Angra: uma noite especial no Espaço Victory, em São Paulo

Resenha - Angra (Espaço Victory, São Paulo, 30/11/2013)

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Por Hugo Alves
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Se o fim de 2011 e o ano inteiro de 2012 representaram um longo momento de incertezas na carreira do ANGRA, o ano de 2013 pode ser considerado como o ano da superação definitiva na sua história. Qualquer um sabe que não é fácil para uma banda perder um vocalista que, querendo ou não, representa a maior “fatia” da identidade da banda. O ANGRA perdeu André Matos na virada dos anos 1990 para os anos 2000 e viu em Edu Falaschi sua “nova era”. Entretanto, no ano passado Edu Falaschi não viu outra saída para sua carreira senão dedicar-se integralmente ao ALMAH, deixando a banda que o projetou ao mainstream. Entretanto, algo inesperado aconteceu e hoje o italiano Fabio Lione (RHAPSODY OF FIRE, VISIONS DIVINE) toma a linha de frente do ANGRA, que finalizou na noite de sábado, 30 de novembro de 2013, a turnê “Angels Cry 20th Anniversary”, no Espaço Victory, em São Paulo.

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Por volta das 18h, já era possível notar uma fila considerável no quarteirão da rua do Espaço Victory. Antes do show, perto das 20h, aconteceu o Meet & Greet para quem adquiriu o passe diretamente pelo site da banda. Os fãs presentes na fila anterior à porta do camarim montado para a banda começaram a cantar “Rebirth”, encobrindo a voz de Fabio Lione, que se aquecia no camarim, conforme era possível ouvir. Terminada esta, os sortudos que teriam em instantes a chance de trocar alguns minutos com a banda puxaram “Carry on”, e foi quando, surpreendentemente, Rafael Bittencourt apareceu com um violão nas mãos e fez do momento de homenagem à banda algo não menos que muito especial.

Com todos dentro do camarim, estavam presentes os integrantes da banda, o empresário Paulo Barón e os assistentes Baffo Neto e Damaris Hoffman, além da equipe que estava fotografando e filmando o evento. Os integrantes foram muito solícitos com todos os fãs que puderam comparecer a esta parte do evento, tão mais intimista e uma honra a quem, assim como este que vos escreve, cresceu ouvindo a música do ANGRA. E cabe aqui um comentário: pra quem diz que Kiko Loureiro, guitarrista da banda, é do tipo que trata os fãs com frieza, com certeza não sabe o que está falando, pois ele foi extremamente atencioso com todo mundo, sem exceções. Logicamente, Rafael Bittencourt, como é sabido, é o mais extrovertido de todos, sempre conversando e fazendo todo tipo de piadas com os fãs. Fabio Lione estava levemente tímido, mas também foi muito educado, como naturalmente aparenta ser. Ricardo Confessori também foi muito “camarada” e Felipe Andreolli – este sim, o mais introvertido de todos, mas nem por isso menos atencioso – foi solícito em atender aos fãs e responder suas perguntas. Após autógrafos e interação, o momento “paparazzi”, onde os fãs puderam ter uma foto com toda a banda. Também foram distribuídos brindes, como uma fotos autografadas pela banda, por exemplo.

Próximo das 21h30, o ANGRA subiu ao palco do Espaço Victory, detonando tudo com “Angels Cry”, que ditava os tons da comemoração que se encerraria naquela noite (pelo menos no Brasil, já que a banda ainda tem algumas datas marcadas para Argentina, México e Equador para o primeiro semestre do ano que vem). Conforme foi explicado por Rafael e Kiko em algum momento do show – e para calar a boca de quem não sabe o que diz, comparando a banda atual com ex-membros –, o show marcava, sim, os vinte anos do disco, mas era também uma celebração a tudo o que a banda fez desde então, sendo este o motivo de um setlist tão variado, e não focando somente no primeiro disco do grupo. De qualquer modo, o show prosseguiu em grande estilo com “Nothing to Say” (do disco “Holy Land”, de 1996) e “Waiting Silence” (de “Temple of Shadows”, de 2004), esta última uma das melhores composições do ANGRA de todos os tempos. Já nesta primeira trinca os fãs (que, infelizmente, apenas encheram, e não lotaram, o Espaço Victory) estavam extasiados. Há de se dizer também que já era possível notar a vitalidade de Fabio Lione. Ele não tenta emular Andre Matos nem Edu Falaschi, mas dá seu próprio estilo às músicas, o que é algo a se respeitar e admirar.

Fabio toma a frente, cumprimenta o público com seu idioma misto (sai Inglês, Italiano, Espanhol e Português, que ele já fala muito bem), agradece aos presentes e indica ser este o último show deste ano. Foi possível notar que ele já se sente muito mais à vontade no ANGRA e com o público da banda. Assim, ele anunciou uma grande canção do primeiro disco da banda, e esta foi “Time”, um clássico, extremamente cantado e aplaudido por todos. Mas o grande momento ali foi mesmo em “Lisbon” – é incrível a beleza desta canção e a mágica que toma conta do lugar quando a banda a executa; não há um fã que não cante a letra inteira e ainda ajude na melodia instrumental. Então, Kiko Loureiro toma um violão e inicia uma versão que, ao contrário da original, vem em formato acústico, da canção “Millenium Sun”, uma canção que se encaixou milagrosamente à voz de Fabio Lione. Outro grande momento foi quando Felipe Andreolli tomou o microfone para auxiliar em “Winds of Destination”, uma grande canção, mas muito subestimada, oriunda de “Temple of Shadows” (2004). Sobrou tempo para que a banda tocasse “Gentle Change”, uma canção maravilhosa do disco “Fireworks” (1998), e aqui cabe dizer que, de todo o repertório apresentado durante a noite, esta canção parece ter se unido à carne de Fabio Lione. É impossível não se emocionar com a interpretação do pisano nesta canção, que parece ter sido escrita e gravada por ele, dada a impressionante sensação de perfeição. Um mestre!

Então, chega o momento em que Rafael Bittencourt, não contente em tocar guitarra tão bem como o faz, assume sozinho os vocais para a execução de “The Voice Commanding You”, única representante do injustiçadíssimo disco “Aurora Consurgens” (2006). E ele o faz de maneira impressionante, mandando agudos que não existem nem na versão original! Após esta, Fabio Lione retorna e, junto a Kiko Loureiro, inicia “Late Redemption”, canção mais que adorada pelos fãs. Engraçado notar que deve ter havido algum erro no início, pois Kiko e Fabio olhavam para o canto do palco, onde estava Rafael Bittencourt, que tentava sinalizar algo mas fez cara de “ih, cacete, agora já foi”. Logicamente, ninguém deve ter notado esse erro, e todos se emocionaram e cantaram junto, e muito alto, principalmente os versos cantados por Milton Nascimento na versão de estúdio – cabe um apelo: ANGRA, por favor, chamem o Milton pra um show e gravem isso, seria épico! O fim da primeira parte do show se deu com “Silence and Distance” que, pelo que foi possível notar, foi uma grata surpresa, visto que todos presentes se mostraram atônitos – e felizes – com esta.

A banda deixa o palco, restando somente Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt para uma rápida incursão acústica ao show. Sim, rápida, já que os fãs esperaram por “A Monster in her Eyes” (do disco “Aqua”, de 2010 que, infelizmente, não teve nenhuma representante durante a noite) e “Make Believe”, que não deram as caras. Obviamente que, mesmo assim, a dupla de guitarristas fez do momento algo inesquecível. Primeiro, porque Rafael Bittencourt chegará aos 90 anos de idade com a alegria de um moleque de 12, já que não consegue não interagir com os fãs através do bom humor, contando como foi a entrada de Kiko Loureiro na banda de um jeito bem inusitado, por assim dizer. Assim foi introduzida “Reaching Horizons”, considerada a primeira canção do ANGRA. A dupla ouviu os pedidos de alguns fãs mais próximos do palco e mandaram outra grande surpresa: “Lullaby for Lucifer”. Então, os demais integrantes voltaram ao palco e mandaram uma versão acústica e pra lá de descontraída de “Carry on”. O pretexto para isso, segundo Rafael Bittencourt, era de que eles sempre quiseram escrever músicas fáceis de tocar (no que muitos fãs responderam com vaias ou dedos-do-meio) e que ficava triste em ver que as pessoas tocam LEGIÃO URBANA e CAZUZA nas festinhas, mas ninguém se lembra do ANGRA. É lógico, não poderia deixar de ser outra bem-vinda palhaçada do guitarrista. E não é que a versão ficou muito bonita? Não se sabe se será fácil tocar essa versão numa festinha – ou cantar, já que Fabio Lione é um verdadeiro mestre – mas mesmo assim foi uma versão muito bacana. O único ponto de interrogação foi o fato de que, com isso, os fãs ficaram sem a versão original da canção.

Para o primeiro “bis”, a banda veio com “No Pain for the Dead” – outra na qual não é possível não se espantar com o desempenho de Fabio Lione, muitíssimo acima do esperado – e “Evil Warning”, grata canção do primeiro disco da banda, que nem sempre é lembrada nos shows. A banda ainda voltaria duas vezes ao palco: na primeira, executaram “Rebirth” de forma magistral e, na segunda, precedidos pela introdução “In Excelsis”, mandaram “Nova Era”, que marcou o fim da apresentação da banda – que durou exatamente duas horas – e também o fim da turnê comemorativa.

Ficam algumas considerações aqui: fãs do ANGRA, deem uma atenção maior ao “Aqua” (2010). Este que vos escreve está a finalizar a faculdade de Letras e, como Trabalho de Conclusão de Curso (sim, o famigerado TCC), estudou a relação entre a obra que o inspirou (“A Tempestade”, escrita em 1611 por William Shakespeare) e o disco em questão. Trata-se de algo muito rico dentro da discografia da banda, e infelizmente, como o próprio Rafael Bittencourt disse durante o Meet & Greet, é um disco pouquíssimo explorado. Foi entregue uma cópia deste trabalho a ele, que se mostrou bastante feliz com tal objeto de pesquisa. Outra consideração: todo mundo gostaria que a banda tivesse escolhido um vocalista brasileiro para esta nova fase, mas não foi o que aconteceu e cada vez mais é certo de que a banda fez o melhor ao convidar Fabio Lione para o posto, então seria interessante maior apreciação e menos reclamação. A banda está aí, renovada e pronta pra seguir em frente.

Fica agora a saudade de uma noite sensacional, repleta de música de primeira qualidade e bom humor, e fica também a ansiedade pelo oitavo disco de estúdio da banda. Será o primeiro disco de inéditas em quatro anos e também o primeiro com Fabio Lione nos vocais. Seja como for, e assim como foi escrito em outra matéria, o ANGRA está mais vivo do que nunca, e está só começando!

Setlist:

01. Angels Cry
02. Nothing to Say
03. Waiting Silence
04. Time
05. Lisbon
06. Millenium Sun
07. Winds of Destination
08. Gentle Change
09. The Voice Commanding You
10. Late Redemption
11. Silence and Distance
12. Reaching Horizons
13. Lullaby for Lucifer
14. Carry on
15. No Pain for the Dead
16. Evil Warning
17. Rebirth
18. In Excelsis/ Nova Era

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Sobre Hugo Alves

Hugo Alves é formado em Letras (Português and Inglês) pela UNISO – Universidade de Sorocaba e futuro mestrando em Literatura ou Semiótica. Começou a escutar Rock aos 11 anos com “Bring Me to Life” do Evanescence, mas o que o tomou para sempre para o Rock and Roll foi “Fear of the Dark” (versão ao vivo no Rock in Rio), do Iron Maiden, banda que, ao lado de The Beatles, considera como favorita, amando quase que igualmente os sons de Viper, Angra, Shaman, Andre Matos, Rush, Black Sabbath, Metallica, etc. Foi vocalista das bandas Holygator e Bad Trip, iniciantes em Sorocaba/ SP, e também toca guitarra e baixo. Outra de suas paixões é a Literatura, pela qual desenvolveu o gosto pela escrita e comunicação.

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