Paulo porquê é a banda preferida entre os fãs
III Festival Metal Beer, no Chile, contou com Destruction e Death To All
Dark Tranquillity - show extremamente técnico e homenagem a Tomas Lindberg marcam retorno
Cynic e Imperial Triumphant - a obra de arte musical do Cynic encanta São Paulo
Em 16/01/1993: o Nirvana fazia um show catastrófico no Brasil
A primeira noite do Rock in Rio com AC/DC e Scorpions em 1985


